Vítima da explosão em Jurerê era diarista e estava feliz na casa nova

Helenita Pereira da Silva morreu na terça-feira (25) na sua quitinete que explodiu; Ela reuniu familiares em um churrasco no último final de semana

Nícolas Horácio Florianópolis

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Helenita Pereira da Silva tinha 57 anos e estava há 15 dias em sua casa nova em Jurerê, no Norte da Ilha. Um vizinho descreveu a felicidade dela com a vida nova e contou que Helenita reuniu os familiares para um churrasco no final de semana.

A foto de perfil de Helenita Silva, vítima fatal da explosão por vazamento de gás em um imóvel residencial de Jurerê, Norte da Ilha – Foto: Reprodução/NDA foto de perfil de Helenita Silva, vítima fatal da explosão por vazamento de gás em um imóvel residencial de Jurerê, Norte da Ilha – Foto: Reprodução/ND

Foi a última celebração em família, pois na manhã de terça-feira (25), a nova casa de Helenita explodiu. A perícia ainda vai confirmar, mas a suspeita dos bombeiros é que houve um vazamento de gás.

Alguns moradores do Residencial Jurerê escaparam por minutos, outros correram risco a metros da explosão. Única moradora presente no bloco que colapsou, Helenita foi a vítima fatal da tragédia, que ocorreu por volta das 8h30. O corpo dela foi encontrado às 22h30, após exaustivas 12 horas de buscas.

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Mensagem antes da explosão

Amiga de Helenita há cerca de cinco anos, a aposentada Carolina de Almeida, 69 anos, recebeu mensagem da amiga às 8h18, pouco antes da explosão. Era uma arte com o texto: “Como é bom acordar e ter amigos especiais para desejar um BOM DIA”.

Carolina respondeu às 9h40, com “bom dia” e desejando “saúde e paz”, mas Helenita não recebeu, nem viu a mensagem. “Fui em uma outra amiga, que me disse estar triste, porque a Helenita morreu”, conta Carolina.

Natural de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, perto da divisa com Santa Catarina, Helenita vivia há pelo menos cinco anos em Florianópolis. Antes de se mudar para Jurerê, morava na Vargem Grande, também no Norte da Ilha, e trabalhava em Canasvieiras, na Lotérica Gadu.

O responsável pela loja, André, confirmou que Helenita foi sua colega cinco anos atrás e que não eram próximos. “Relação apenas profissional”.

Animada e faceira

Morando sozinha há pouco mais de duas semanas, Helenita recebia visitas constantes do namorado e dos parentes. Nos últimos dias de vida, trabalhava como diarista. Vizinho de Helenita, Alisson Natan Bastos, 25 anos, estava dormindo quando ouviu a explosão.

O corpo de Helenita foi encontrado às 22h30 e a remoção dos escombros por volta das 23h30 – Foto: Nícolas Horácio/NDO corpo de Helenita foi encontrado às 22h30 e a remoção dos escombros por volta das 23h30 – Foto: Nícolas Horácio/ND

Cabeleireiro, morava no prédio há três meses com um amigo. Provisoriamente em um hotel disponibilizado pela prefeitura, Alisson descreveu Helenita como uma pessoa muito simpática. “Sempre que eu passava indo para o trabalho ela me dava bom dia. Estava sempre bem animada”, conta o vizinho.

Leandro Fama também é cabeleireiro e estava se arrumando para o trabalho no momento da explosão. Ele foi quem descreveu a alegria de Helenita nos últimos dias. “Bem faceira, querida, prestativa. É um pecado. Estava tranquila, feliz, cuidando das plantas. Fez churrasco com a família no final de semana”, conta Leandro.

Deixa três filhas

Segundo Maria Fernanda Santiago, da Secretaria de Assistência Social de Florianópolis, Helenita tinha três filhas. Uma delas mora nos Ingleses, Norte da Ilha. Outra em Bombinhas, no Litoral, e uma terceira, grávida de nove meses, mora no Rio Grande do Sul e veio para Santa Catarina para se despedir da mãe.

O namorado e uma irmã, além das filhas que moram em Santa Catarina, aguardaram até o fim as buscas pelo corpo de Helenita. Desolados, não quiseram falar com nenhum repórter. O ex-marido também esteve no local da explosão durante o dia.

No seu último post em uma rede social, em 21 de abril, Helenita Silva publicou uma montagem. A imagem repete uma foto dela sorrindo em painéis de publicidade onde ela pode ser vista por todos que passam na rua. A legenda soa como epitáfio: Um sorriso no rosto.

Perícia tem prazo de 30 dias

Na quarta-feira (26), o Corpo de Bombeiros Militar iniciou a perícia que vai indicar a causa da explosão. O capitão Bruno Azevedo Lisboa, que liderou as buscas por Helenita, disse que o prazo legal da perícia é de 30 dias. A equipe, entretanto, vai tentar concluir antes, entre 10 a 15 dias.

“Tudo indica que a explosão realmente foi por gás, até porque era o único material que poderia causar esse tipo de explosão. Precisamos investigar o que, porque e como”, enfatizou o Capitão Bruno.

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