Surf: três campeões do Brasil e três do Peru vencem etapa da WSL

Destaque para a manezinha Laura Raupp que levantou o título na WSL - World Surf League Qualifying Series

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PUNTA ROCAS, Punta Negra, Lima / Peru. O Punta Rocas Open Pro fechou com boas ondas e grandes disputas em dia de baterias em um mar clássico no Peru, com altas ondas de 6-8 pés em Punta Rocas, em frente ao Centro de Alto Rendimento (CAR).

Os títulos das seis competições disputadas, ficaram divididos para três surfistas do Peru e três do Brasil. O peruano Miguel Tudela e a brasileira Laura Raupp, ganharam a etapa do World Surf League (WSL) Qualifying Series.

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Ryan Kainalo fez o maior placar do domingo na final do Pro Junior – Foto: Anderson Vidal / ZSportsRyan Kainalo fez o maior placar do domingo na final do Pro Junior – Foto: Anderson Vidal / ZSports

O brasileiro Ryan Kainalo e a peruana Daniella Rosas, venceram as finais do Pro Junior Sub-20. E o peruano Piccolo Clemente e a brasileira Chloé Calmon, foram os campeões do Longboard. No último dia de competição, também receberam seus troféus de campeões sul-americanos Pro Junior da WSL Latin America, a nova tetracampeã Sol Aguirre do Peru e o bicampeão Cauã Costa do Brasil.

Esses títulos da temporada 2021/2022, foram decididos no penúltimo dia, quando ambos passaram para as semifinais também em grandes ondas no mar pesado de Punta Rocas. A peruana Sol Aguirre foi a primeira surfista a conseguir quatro títulos na categoria Pro Junior. Os outros foram conquistados em 2017, 2018 e 2021.

O cearense Cauã Costa ganhou o seu primeiro no ano passado e agora igualou um feito até então único do paulista Deivid Silva em 2014 e 2015. Só que os dois tiveram as suas faixas carimbadas nas finais do Punta Rocas Open Pro.

Sol Aguirre perdeu a decisão peruana para Daniella Rosas, depois Ryan Kainalo vingou a derrota para Cauã Costa em Saquarema no ano passado. A vitória nessa final Pro Junior, foi com o maior placar do dia em Punta Rocas. Kainalo atingiu 15,84 pontos, com as notas 8,67 e 7,17 das melhores ondas que surfou.

Antes, ele tinha vencido a sua principal bateria no Peru, a semifinal contra Heitor Mueller, que decidiu a segunda vaga para o Mundial Junior da World Surf League, marcado para o mês de janeiro na Califórnia, Estados Unidos.

“Estou muito contente, porque eu sabia que não seria fácil conseguir essa vaga e, passando para a final, eu já tinha conquistado esse objetivo. No ano passado, eu e o Cauã (Costa) fizemos a final Pro Junior lá em Saquarema e ele ganhou. Dessa vez eu deixei todas as minhas forças para esta última bateria e estou muito feliz pela vitória. Quero agradecer a todos que estavam torcendo por mim, meus patrocinadores e minha família. O evento foi incrível, eu amei esse lugar e espero voltar mais vezes aqui para Punta Rocas” – disse o brasileiro Ryan Kainalo.

A outra vaga no Mundial Junior da WSL que faltava ser definida, ficou com a catarinense Laura Raupp. Ela perdeu nas quartas de final no sábado e o seu segundo lugar era ameaçado pela também catarinense Tainá Hinckel.

Ela ficaria com a vaga se passasse para a grande final, mas foi barrada pela mesma Daniella Rosas que eliminou Laura Raupp. Daniella depois perdeu a semifinal peruana do QS 1000 para Arena Rodriguez Vargas, mas venceu a final Pro Junior contra a tetracampeã sul-americana, Sol Aguirre.

