Vítima desabafa após soltura de médico condenado por estupro em SC: ‘tragédia sem tamanho’

Condenado a 12 anos de prisão em Joinville, o médico foi solto por decisão do STJ após recurso da defesa

Juliane Guerreiro Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

“Se eu tentasse juntar todas as palavras negativas do dicionário, elas não seriam suficientes para descrever o meu sentimento”. É assim que Bárbara Cercal, de 29 anos, se refere à sensação de saber que o médico Antonio Teobaldo Magalhães Andrade, condenado por estupro em Joinville, no Norte de Santa Catarina, ganhou liberdade.

Médico foi preso após ser indiciado por estupro em Joinville – Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoMédico foi preso após ser indiciado por estupro em Joinville – Foto: Polícia Civil/Divulgação

À época da prisão do médico, em outubro de 2021, Bárbara, ainda sem se identificar, contou sobre o abuso que sofreu dentro do consultório de uma unidade de saúde do bairro Iririú, na zona Leste da cidade, quando procurou o local com crises depressivas e de ansiedade.

A vítima afirma que o médico tirou a máscara dela e “fez tudo que quis”. “Eu infelizmente congelei. Eu gritava por dentro, ouvia meu grito, mas não conseguia falar. Ele parou a hora que quis, recolocou a minha máscara e sentou como se nada tivesse acontecido”, disse à época.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Bárbara contou ainda que foi ameaçada pelo médico, que também é ex-militar, após o abuso. “Ele pegou a minha ficha, todos os meus dados e disse que eu estava nas mãos dele e disse: daqui não sai”. Apesar disso, ela foi à delegacia no dia seguinte.

A Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) abriu inquérito para apurar o caso e prendeu o médico preventivamente. Em fevereiro de 2022, após denúncia do Ministério Público, Antonio Teobaldo foi condenado a mais de 12 anos de prisão em regime fechado.

Porém, seis meses depois, em agosto deste ano, o médico saiu da penitenciária de Joinville, após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) aceitar recurso da defesa para mantê-lo em liberdade até o julgamento do caso no tribunal.

Médico foi preso em outubro de 2021 – Foto: Internet/Divulgação NDMédico foi preso em outubro de 2021 – Foto: Internet/Divulgação ND

Impotência, medo e inconformismo

Bárbara conta que soube da soltura do médico por uma amiga e demorou a acreditar que fosse possível. “Voltei a ter todos os mesmos pensamentos de tirar a minha vida, de que nunca ia melhorar, esquecer. Quando aconteceu, eu lavei minha boca com água sanitária, coloquei detergente na minha boca. Eu ainda me sinto suja”, destaca.

Desde o estupro, ela não voltou a trabalhar e tem dificuldades em sair de casa. O medo, aliás, aumentou, e desde que soube da soltura, Bárbara não deixa a residência. “Estou sem conseguir trabalhar, sem coragem de sair de casa. Ele solto, com CRM. Parece que estou vivendo em um mundo paralelo”, desabafa.

Saber que o médico foi solto pela internet também é motivo de indignação. “Sou a última saber”, reclama. Para Bárbara, o sentimento mistura impotência e inconformismo. “É uma tragédia sem tamanho saber que ele está solto”.

Segundo a defesa do médico, o novo julgamento deve ocorrer entre o fim deste ano e o início de 2023. Até lá, ele segue em liberdade, mas proibido de exercer a medicina enquanto não houver nova definição.

O médico também foi indiciado por estupro contra uma adolescente de 14 anos na Bahia.

Tópicos relacionados