Motoristas irregulares têm atraído passageiros oferecendo serviços de transporte nas dependências do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis. Uma nova denúncia veio à tona após o ND+ publicar reportagens sobre a presença de um falso motorista de aplicativo no local.
Motoristas irregulares abordam passageiros no Aeroporto Internacional Hercílio Luz – Foto: Reprodução/NDUm vídeo gravado nesta quarta-feira (9) e obtido com exclusividade pelo portal do Grupo ND mostra como funciona o transporte clandestino no aeroporto. Segundo a fonte que enviou o material, a fiscalização feita pela Polícia Militar foi intensificada.
A fonte, que atua como taxista, disse que não há controle na saída do estacionamento do aeroporto. Há formação de filas de motoristas que agem como se fizessem parte de empresas de transporte privado, mas que na realidade atuam “por fora”.
Seguir“Escrevem ‘Uber’ no carro para que as pessoas pensem que funciona desta forma e para procurarem por eles. Ficam por horas e saem sem pagar furando as cancelas grudados no carro da frente, causando aglomeração no local de embarque e desembarque”, explicou.
Como funciona o transporte clandestino
O autor da gravação narra que o transporte clandestino no aeroporto funciona da seguinte maneira: os supostos motoristas de aplicativo ficam posicionados na área de embarque e desembarque do aeroporto aguardando para “angariar passageiros”.
Esse é o momento em que eles abordam as pessoas e oferecem os serviços irregulares.
“Fazem fila. Ficam mais de 10 minutos parados aqui dentro. Furam a cancela. Ficam com o luminoso todo aceso, fazendo o transporte ilegal de passageiros. O pessoal abordando e assim que funciona. Ninguém faz nada”, lamentou.
Veja o vídeo:
Motoristas irregulares abordam passageiros no Aeroporto Internacional Hercílio Luz – Vídeo: Arquivo pessoal/Divulgação/ND
Polícia apura denúncia
O tenente da Polícia Militar, Diogo Arantes, que atua no Sul da Ilha de Santa Catarina, informou que a corporação recebeu a denúncia e que o caso está sendo apurado pela Delegacia de Polícia Civil do aeroporto.
Segundo ele, o policiamento ostensivo foi intensificado no Boulevard 14/32, que fica em frente à entrada do aeroporto. O intuito é coibir a prática irregular.
Como noticiado pelo ND+, esta semana houve a prisão de um falso motorista de aplicativo acusado de extorquir e bater em passageiros. As investigações estão em andamento.
O policial militar acrescentou que existem outros suspeitos de envolvimento no transporte irregular, mas que detalhes não serão repassados para não atrapalhar as investigações.
Aeroporto diz que coopera com órgãos de segurança
Questionada pela reportagem nesta sexta-feira (11), a administradora do Floripa Airport, Zurich Airport Brasil, se posicionou, por meio de nota, afirmando que o procedimento do aeroporto é trabalhar em conjunto com os órgãos de segurança.
Disse ainda que presta suporte no que for necessário para reprimir o transporte irregular no aeroporto acionando as forças de segurança, em caso de necessidade.
A Zurich ressalta que a operação realizada na última terça-feira (8) é fruto dessa parceria de inteligência. Reitera que a administradora do aeroporto não tem poder de polícia.
“O aeroporto dispõe de delegacias da Polícia Federal, Polícia Civil e posto da Polícia Militar. Reforçamos para que os passageiros não utilizem transporte irregular e que registrem boletim de ocorrência em caso de abordagens de motoristas do transporte irregular”, conclui a nota.
O que diz a Uber
A empresa de transporte privado Uber se posicionou, por meio de nota, e disse que as viagens pela plataforma devem ser, necessariamente, solicitadas via aplicativo.
Segundo a empresa, qualquer viagem fora desse padrão não se enquadra no transporte Uber e, portanto, não dispõe dos processos de segurança oferecidos pela plataforma, nem é coberto pelo seguro de acidentes pessoais durante as viagens.
A Uber ressalta ainda que a oferta de viagens fora da plataforma configura uma violação aos Termos e Condições de adesão ao aplicativo. A empresa afirmou que possui equipes e tecnologias próprias que constantemente analisam viagens suspeitas para identificar violações aos Termos e Condições e, caso comprovadas, banir os envolvidos.
“Vale lembrar também que todos os motoristas parceiros da Uber passam por uma verificação de antecedentes criminais antes de ter acesso à plataforma, que inclui a checagem em bases de dados públicos de todo o Brasil”, completou.