O mundo do surfe sofreu um grande choque com a morte do brasileiro Márcio Freire na tarde da quinta-feira (5). Especialista em ondas gigantes, o surfista de 47 anos se afogou ao cair de uma onda na Praia do Norte, na cidade de Nazaré, em Portugal. As informações são do portal Exame.
O surfista de 47 anos se afogou ao cair de uma onda na Praia do Norte, na cidade de Nazaré, em Portugal. – Foto: Redes Sociais/Divulgação/NDSegundo o portal de notícias, o baiano era especialista em ondas gigantes, e conhecido como um dos integrantes do trio “Mad Dogs“. Freire era reconhecido internacionalmente como uma referência para esta modalidade.
Os “Mad Dogs” viraram tema de um documentário lançado em 2015. O surfista estava sempre acompanhado de seus amigos de Salvador, capital da Bahia, Danilo Couto e Yuri Soledad.
SeguirOrigem do apelido “Mad Dogs”
Em tradução livre, “Mad Dogs” quer dizer “Cachorros Loucos”, e o apelido foi dado por surfistas locais quando os amigos passaram a encarar ondes gigantescas, e sem equipamentos de salva-vidas ou apoio de jet ski, no Havaí.
Eles remavam em direção às “Jaws”, como são chamadas os enormes tubos que fazem os olhos dos especialistas na modalidade brilharem. Em uma entrevista para o site da marca Red Bull, Freire contou em 2015 sobre a característica que o fez ganhar o apelido.
“Não tínhamos segurança nenhuma. Era pura coragem guiada pela vontade de descer uma onda enorme. Os riscos eram muitos sem uma segurança devida. Se acontecesse algum acidente, seria o fim da jornada. Nada nos forçou a fazer o que fizemos. Era tudo para nós mesmos, para nossa satisfação pessoal. Eu, por exemplo, nunca tive patrocínio ou dinheiro envolvido na minha jornada”, relatou o atleta.
Trajetória do surfista
Márcio Freire se mudou com os amigos para a cidade de Maui, no Havaí, em 1998, na época, com 23 anos. Ele havia se profissionalizado como surfista, mas resolveu experimentar a modalidade sem contratos ou competições.
Junto com os outros Mad Dogs, passou a observar o surfe como um estilo de vida, e não como uma profissão. Sem patrocínios, trabalhava no setor de serviços para se manter, e já foi lavador de pratos, jardineiro, instrutor de mergulho e guia turístico em passeios de barco.
Márcio Freire se mudou com os amigos para a cidade de Maui, no Havaí, em 1998, na época, com 23 anos. – Foto: Redes Sociais/Divulgação/NDO trio resolveu, em 2007, encarar as ondas gigantes confiando apenas na habilidade em cima da prancha e a prática foi ganhando popularidade e já no início dos anos 2010 começaram a chegar mais praticantes. Vieram então os jet skis, que passaram a levar os aventureiros até as Jaws, na prática do tow in.
“É muito bom saber que eu influenciei uma nova geração de surfistas de ondas grandes, surfistas locais do Havaí, que fiz parte da história do surfe. É gratificante, uma sensação boa saber que fiz algo no momento certo, de coração e alma. Terminei não sendo surfista profissional, mas tive destaque e reconhecimento mundial. Olho para trás e me sinto bem”, contou o atleta em 2020 para o portal de notícias Correio 24 horas.
O surfista retornou para a Bahia em 2020, afirmando estar com saudades da cultura local. Apesar disso, frequentemente viajava pelo mundo sempre atrás da próxima grande aventura.
Freire utilizava as redes sociais para registrar momentos em cima da prancha, mas também, com a família e amigos. O atleta estava passando uma temporada em Portugal, acompanhado por familiares, quando sofreu o acidente que resultou na morte do surfista.