Daniella Rosas conquistando mais uma vitória nas ondas de Punta Rocas – Foto: Anderson Vidal / ZSportsDaniella Rosas conquistando mais uma vitória nas ondas de Punta Rocas – Foto: Anderson Vidal / ZSports

“Eu gosto bastante dessa onda e poder ganhar essa bateria da Sol (Aguirre), foi incrível para me dar mais confiança para começar bem o próximo ano. Ofereço essa vitória a minha família, especialmente a minha mãe, que sempre me apoia, meus patrocinadores e estou superfeliz em estar aqui, desfrutando uma vitória” – comentou a surfista peruana Daniella Rosas, que lidera o ranking principal das etapas do Qualifying Series da WSL Latin America.

LÍDER INVICTO

Quem também festejou mais uma vitória foi o líder invicto do ranking regional da WSL Latin America, que ganhou todas as cinco etapas do Qualifying Series que disputou esse ano na América do Sul.

Miguel Tudela já garantiu uma das oito vagas para o Challenger Series de 2023, o circuito de acesso para a elite do Championship Tour. A série de vitórias começou no QS 1000 de Galápagos, no Equador. Depois, ganhou as duas etapas do Chile, o QS 3000 de Iquique e o QS 5000 nos tubos de El Gringo, em Arica.

A invencibilidade foi mantida no QS 5000 de Saquarema, no Brasil, agora em casa derrotando o argentino Leandro Usuna na final do Punta Rocas Open Pro.

Fenômeno das ondas: Miguel Tudela fecha 2022 vencendo as cinco etapas que disputou na América do Sul – Foto: Anderson Vidal / ZSportsFenômeno das ondas: Miguel Tudela fecha 2022 vencendo as cinco etapas que disputou na América do Sul – Foto: Anderson Vidal / ZSports

“Na verdade, estou sem palavras, mas é um ano dos sonhos. Poder chegar em todas as finais e ganha-las, fico totalmente sem palavras. Estou super contente em ganhar em casa. Foi o campeonato mais importante, poder ganhar na frente do seu público, sua família, amigos, é super bonito e emocionante. Fazer tudo sempre com felicidade e paixão, acredito que isso é o mais importante e felizmente eu tenho uma equipe que me apoia bastante. Depois desse evento lindo aqui em casa, agora é já pensar no Challenger Series no próximo ano” – revelou o peruano Miguel Tudela.

SEGUNDA VITÓRIA

Na outra final do QS 1000, a catarinense Laura Raupp, de apenas 16 anos, já conseguiu a sua segunda vitória em etapas do World Surf League Qualifying Series. A primeira foi na sua casa, a Praia Mole de Florianópolis (SC) em 2021, quando se classificou para o Challenger Series deste ano.

Ela se destaca quando compete em ondas grandes, como as de Punta Rocas, onde fez grandes apresentações. No domingo, primeiro passou pela catarinense da Guarda do Embaú, Tainá Hinckel, que já tinha perdido a briga pela vaga no Mundial Junior pra Laura Raupp. Depois, conquistou o terceiro título do Brasil no Punta Rocas Open Pro, derrotando a peruana Arena Rodriguez Vargas na final do QS 1000.

Manezinha Laura Raupp mostrando muita atitude nas grandes ondas de Punta Rocas – Foto: Lorenzo Bazo / ZSportsManezinha Laura Raupp mostrando muita atitude nas grandes ondas de Punta Rocas – Foto: Lorenzo Bazo / ZSports

“É a primeira vez que venho a Punta Rocas e é uma onda incrível. Todas as meninas surfaram bem e eu tive baterias muito difíceis. Eu parei nas quartas de final do Pro Junior, mas consegui me classificar pro Mundial. Agora me tornei campeã do QS aqui e estou superfeliz. Tenho que agradecer ao meu pai, que está aqui comigo, todos meus patrocinadores, minha mãe e minha irmã que estão em casa. Eu acho que tenho um talento pra ondas grandes, porque ganhei o meu primeiro QS da vida na Praia Mole no ano passado, agora consegui ganhar aqui em Punta Rocas com altas ondas e estou superfeliz. Agora vou voltar para o Brasil e no dia 23 já estou indo para o Havaí, para competir no Challenger Series em Haleiwa. Espero ir bem lá também” falou a manezinha Laura Raupp.

