EXCLUSIVO: o reencontro emocionante de guincheiro sequestrado com a família em Joinville

“O que importa é que ele está vivo”, fala filho de Agostinho Boso, sequestrado na véspera de Natal e resgatado na manhã desta quarta-feira (30) após seis dias em cativeiro

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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Depois que a porta que dava acesso à cama onde o guincheiro Agostinho Boso, de 65 anos, se recuperava se abriu, a angústia e o peso no coração da família se dissiparam. Foram seis dias de dor e incerteza desde que Agostinho foi sequestrado em Joinville, no Norte de Santa Catarina, na véspera de Natal. O resgate aconteceu na manhã desta quarta-feira (30) e em algumas horas a família estava abraçando e acariciando o companheiro e pai.

“O encontro é emocionante. Ele está debilitado sim, mas está vivo e sorrindo. É isso que importa”, fala André Vagner Boso, filho do guincheiro que passou seis dias em um cativeiro na cidade de Guaratuba, no Paraná.

“Nós recebemos a notícia com a alegria dos policiais na voz, no momento que nos falaram: nós encontramos teu pai. É indescritível, só quem passa sabe. O pensamento era só no pai. Isso é um renascimento do meu pai”, diz.

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Ainda com a voz embargada e as mãos trêmulas, o filho ressaltou o trabalho da Polícia Civil, que orientou todos os contatos com os sequestradores e passou 72 horas ininterruptas em trabalho de inteligência e de monitoramento para chegar ao local utilizado como cativeiro, um sítio na cidade paranaense. “O trabalho da polícia foi perfeito. Eles passaram todas as diretrizes de como conversar com eles”, conta.

Agostinho foi encontrado em um rancho, muito debilitado. Estava sem camisa, com as mãos amarradas e caído ao lado da cama. O delegado Rafaello Ross, responsável pela investigação conta que o guincheiro passou cinco dias sem beber água. “Ele estava bem debilitado, mas felizmente o encontramos com vida. Estava com os pulsos machucados, além do abalo psicológico. Rapidamente o conduzimos ao Hospital São José”, fala.

Agostinho foi recebido no Hospital Municipal São José e recebeu todo o atendimento médico na unidade, onde se recupera. Além dos cuidados médicos, o guincheiro também recebe auxílio psicológicos.

O delegado explica que o boletim de ocorrência inicial foi feito como desaparecimento, no dia 24 de dezembro, e rapidamente a polícia iniciou o trabalho de investigação para entender o contexto do caso. Na segunda-feira (28), o primeiro telefonema dos sequestradores, que utilizaram o próprio celular da vítima para fazer o contato. O pedido era de R$ 200 mil para libertar Agostinho, o que caracterizou o crime de extorsão mediante sequestro.

“A DIC atuou 72 horas ininterruptas, com apoio do serviço de inteligência na orientação dos familiares e no monitoramento para chegar, na tarde de terça-feira (29) a um possível sequestrador no centro de Joinville”, fala o delegado. O homem reagiu a abordagem e, na troca de tiros, um policial e o próprio suspeito ficaram feridos, mas liberados após atendimento no hospital.

O suspeito encontrado em Joinville era o responsável por entrar em contato com a família e celular foi encontrado no carro dele, conta Ross. O suspeito foi preso em flagrante por tentativa de homicídio contra o policial e será indiciado pelo sequestro.

“Levantamos o sítio e parte de equipe amanheceu lá e estourou o cativeiro nas primeiras horas da manhã. A meta era localizar e resgatar a vítima com vida, a família poderá passar o ano novo juntos”, salienta.

A delegada Tânia Harada ressaltou a união e o trabalho conjunto que envolveu diversas equipes da Polícia Civil joinvilense. “Foi um trabalho que envolveu inúmeras delegacias. O resultado apresentado até agora demonstra que a união de esforços apresenta bons resultados”, destaca.

As investigações continuam para identificar os outros envolvidos no sequestro. A suspeita é de que quatro pessoas tenham participado do crime.

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