Os três homens que morreram nesta quarta-feira (15) no incêndio que atingiu a penitenciária de Florianópolis, na Agronômica, foram intoxicados pela fumaça, segundo informou o presidente da Comissão de Assuntos Prisionais da OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil), Wiliam Shinzato, que acompanha a situação.
De acordo com Shinzato, as chamas começaram em um colchão. As circunstâncias do incêndio ainda são investigadas.
Uma vítima é natural de Santa Catarina, e os outros dois homens são de outros Estados. São eles: Danilo Barros (de Salvador, na Bahia), Robson da Silva (de Ponte Serrada, no Oeste catarinense) e Gerbeson de Souza (do Ceará), segundo a SAP (Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa).
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Ala de adaptação foi atingida por incêndio no fim da manhã desta quarta-feira – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom/Divulgação/NDOs homens dividiam a cela 22, na ala de adaptação, um dos sete setores da penitenciária. Eles foram retirados inconscientes da cela e, em seguida, tiveram a morte confirmada pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Na ala de adaptação ficam presos que aguardam vaga em outras alas – presos recentes ou que aguardam realocação, detalha Shinzato. As chamas ficaram restritas à cela onde estavam as três vítimas.
Em toda a ala de adaptação há 46 presos vivendo. Todos foram retirados e levados para uma triagem, onde foi aferida a situação de saúde. Em princípio, nenhum sofreu abalo grave.
Conforme Shinzato, a ala não sofria por superlotação e não havia denúncias referentes à estrutura do setor, que fica localizado nos fundos da penitenciária de Florianópolis. Com os estragos provocados pelo incêndio, o setor foi interditado.
Incêndio começou no fim da manhã
Durante a tarde, preocupados com a situação, parentes dos detentos se aglomeraram em frente à unidade. “Como vou ficar calma? É o meu marido, o pai da minha filha e eu não sei se está vivo”, desabafou a esposa de um dos presos da penitenciária de Florianópolis.
Ela foi até a unidade após ser notificada do incêndio. A mulher, que preferiu não se identificar, recebeu uma ligação do setor de Assistência Social da penitenciaria, por volta das 11h30. Durante a conversa com ND+, ela não sabia se se o marido estava entre as vítimas.
Na área externa, aflitos pela falta de informação, familiares realizaram roda de oração e acionaram seus advogados particulares, a fim de tentar receber mais informações. A Pastoral Carcerária de Florianópolis, entidade da Igreja Católica, prestou apoio.
Outra mulher cujo marido está preso informou ao ND+ que foi notificada por uma uma amiga. A conhecida passou pelo local e avisou que tinham ambulâncias e uma movimentação estranha. “Estou me sentindo muito nervosa sem notícia nenhuma”, desabafou na ocasião.