LONGBOARD

Na categoria Longboard, os títulos do Punta Rocas Open Pro também foram divididos entre Peru e Brasil. A primeira decisão do domingo foi uma reedição das finais do Saquarema Surf Festival de 2021 e 2022 no Brasil. E o resultado foi o mesmo, com a brasileira Chloé Calmon derrotando a peruana Maria Fernanda Reyes.

A carioca foi campeã sul-americana da WSL Latin America em 2021 e lidera o ranking da temporada 2022/2023 com duas vitórias. Ainda serão computados os resultados dos eventos realizados até julho do ano que vem.

Longboard Feminino: Chloé Calmon colecionando mais uma vitória nas ondas de Punta Rocas – Foto: Lorenzo Bazo / ZSportsLongboard Feminino: Chloé Calmon colecionando mais uma vitória nas ondas de Punta Rocas – Foto: Lorenzo Bazo / ZSports

“Foi uma bateria muito difícil, as ondas estavam muito fortes e quando eu estava entrando no mar, tomei uma série de ondas na cabeça. Fiquei muito tempo embaixo d´água, então não foi um bom início. Como entramos com bastante antecedência, eu sabia que era pegar somente duas ondas e dar meu máximo. Só que eu tomei outra série na cabeça e estava sem energia nenhuma. Vi que faltavam alguns minutos e tirei energia não sei de onde, então estou super feliz por cumprir meu objetivo, que era ganhar” – afirmou a campeã Chloé Calmon.

Assim como Chloé Calmon, Piccolo Clemente também tinha festejado vitória no Panamericano de Lima 2019, com o surfe e longboard sendo disputados nas mesmas ondas de Punta Rocas, quando foi inaugurado o Centro de Alto Rendimento (CAR) do Peru.

O peruano bicampeão mundial e tetracampeão sul-americano da WSL Latin America, conseguiu a vitória sobre o norte-americano Tony Silvagni no Punta Rocas Open Pro, na onda que surfou nos minutos finais e valeu 7,57, virando o placar para 14,24 a 12,53 pontos.

Longboard Masculino: peruano Piccolo Clemente confirmou a vitória na última onda que surfou na bateria – Foto: Anderson Vidal / ZSportsLongboard Masculino: peruano Piccolo Clemente confirmou a vitória na última onda que surfou na bateria – Foto: Anderson Vidal / ZSports

“Estou feliz em ganhar mais um campeonato aqui em Punta Rocas. Fazia bastante tempo que não tinha um campeonato da WSL no Peru da categoria Longboard. Ganhar essa final muito difícil. O Tony Silvagni é um competidor muito talentoso, de nível mundial, então foi muito difícil ganhar dele. Estou contente em ganhar novamente em casa. Quero agradecer a minha família, meus patrocinadores, a minha esposa que está sempre me mandando as ondas e a todos os peruanos por apoiar minha carreira” – ressaltou o campeão Piccolo Clemente, do Peru.

PREMIAÇÃO IGUAL

Punta Rocas Open Pro foi mais um evento da World Surf League realizado com o princípio da igualdade na premiação, com as mulheres recebendo o mesmo valor dos homens na mesma colocação.

As vitórias no QS 1000 valeram 2.000 dólares na categoria masculina e na feminina, assim como o campeão e a campeã do Pro Junior e do Longboard, ganharam 1.000 dólares.

A igualdade também foi obedecida nas premiações dos vice-campeões e terceiros colocados nas semifinais que abriram o domingo decisivo da nova etapa do Peru no calendário da WSL Latin America.

Miguel Tudela invicto em 2022 com cinco vitórias nas cinco etapas que disputou – Foto: Lorenzo Bazo / ZSportsMiguel Tudela invicto em 2022 com cinco vitórias nas cinco etapas que disputou – Foto: Lorenzo Bazo / ZSports

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