O seriado norte-americano “The Flight Attendant”, que já está em sua segunda temporada, é uma das últimas produções de sucesso da plataforma de streaming HBO Max. Tanto prestígio, acompanhado por milhões de assinantes, tem nome: Kaley Cuoco.
Atriz tem 36 anos e é conhecida por ter estrelado, durante 12 temporadas, a personagem de “Penny”, em The Big Bang Theory – Foto: Internet/Reprodução/NDA atriz, que já era conhecida por suas performances no gênero da comédia, entrega uma nova performance, ainda não vista pelo público que a acompanha, à personagem de Cassie Bowden, uma aeromoça alcóolica que se torna o fio condutor de toda a narrativa da série.
A impressão que tive ao começar a assistir “The Flight Attendant” foi de que Kaley iria simplesmente entregar seus trejeitos banais e sua voz despreocupada à Cassie, que logo no primeiro episódio acorda ao lado de um amante assassinado, em outro país, fora de sua proteção legal.
SeguirEntretanto, conforme a história avança, podemos ver na tela uma Cuoco muito mais improvisada – talvez pelos anos de gravações com plateias ao vivo que “The Big Bang Theory” tenha lhe proporcionado – e caótica do que esperávamos. E isso é brilhante.
Mesclando cenas irônicas com passagens inebriadas pelo álcool, a trama confusa, e por vezes perdida, dentro da própria imaginação de Cassie tem um ar de “quero mais”, pois é difícil se desconcentrar e até mesmo tirar os olhos da tela, ao passo que todo o mistério começa a ser revelado.
Espontaneidade x tecnicidade
Em um vídeo promocional da segunda temporada, Cassie e Silver Tree, produtoras da série, comentam que toda a espontaneidade que Cuoco pôde apresentar no primeiro ano do show precisou ser substituída por intensivas horas de falas e ações técnicas milimetricamente planejadas para que o público pudesse ter, em casa, uma diferenciação entre narrativas, de forma sutil e não forçada entre as temporadas.
Do assassinato à sobriedade: um nó perfeito
Fechando a primeira temporada com a decisão de ficar sóbria, Cassie, que bebe desde sua adolescência por conta de um pai sem escrúpulos, abre o segundo ano do seriado morando em uma nova cidade ao lado de um namorado fixo, e em uma casa relativamente menos caótica.
Para dar essa nova guinada à história, até mesmo as cores dos episódios foram modificadas. O que antes era escuro e sombrio, agora passa a ser vibrante e brilhoso, entregando ao telespectador a tranquilidade que eles esperavam de Bowden após todos os acontecimentos.
E de início, realmente parece que vamos acompanhar a pacata vida de uma ex-viciada em vodca. Mas é claro que isso não acontece, e somos presenteados com uma nova versão de “Orphan Black”, só que sem toda aquela história de irmãs gêmeas geneticamente planejadas.
Cassie, no segundo ano da série, passa a interpretar ela mesma em diferentes corpos, atuando como vozes de sua própria consciência – Foto: Internet/Reprodução/NDCom o passar dos episódios, Kaley nos entrega uma de suas maestrias em carreira: interpretar ao mesmo tempo diferentes versões de sua personagem, um famoso recurso que geralmente agrega às narrativas, mas que ainda é pouco utilizado no mundo cinematográfico.
Ainda trabalhando como aeromoça, mas misturando seu tempo com atividades secretas para o governo dos Estados Unidos, Cassie adiciona ainda mais profundidade a sua personagem, mantendo a salvo (por pouco tempo) segredos que poderiam e passam a influenciar toda a sua trajetória – Foto: Internet/Reprodução/NDEm meio a alguns déjà-vu, é possível perceber como, de fato, cada Cassie possui um comportamento diferente, que vão muito além da caracterização.
Exemplo disso são os seus trejeitos e a maneira como a atriz difere a nuance de sua fala, afinal, a Bowden alcóolica pronuncia as palavras de maneira bem mais lenta e enrolada do que a Bowden sóbria.
Apesar de enfrentar novos desafios, a atriz consegue, de maneira excelente, fazer com que o foco da série seja totalmente seu. É amarrando em um nó perfeito o presente e o passado de Cassie que o roteiro do seriado torna-se digno de uma maratona (e quem sabe de um Emmy?).