VÍDEO: Operação internacional desmantela rede de prostituição que explorava latinas na França

As vítimas tinham entre 20 e 40 anos e eram forçadas a fazerem até 10 programas por dia

Alexandre HIELARD e Toni CERDÀ, AFP França

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Doze pessoas foram detidas esta semana em França, Espanha e Colômbia em uma operação transatlântica inédita para desmantelar uma rede de prostituição que explorava sexualmente pelo menos 50 mulheres latino-americanas em cidades francesas.

A rede de prostituição era comandada por um colombiano e uma venezuelana, que recrutavam as vítimas – Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília/Divulgação/NDA rede de prostituição era comandada por um colombiano e uma venezuelana, que recrutavam as vítimas – Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília/Divulgação/ND

As vítimas, com idades entre 20 e 40 anos, eram “principalmente colombianas e venezuelanas, mas também peruanas e paraguaias”, disse nesta sexta-feira (2) à AFP a delegada Elvire Arrighi, diretora do OCRTEH (Escritório Central de Repressão ao Tráfico de Pessoas).

“[As mulheres] eram exploradas de forma absolutamente industrial na França”, com até 10 serviços por dia, o que permitiu à rede faturar até 30 milhões de euros (31,3 milhões de dólares) por ano, destacou Arrighi.

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A rede, cuja organização era piramidal, era comandada a partir da Colômbia por um casal formado por um colombiano e uma venezuelana, que recrutavam as vítimas com falsas promessas de um futuro melhor na Europa e cobravam sobre os ganhos.

A operação resultou na prisão do casal na Colômbia; de mais seis pessoas – quatro homens e duas mulheres – na Espanha; e dois homens e duas mulheres na França, segundo a fonte policial, que confirmou informações da rádio France Inter e do jornal Le Parisien.

Criminosos faturavam até US$ 31 milhões por ano com prostituição de mulheres latino-americanas – Vídeo: POLICIA NACIONAL/POLICIA NACIONAL DE COLOMBIA/POLICE NATIONALE FRANCAISE/AFP/ND

Os detidos na França, na cidade de Saint-Louis (nordeste), são de nacionalidade espanhola e colombiana, indicou o jornal, especificando que a operação ocorreu simultaneamente às seis da manhã de terça-feira na França e na Espanha, e à meia-noite na Colômbia.

Dos detidos na terça em Saint-Louis, dois homens e uma mulher foram denunciados e presos nesta sexta-feira em Paris, informou uma fonte judicial.

Os três suspeitos foram denunciados por proxenetismo com agravante, tráfico de seres humanos e crime organizado, lavagem de dinheiro com agravante e associação criminosa, acrescentou a fonte.

– Vítimas “completamente isoladas” –

O caso começou há dois anos, após uma denúncia apresentada por duas mulheres em Bordeaux (sudoeste), segundo a France Inter. Em setembro de 2021, a Justiça francesa abriu uma investigação por proxenetismo, tráfico de pessoas com agravante, lavagem de dinheiro em crime organizado e associação criminosa, disse uma fonte judicial à AFP.

Os investigadores perceberam que a rede tinha abrangência internacional e a justiça entrou em contato com a Colômbia e a Espanha, além da agência europeia de cooperação policial Europol, para continuar com as investigações e identificar as vítimas.

A rede forçava as mulheres a se prostituirem em toda a França: da costa atlântica oeste (Roche-sur-Yon, La Rochelle, Mérignac) ao leste de Saint-Louis ou Annemasse, passando por Roubaix no norte ou Plaisir e Bussy-Saint-Georges no região de Paris, segundo o Le Parisien.

As mulheres estavam “completamente isoladas porque não falavam francês” e eram constantemente deslocadas, razão pela qual “não ficavam mais de uma semana na mesma cidade”, segundo Arrighi, especificando que elas “não tinham nenhum controle sobre seus horários”.

“A rede tinha um ‘call center’ na Espanha que funcionava como intermediário entre clientes que ligavam da França” para números de anúncios online criados no país vizinho e as vítimas, informou a Polícia Nacional espanhola em nota.

Esses call centers estavam localizados em Madri e na região de Málaga, acrescentou a polícia, especificando que foram realizadas 25 buscas domiciliares no total. Nas três realizadas na Espanha, foram apreendidos 17.000 euros (17.700 dólares) e 33 celulares.

Segundo o jornal Le Parisien, a rede instalou detectores de presença e câmeras para gravar os clientes quando pagavam pelo serviço. Além disso, a comissária francesa explicou que as mulheres “tinham que prestar contas por mensagem após cada serviço”.

Para que as vítimas se dedicassem “totalmente” aos clientes, outros integrantes da rede cuidavam de sua alimentação, transporte e segurança, explicou Elvire Arrighi.

– “Caso histórico” –

Os investigadores consideram que a rede arrecadou pelo menos cinco milhões de euros (5,3 milhões de dólares) por ano com a exploração sexual das vítimas, embora as estimativas possam chegar de “20 a 30 milhões de euros” (20,8 a 31,3 milhões de dólares).

Os membros da rede e as mulheres dividiam igualmente o dinheiro dos serviços, que estas últimas usavam principalmente para reembolsar as despesas da viagem à Europa e depois enviavam remessas para suas famílias.

Para Elvire Arrighi, que coordenou a operação, as mulheres estavam “sob a influência” desta rede, “porque nunca conseguiriam aquele dinheiro, até 250 euros por dia”, permanecendo em seus países de origem.

Os arrecadadores da rede na França se encarregavam de enviar o dinheiro em espécie para a Espanha, onde era lavado, antes de ser transferido para a Colômbia, onde os dois chefes da rede usufruíam dele.

“Este caso é histórico, digno de manual, tanto pelo funcionamento e dimensão da rede como pela qualidade da cooperação internacional”, disse a comandante do OCRTEH.

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