A viúva do policial militar Luiz Fernando de Oliveira, que foi morto durante o atendimento a uma ocorrência em Florianópolis, compartilhou um relato comovente sobre o marido. A soldada Luana* afirma que conhecê-lo foi “a melhor coisa de sua vida”.
Luiz Fernando de Oliveira deixa esposa e filha – Foto: Divulgação/ND“Quantos planos e sonhos interrompidos tivemos… Só consigo pensar nisso e na falta que ele está fazendo. Daria tudo pra tê-lo aqui de volta, pois a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi conhecê-lo: o homem mais paciente, inteligente, com caráter e a coisa mais linda da minha vida, ele era meu vida”, escreveu Luana, em um texto compartilhado em grupos na internet.
A reportagem do ND+ entrou em contato com Luana, que confirmou a autoria e autorizou a publicação do texto. “Queria que todo mundo tivesse tido a oportunidade de tê-lo conhecido.”
Seguir“Podia ficar por horas falando o quão grata sou de ter tido esse homem na minha vida”, ressaltou, ainda muito abalada. A viúva do policial não consegue falar pelo telefone, apenas por mensagens de texto.
Ela diz que sua irmã e o irmão de Luiz Fernando a estão ajudando com os assuntos burocráticos deste momento.
Viúva estava na ocorrência
Luiz Fernando, de 35 anos, foi morto com um tiro na cabeça na noite da última sexta-feira (11), em um confronto com homens armados envolvidos com tráfico de drogas, no Norte da Ilha, entre os bairros Ingleses e Rio Vermelho, na Capital.
Luana também é policial militar e participou no atendimento da ocorrência. Ela diz que lembra de “sentir que meu coração parou de bater quando copiei no rádio que perderam contato com ele”.
A esposa afirma, por não querer acreditar no pior, que chegou a pensar ser uma espécie de “brincadeira”, pois a ocorrência estava “dominada”.
Sondado Luiz Fernando de Oliveira – Foto: Arquivo família“Porém, quando eu e meu canga [expressão usada no meio militar para companheiro], fomos à rua de trás e vimos o masculino com uma arma longa, a única coisa que desejei foi ir atrás do meu marido”, desabafou.
Agradecimentos aos policiais
Na carta, Luana segue agradecendo aos policiais que estavam na ocorrência e prestaram apoio após a morte.
“O objetivo desta mensagem é agradecer primeiramente ao meu canga, que fez tudo o que podia; agradecer também à viatura da ambiental que me levou até a UPA; meus amigos e parceiros da AI, todos os polícias que saíram de suas casas, de suas famílias, para ir às buscas ao homem que tirou a vida do meu marido sem saber também se voltariam”, diz em um trecho.
Ela também agradeceu pelas mensagens de suporte e carinho, além de refletir sobre o momento difícil.
“A dor que estou sentindo não desejo a ninguém, meu coração está destroçado, sei que o tempo é o único que acalmará esse sofrimento e que meu vida, lá de cima, me enviará forças para seguir em frente.”, complementa.
A Polícia Militar divulgou uma nota de pesar, na qual informa que Luiz Fernando ingressou na corporação em 2013.
“Em seus nove anos de serviço Policial Militar, o soldado Luiz Fernando deixa um legado por ter sido um profissional dedicado, sempre compromissado com a ordem pública e segurança da sociedade catarinense”, diz o texto. Luiz Fernando também deixou uma filha.
Morte do suspeito
Horas após o homicídio, o suspeito de matar Luiz Fernando com uma “rajada de fuzil” foi morto em um confronto com a Polícia Militar. A informação foi confirmada na manhã do último sábado (12), pelo coronel Araújo Gomes.
O homem foi identificado como Walan David Eduarte de Melo, de 27 anos, natural de Telêmaco Borba, no Paraná. Ele estava em liberdade provisória e, segundo a PM, pertencia a uma facção criminosa ligada ao tráfico de drogas.
Suspeito foi morto na manhã deste sábado (12) – Foto: PM/DivulgaçãoLuana diz que não desejava sua morte, mas que ele fosse encontrado para não ferir mais pessoas, além de a arma ser recuperada. “Confesso que quando recebi a notícia fiquei em paz — mesmo sabendo que isso não trará meu marido de volta —, pois sei que uma pessoa dessas não pararia de fazer o mal”, desabafou.
Ela diz ainda que ao longo de oito anos na corporação participaram de diversas homenagens a policiais mortos em serviço, mas nunca imaginaria que receberia as mesmas homenagens.
“Peço a todos que rezem por ele, para que ele consiga fazer essa passagem e que, onde ele estiver, siga em paz. Obrigada família PMSC e toda a força de segurança que deu esse apoio nesse momento difícil”, finaliza o texto.
*A reportagem usou um nome fictício a pedido da entrevistada