Vitor Ferreira de Melo, de 25 anos, saiu de Juazeiro do Norte (CE) com destino à Alfredo Wagner (SC) no dia 5 de dezembro. A viagem, no entanto, virou um grande mistério para a família. Ao chegar na cidade de Araxá (MG), por volta das 6h50 do dia 7, ele desapareceu.
A família registrou Boletim de Ocorrência e está desesperada com a situação. Segundo o seu irmão Bruno Ferreira de Melo, de 28 anos, o homem estava em um ônibus fretado pela própria empresa, a qual não possui nem o CNPJ e nem o nome completo do proprietário. O único nome que a família tem é de “Heleno”, que seria o responsável.
Os familiares tentaram contato com a empresa, que respondeu somente que sim, ele tinha desaparecido, e não deu mais detalhes.
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Vitor Ferreira de Melo, de 25 anos, saiu de Juazeiro do Norte (CE) com destino à Alfredo Wagner (SC) no dia 5 de dezembro. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDApenas Vitor desapareceu. Em um vídeo gravado pelas câmeras de segurança do posto na BR 262 (posto padroeste) mostra que após alguns minutos caminhando pelo estacionamento, saiu em direção a BR, e não foi mais visto.
O irmão garante que já foram feitas buscas na cidade, sem sucesso.
Questionada a Delegacia de Polícia Civil da cidade de Araxá, disse que recebeu as informações e está investigando o caso. Já em Santa Catarina, a Polícia Civil esclareceu que “para a família ele pode ter sumido, mas para ele pode ter sido o seu destino escolhido”. No entanto, reiterou que a investigação começa pela cidade que ele desapareceu e que não há nenhum registro no sistema com o nome de Vitor, ou registro de alguma empresa que ele tivesse trabalhando.
Procurado, o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina disse que desconhece o caso.
Questionado o irmão diz acreditar que o transporte era clandestino, e conta que periodicamente outros homens são buscados em Juazeiro do Norte e levados para trabalhar em lavouras catarinenses. Após algum tempo, os homens voltam.
Homem caminha para longe do transporte que o levaria para lavoura catarinense – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDQuando desapareceu, Vitor Ferreira de Melo usava uma camiseta xadrez, short preto e chinelo de dedo preto.
Família em prantos
Bruno Ferreira de Melo declara que sua família está vivendo momentos desesperadores.
“Nossa família está vivendo um pesadelo. Minha mãe chora todos os dias e não se conforma em não saber nenhum tipo de notícia sobre ele. Todos os dias chegam amigos e parentes perguntando se já temos alguma coisa, e a resposta é sempre a mesma, ‘nada’, e o desespero bate o coração da minha mãe todos os finais de tarde, quando mais um dia está chegando ao fim, e meu irmão não da sinal”, conta.
Segundo ele, a mãe pensou em viajar para a cidade de Araxá e procurar o filho, no entanto, a distância soma mais de 2 mil km.
O irmão finaliza dizendo que “é uma procura quase que impossível, precisamos de ajuda, por favor”.
Trabalho escravo em lavouras de Santa Catarina
Santa Catarina registrou em 2021 o maior número de denúncias envolvendo atividades análogas à escravidão nos últimos seis anos. Pelo menos três operações de resgate foram realizadas no estado no ano passado. O número cresceu 31% no ano passado.
Segundo a lei brasileira trabalho análogo à escravidão é aquele em que pessoas estão submetidas a trabalhos forçados, jornadas intensas que podem causar danos físicos, condições degradantes e restrição de locomoção em razão de dívida contraída com empregador ou preposto.
Confira os vídeos do desaparecimento:
O homem caminha entre os caminhões e logo em seguida desaparece – Vídeo: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Vídeo mostra momento que Vitor caminha para longe do seu transporte para chegar até uma lavoura em Santa Catarina – Vídeo: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND