‘Como em um filme’: brasileira cria ‘engenhoca’ para astronautas conversarem com naves

Segundo a Nasa, o sistema vai ajudar astronautas em missões espaciais; cientista brasileira conta que tem autismo e precisou superar preconceitos

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Redação ND Florianópolis

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A cientista brasileira Dra. Larissa Suzuki participa de um projeto que parece ter saído do roteiro de um filme de ficção científica. Ao lado de engenheiros da Nasa e do Google, Suzuki trabalha em um tipo de “chatGPT” que pode possibilitar astronautas a conversarem com as naves durante missões espaciais.

Brasileira cria chat para naves Cientista brasileira faz projeto para criar formas de astronautas conversarem com naves – Foto: Reprodução/Nasa/ND

“A ideia é chegar a um ponto em que tenhamos interações de conversação com veículos espaciais e que eles também respondam a nós sobre os alertas e descobertas interessantes que eles veem no sistema solar e além”, disse Larissa Suzuki em entrevista ao jornal americano The Guardian.

Durante uma reunião sobre o projeto no dia 20 de junho, Suzuki explicou para outros cientistas que a IA poderia até proporcionar avisos de que há algo errado com o veículo espacial. Isso seria útil para uma falha mecânica, por exemplo.

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Na luta contra o preconceito

Suzuki tem autismo e conta que é a diretora técnica do Google ao lado de um cargo de engenheira na Nasa. Agora, ela também participa de uma galeria, a Engineers, inaugurada no Museu da Ciência em Londres em junho.

O local destaca tecnologias que vão desde satélites espaciais e robôs cirúrgicos até moda digital, e visa desvendar os equívocos sobre o que os engenheiros fazem e quem eles são.

Larissa Suzuki é a cientista brasileira que encabeçou o projeto – Foto: Reprodução/Graeme Robertson/The Guardian/NDLarissa Suzuki é a cientista brasileira que encabeçou o projeto – Foto: Reprodução/Graeme Robertson/The Guardian/ND

Suzuki disse ao The Guardian que trabalhar para a Nasa é a realização de um sonho de infância.

“Tenho uma lista de desejos desde os 12 anos de idade. Tem cerca de 500 itens. Trabalhar e colaborar com a Nasa foi um deles”, explica.

Ela descreve como a paixão pela engenharia a impulsionou durante os difíceis anos escolares.

“Eu sofria bullying na escola todos os dias por ser autista e não ter os mesmos interesses de outras meninas da minha idade. Embora eu estivesse isolado e tivesse que enfrentar o bullying, minha verdadeira e profunda paixão por criar coisas para o benefício da humanidade foi o que me fez continuar”, relembra. E continua:

“Foi isso que me fez seguir em frente para aceitar que não sou uma esquisita, isso é quem eu sou. Tudo bem se nem todo mundo quiser brincar com Barbies”, disse ela.

Depois de frequentar brevemente a faculdade de música, ela abandonou os planos de ser pianista profissional e mudou para um diploma de ciência da computação, onde descreveu ser a única menina em uma classe de 40 meninos.

“No começo, nunca questionei por que não há muitas garotas aqui”, disse ela.

No entanto, ela se lembra de ter sido subestimada, inclusive por um professor que sugeriu que ela havia copiado o dever de casa de um colega, quando era o contrário.

“Eles me perguntaram: ‘Onde você conseguiu essas respostas?’. Eles acreditavam que esses meninos, que matavam aula e riam nas aulas, tinham feito o trabalho e eu não, mesmo eu sendo tão dedicada”, disse.

Suzuki conta que ser autista pode ter permitido ver além dos estereótipos da engenharia.

“Eu queria fazer coisas e resolver problemas para a humanidade e pensei que poderia fazer isso com a ciência da computação. Como sou autista, queria saber todos os passos para chegar lá – e se o passo A falhar, este é o passo B e o passo C”, fala.

A cientista finaliza a entrevista dizendo que devemos incentivar as mulheres a seguirem carreiras na ciência. “Caso contrário, quem será a Ada Lovelace do futuro?”.

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