Bruno Machado e Henrique Lara acusam policiais militares de Balneário Camboriú, Litoral Norte de Santa Catarina, de violência policial nesta quarta-feira (26), na avenida Atlântica. De acordo com os jovens, as agressões começaram sem motivo algum.
Os dois trabalham como eletricistas e haviam terminado um orçamento em um dos prédios no Centro, ao sair do imóvel, decidiram tomar um banho de mar, quando foram abordados pelos policiais.
Jovem é filmado ensanguentado em Balneário Camboriú – Foto: Reprodução/Internet“Quando os policiais nos abordaram já foi de forma bem agressiva, com xingamentos. O Henrique foi perguntar uma coisa já levou um tapa na cara, eu já fui chutado, tentaram me derrubar, levei soco na cara, capacetada e por fim jogaram spray de pimenta na nossa cara e foram embora”, conta Bruno em vídeo exclusivo da NDTV Record Itajaí.
Seguir“Somos conhecidos na sociedade de Balneário Camboriú, trabalhadores, saindo de um trabalho e estamos indo atrás disso pra que não aconteça com pessoas como nós. O Bruno ficou muito machucado, vai fazer uma cirurgia no nariz, nós estávamos trabalhando e fomos agredidos enquanto estávamos em posição de abordagem como nos foi pedido e quando a gente colocou a mão na cabeça o Bruno já começou a ser espancado literalmente”, completou Henrique.
Jovens agredidos pela Polícia Militar em Balneário Camboriú contam que foram abordados sem motivo aparente – Vídeo: NDTV Record Itajaí/ND
Logo após a abordagem, com o Bruno machucado, Henrique gravou imagens do amigo ensanguentado que foi atendido pela equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), a Guarda Municipal também foi acionada para prestar apoio aos dois.
Assista:
Jovens contam que agressões começaram “sem motivo” – Vídeo: Reprodução/Internet
O que diz a Polícia Militar
Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que vai instaurar um inquérito para apurar se houve irregularidades na abordagem dos policiais. Os policiais afirmam que os dois resistiram à abordagem e em seguida fugiram.
“Segundo informações dos policiais militares, os dois homens teriam resistido ativamente a uma abordagem realizada, tendo sido necessário realizar o uso progressivo da força na ocorrência, com a contenção ativa dos agentes, os quais teriam conseguido fugir não sendo qualificados”, traz a nota.
Apesar da resistência, os policiais não registraram boletim de ocorrência e não informaram o motivo da abordagem, enquanto os jovens são atendidos pelo Samu, ainda na avenida Central, não é possível ver a guarnição da Polícia Militar.
Confira a nota na íntegra
Nesta quarta-feira, 26, chegou ao conhecimento do Comando do 12º BPM, denúncia de que uma Guarnição da Polícia Militar teria supostamente agido de forma excessiva na abordagem de dois homens na Av. Atlântica, em Balneário Camboriú.
Segundo informações dos Policiais Militares, dois homens teriam resistido ativamente a uma abordagem realizada, tendo sido necessário realizar o uso progressivo da força na ocorrência, com a contenção ativa dos agentes, os quais teriam conseguido fugir não sendo qualificados.
Considerando a denúncia dos cidadãos e as versões apresentadas pelos Policiais Militares, o Comandante do 12º BPM, Ten Cel Daniel Nunes da Silva informa que será instaurado o devido IPM (Inquérito Policial Militar), como dever de ofício, sendo que após a sua finalização, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público para análise dos fatos.
Salientamos que o 12° BPM, como Unidade transparente, é o maior interessado em esclarecer a verdade real dentro dos ordenamentos jurídicos.
O Tenente Coronel do 12° Batalhão de Polícia Militar, Daniel Nunes, afirmou que a polícia segue apurando as dúvidas que pairam sobre a abordagem.
“Como Comandante do 12° BPM informo que sou o maior interessado em encontrar todas as respostas, tenho convicção que o Inquérito Policial Militar será o instrumento perfeito para alcançarmos o nosso anseio”, destacou o Tenente por meio de nota.
“Os motivos da abordagem, a forma de ação, o uso da força, as versões, a saída do local dos fatos pelas guarnições, as provas testemunhais e materiais serão juntadas aos autos do IPM, o qual será remetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, não ficando apenas no âmbito do 12° BPM”, finalizou o Tenente.