A formal acusação de quatro suspeitos pelo atentado terrorista em uma casa de shows nos arredores de Moscou nesta sexta-feira (22) trouxe à tona novamente o debate sobre a possibilidade de aplicação da pena de morte no país.
Foto mostra acusados juntos – Foto: Reprodução/DailyMail/NDSegundo o portal inglês Daily Mail, os suspeitos, apresentados no neste domingo (24) a um tribunal da capital russa com evidências de tortura, geraram discussões dentro dos círculos políticos próximos ao Kremlin.
O momento delicado ocorre enquanto a Rússia ainda lamenta a perda de pelo menos 137 vidas. A situação preocupa também os setores da oposição, que temem que a adoção da pena de morte possa ser usada como ferramenta contra movimentos de contestação pacíficos.
SeguirAté o momento, o Kremlin optou por não participar da discussão.
Os prisioneiros do ataque em Moscou
“Constantemente me perguntam: o que fazer? Eles foram capturados. Parabéns a todos os envolvidos na captura”, escreveu Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país, em uma mensagem no Telegram nesta segunda-feira.
Shamsidin Fariduni, suspeito do ataque a tiros na sala de concertos Crocus City Hall, estava com o rosto gravemente inchado – Foto: Reprodução/DailyMail/ND“Deveriam ser mortos? Sem dúvida. E assim será. Mas é crucial eliminar todos os envolvidos. Todos. Quem financiou, quem apoiou, quem ajudou. Eliminem todos”, continuou Medvedev.
Local onde prisioneiros são mantidos – Foto: Reprodução/DailyMail/ND
Foto mostra acusados juntos – Foto: Reprodução/DailyMail/NDO suposto atirador do Estado Islâmico, Saidakrami Murodali Rajabalizoda, foi detido por uma equipe de segurança, que em imagens de vídeo pareceu cortar parte de sua orelha – e depois forçá-lo a comê-la.
“Mastigue, idiota! Vou cortá-lo e enfiá-lo na sua boca”, ouve-se um homem gritando. Momentos depois, o suspeito foi visto com sangue escorrendo pela lateral da cabeça enquanto um pedaço de pele caía de sua boca.
Inicialmente, o Kremlin opta por se abster do debate. Em uma declaração citada pelo jornal britânico The Guardian, o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que “não iria participar da discussão”.
Muhammadsobir Fayzov sentado em uma gaiola de vidro no Tribunal Distrital de Basmanny, em Moscou – Foto: Reprodução/DailyMail/NDPutin promete retaliação após ataque em Moscou
Após o ataque em Moscou, em um discurso no sábado (23), Putin prometeu punição e retaliação, sem especificar o destino dos terroristas, mas sugeriu que seria “nada invejável” e que eles “não têm futuro”.
Diante do clamor por uma punição severa aos responsáveis pelo atentado – o pior ocorrido em solo russo em mais de uma década, que resultou na morte de 137 pessoas -, vozes da oposição expressaram preocupação com a possibilidade de um endurecimento ainda maior do regime liderado pelo ex-agente da KGB.
França eleva nível de alerta
Já a França elevou o nível de alerta para atentados após o ataque em Moscou. O premier francês Gabriel Attal fez o anúncio no X, antigo Twitter, sobre a medida.
“Diante da reivindicação do atentado pelo grupo Estado Islâmico e das ameaças que pesam sobre o nosso país, decidimos elevá-lo para o nível máximo”, publicou Attal na rede social X, após uma reunião do conselho de defesa.
À la suite de l’attentat de Moscou, un Conseil de Défense et de Sécurité nationale a été réuni ce soir à l’Elysée par le Président de la République.
Compte tenu de la revendication de l’attentat par l’état islamique et des menaces qui pèsent sur notre pays, nous avons décidé de…
— Gabriel Attal (@GabrielAttal) March 24, 2024
Em janeiro, o nível de alerta no país estava na categoria dois.
Na prática, os níveis de alerta contra o terrorismo são um sistema utilizado por muitos países para informar o público sobre a probabilidade de um ataque terrorista ocorrer e para orientar as medidas de segurança apropriadas.
Embora os detalhes exatos possam variar de um país para outro, geralmente esses sistemas consistem em diferentes níveis que refletem o nível de ameaça atual.
*Mais imagens não foram utilizadas na matéria por mostrarem cenas explícitas de terror.