“Gostaria que todos os crimes de racismo fossem punidos”. Este é o pedido do professor universitário Jonathan Prateat em vídeo gravado com exclusividade para a NDTV. Ele foi vítima, na última quinta-feira (27) de ataques racistas durante um evento online, em Joinville, no Norte do Estado.
Jonathan foi vítima de ataques racistas na última quinta-feira – Foto: Reprodução/NDNo vídeo, Jonathan alega, ainda, que espera que a investigação encontre os responsáveis e que eles sejam punidos. Isso, para ele, trará uma maior consciência às pessoas de que racismo é crime.
“Gostaria muito que houvesse uma movimentação sincera para que todos os crimes de racismo sejam realmente punidos. Para que as pessoas tenham a certeza de que ofender e minorizar é crime”, explica.
SeguirO caso ocorreu durante o Seminário Curricularizando a Extensão, promovido pelo Núcleo de Educação da ACIJ (Associação Empresarial de Joinville).
Ao discursar sobre ações realizadas em uma comunidade quilombola de Joinville, Jonathan teve o microfone silenciado. Foi, então, que hackers invadiram a transmissão e passaram a ofendê-lo com mensagens racistas, além de xingá-lo como macaco.
Além das ofensas, os hackers também exibiram vídeos com conteúdo pornográfico durante a transmissão.
A 6º Delegacia de Polícia Civil de Joinville investiga o caso. A transmissão, inclusive, já está com a polícia que analisará as imagens, a fim de identificar os envolvidos. A transmissão não foi divulgada para não atrapalhar as investigações.
Segundo a polícia, os investigados devem responder pelo crime de injúria racial. A pena pode chegar até três anos de reclusão, além de multa.
Casos de injúria aumentaram 64% em 2019
A injúria racial é classificada como crime contra a honra de um ou mais indivíduos motivado por “elementos referentes à raça, cor, etnia, religião e origem”.
Em Santa Catarina, o número de casos de injúria racial aumentou 64%, em 2019, em relação ao ano anterior. De 1.086 ocorrências registradas em 2018, passaram para 1.787 notificadas no ano seguinte.
Os dados foram obtidos pela equipe do nd+ via Lei de Acesso à Informação e pertencem a SSP (Secretaria de Segurança Pública). O órgão estadual não possui uma série histórica do número de casos de injúria racial.
Mesmo o qualificador existindo desde 2003, os casos só passaram a ser levantados pela SSP em 2018.