“Vocês têm que me matar”, pedia sequestrador a policiais durante as negociações em SC

Sequestrador foi identificado como Cristiano Amaral Júnior de 28 anos, ele era natural do Rio Grande do Sul; após liberar última refém, ele supostamente atacou os policiais

Lucas Colombo Criciúma

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Foram quase 10 horas de negociação de Cristiano Amaral Júnior de 28 anos que fez uma família refém e foi morto nesta segunda-feira (5) em Balneário Gaivota, no Sul de Santa Catarina. Durante as conversas com os policiais, ele não fazia nenhuma exigência.

“Essa foi uma das situações mais complicadas para equipe de negociação. Ele não fazia exigência nenhuma, ele só falava que queria a invasão. Ele falava ‘invasão, invasão, vocês tem que me matar’. Então foi uma situação que exigiu bastante capacidade de negociação dos nosso especialistas para conseguir soltar os reféns”, falou o capitão do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), Fortes em entrevista ao vivo ao repórter Juno César da NDTV Criciúma.

De acordo com informações das forças de segurança da Polícia Civil e da Polícia Militar, o homem de 28 anos teria atacado os policiais, após liberar a última refém, uma mulher de 36 anos.

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“Durante os trabalhos de negociação no final da tarde foi possível a liberação da última vitima e nesse momento começou o trabalho de rendição do investigado. Os policiais fizeram o uso de armas não letais como algumas granadas de efeito moral, som e luz, mas mesmo assim ele investiu com a faca contra os agentes públicos, aí os policiais acabaram por desferir disparos de arma de fogo os quais o atingiram e ele acabou indo a óbito”, explicou o delegado responsável pelo caso, Luiz Otavio Pohlmann.

Policiais isolaram a área durante as negociações com o homem em Balneário Gaivota – Foto: Juno César/NDTVPoliciais isolaram a área durante as negociações com o homem em Balneário Gaivota – Foto: Juno César/NDTV

Motivação seria dispensa

Logo no início da manhã, por volta das 8h, o homem de 28 anos chegou na residência de um empresário do ramo da construção. Ao ver que o empresário não estava em casa ele invadiu a casa e fez a mulher do homem e os filhos de 16 anos, 12 anos e um menino de quatro anos refém.

“Ele entrou na casa hoje pelo fato da dispensa. Ele era prestador de serviço para o construtor. Durante a investigação deu para perceber que ele já tentou suicídio outras vezes. Depois ele não fez exigência alguma, o que leva a crer que ele propositalmente, no final, investiu contra os policiais. Já prevendo que seria alvejado”, conta o delegado.

Agora a Polícia Civil irá abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido. “ A Polícia Civil irá instaurar um inquérito policial onde iremos apurar as circunstâncias de todo o ocorrido. A princípio trabalha-se com a hipótese de que ele foi alvejado em legítima defesa. Está bem evidente essa situação”, ressalta Pohlmann.

Despedida à jornalista

Durante o dia, uma das exigências do homem de 28 anos foi conversar com um dos jornalistas que estava no local cobrindo a ocorrência. Então, a pedido dos policiais, a repórter karin Mariana do Portal Agora Sul, de Araranguá, atendeu uma ligação do sequestrador que falou em tom de despedida.

“Era simplesmente para dizer que pede desculpa e que ama a família dele. Ele não esboçou nada. Só disse que pede desculpa e que a decisão dele estava tomada”, contou a jornalista ao vivo ao repórter Juno César da NDTV Criciúma.

Sequestrador identificado

Cristiano Amaral Júnior, de 28 anos, é natural do Rio Grande do Sul. De acordo com as forças de segurança, ele poderia estar drogado na hora que invadiu a casa e fez a família refém. Ele prestou serviços para o empresário na área da construção civil e foi dispensado devido às faltas.
Durante as negociações ele teria pedido drogas aos policiais. Cristiano já possuía passagens e havia sido preso em outras oportunidades.

“Ele realizou a conduta de tomador de refém. Após ele libertar esses reféns ele partiu para uma situação que chamamos de ‘Suicide by cop’. Ele não queria se entregar. Ele já tinha convicção dele de que o desfecho da ocorrência seria com a morte dele. Ele era uma pessoa emocionalmente abalada, o quadro psiquiátrico dele estava abalado”, explicou o capitão do BOPE.

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