Quem é Karen Jonz, comentarista de skate que está bombando nas Olimpíadas

Skatista tetracampeã mundial tem roubado a cena durante as transmissões do skate na televisão

Redação ND Florianópolis

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O skate tem chamado a atenção dos espectadores da Olimpíada de Tóquio. Não apenas pela performance dos atletas brasileiros no esporte, com a conquista de duas medalhas de prata, mas também pela transmissão.

Tetracampeã mundial no skate Karen Jonz tem chamado a atenção como comentarista – Foto: Reprodução/Redes Sociais/NDTetracampeã mundial no skate Karen Jonz tem chamado a atenção como comentarista – Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND

A tetracampeã mundial de skate Karen Jonz faz sucesso comentando o esporte no canal SportTV. Nas redes sociais, a espontaneidade da atleta foi muito elogiada e internautas pedem medalha de ouro para ela como comentarista.

Ao ser apresentada pelo narrador Sérgio Arenillas, Karen divertiu as redes sociais. “Obrigada. Estou adorando, está sendo muito divertido. Você fala diferente quando não tá filmando e quando tá filmando, fala mais impostado. Mas, é muito bom os dois”.

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Assista ao vídeo a seguir:

Depois disso, a internet não perdoou e começou a repercutir a fala espontânea da campeã. Além disso, Karen já estava no radar dos espectadores por alguns outros comentários, que fizeram bastante gente se identificar com ela.

A atleta aproveitou para fazer algumas observações sobre questões de gênero. Quando o comentarista Sergio Arenillas disse “muito se fala em atletas mulheres, na maternidade no esporte, mas pouco também se fala sobre paternidade” ao comentar sobre o skatista Shane O’Neill que é pai e representa a Austrália na olimpíada, Karen prontamente respondeu “é que provavelmente eles deixam o filho com a mãe e vão andar e aí não tem o que falar mesmo”.

Karen também protagonizou um momento de descontração quando foi pega despreparada para comentar um acontecimento e pediu desculpas em tom de brincadeira “estava tirando uma selfie”, disse Karen, que compartilhou a foto em sua conta no Twitter.

A atleta expressou sua felicidade por estar comentando a transmissão do esporte. “É uma honra pra mim estar aqui na estréia do skate. Um pouco atrapalhada, mas com mto amor e trazendo informação para q vcs entendam tudinho!”, escreveu. Ela também afirmou, “Skate sempre foi legal, vocês que só descobriram ontem”.

“Xerecou”

Karen Jonz também roubou a cena ao usar um termo “inusitado” durante a transmissão da competição de Skate Street Feminino no SporTV. Após a queda de uma atleta durante a fase classificatória, a comentarista afirmou que a skatista “xerecou”.

“Xerecou no campeonato. Olha é ruim para os homens cair deste jeito. Mas, tenho que informar para vocês que para as mulheres também é”, disse ela quando a australiana Hayley Wilson errou a manobra e se desequilibrou do corrimão. A fala logo chamou a atenção dos telespectadores que foram às redes sociais, fazendo Karen viralizar.

O termo “diferente” se refere ao impacto da queda da atleta, que caiu de pernas abertas no corrimão.

Com seu estilo “sincerona” e despojada, ela não pensou duas vezes antes de falar sobre o “atendimento médico” quando uma das skatistas se machucou: “O atendimento médico é uma água que a tia tava bebendo e tá jogando e metendo o dedão no machucado”.

A comentarista também fez menção a importância da representatividade nas competições de skate nos Jogos Olímpicos quando destacou a filipina Margie Didal por ser a única mulher oriental negra nas classificatórias, e falou sobre os diferentes corpos das atletas, afirmando que ser gorda ou magra não atrapalha na performance das skatistas.

Apesar dos tropeços, Karen também se propôs a usar pronomes adequados para falar de Alana Smith, skatista estadunidense que se declarou pessoa não-binária.

Tetracampeã, mãe, inspiração

Karen Jonz se consagrou um dos nomes mais importantes do skate brasileiro. Antes de conquistar o X Games e se tornar tetracampeã mundial de skate, a santista de 37 anos precisou abrir caminho no skate feminino nacional.

Esportista desde criança, ela praticava vôlei e surfe até que, aos 17 anos, descobriu a conexão com o skate vertical.

Mesmo com pouca ou nenhuma menina por perto, ela não desistiu. Competiu com homens pela falta de categoria feminina, participou de eventos no Brasil, Estados Unidos e Europa até ser a primeira mulher a se profissionalizar no país. De 2006 para cá, foram mais de dez prêmios.

Casada com o vocalista da banda Fresno, Lucas Silveira, Karen se tornou mãe em 2015 e segue sendo uma das principais skatistas e uma inspiração constante para as gerações que vieram depois.

“Sou muito ativista do skate feminino, gosto de incentivar as pessoas, seja convidando para andar ou auxiliando com materiais. Ver essas meninas concretizando sonhos e o quanto o skate se transformou e transforma a vida delas me deixa feliz”, disse em entrevista à revista Glamour.

A skatista também é ícone de estilo e coleciona mais de 560 mil seguidores no Instagram. Em uma postagem na rede social, Jonz conta que a medalhista de prata na modalidade skate street, Rayssa Leal, é uma inspiração para a filha, a pequena Sky, que também arrisca no esporte.

Hoje, Karen tem um trabalho focado em mulheres mais velhas, com uma escola de skate.

“Ter a Sky me fez priorizar as coisas. Antes de engravidar já estava querendo fazer mudanças. Eu focava só no nível, nas conquistas, senti que precisava prestar atenção em mim e na minha imagem, e resgatar os motivos que me faziam bem em andar de skate”, conta.

O que refletiu também na importante decisão, tomada em 2019, de não participar das Olimpíadas de Tóquio. Pela primeira vez na história da competição, o skate entrou como esporte olímpico, porém a categoria praticada por Karen não.

“Tentei fazer a transição, mas sempre me machucava, ficava doente, parecia um autoboicote. Percebi que as coisas não estavam fluindo, e olha que sou muito dedicada e não desisto fácil. Mas admitir para mim mesma que estava forçando a barra foi uma das decisões mais maduras da minha vida”, diz.

O tempo para cuidar de si não só resultou em ganhos emocionais como também abriu espaço para um antigo amor ressurgir, a música. No segundo semestre, Karen lança seu primeiro disco, com músicas antigas e recentes sobre sentimentos comuns e a caminhada no skate.

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