“Hoje, a pele das pessoas precisa se adaptar aos produtos e a nossa ideia é fazer o caminho inverso. São os produtos que devem se adaptar para cada tipo de pele”, conta com orgulho, a doutora em farmácia Cassiana Mendes, de 35 anos, sobre a criação da Ritualiza, empresa de Florianópolis que usa IA (Inteligência Artificial) e nanotecnologia para criar produtos personalizados de skincare.
Ao seu lado, sentada em um auditório da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) da Capital de Santa Catarina, a sócia Natalia Braulio dos Santos, de 39 anos, revela que antes trabalhava com marketing. No entanto, tudo mudou há um ano e meio, quando participou de um projeto da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), o Acate Mulheres, e conheceu Cassiana.
Empreendedoras de Florianópolis usam nanotecnologia e inteligência artificial para criar cosméticos personalizados – Foto: Leo Munhoz/NDSegundo a Acate, pouco mais de 100 participam do Mulheres ACATE. Elas ocupam cargos estratégicos nas empresas em que trabalham e possuem origens em diferentes regiões de Santa Catarina. O foco do grupo é impulsionar o empreendedorismo feminino, sobretudo na área de tecnologia.
Unidas, as visionárias do empreendedorismo entrelaçaram o saber científico e a astúcia mercadológica, formando o combo perfeito para a disseminação dos produtos.
A empresa já existia antes da entrada de Natalia, mas segundo a farmacêutica, era preciso produzir uma plataforma própria e, para isso, ela precisaria de ajuda.
“A gente precisava produzir uma plataforma própria, afinal o que fazíamos era adaptar os formulários que já existiam para criação dos produtos. Precisávamos de algo mais didático e eficiente, foi então que a ‘Nat’ entrou no negócio nos ajudando com as vendas e fidelização dos clientes na nossa nova plataforma”, explica.
As sócias contam como é se “complementar” dentro de uma empresa – Foto: Leo Munhoz/NDO resultado se mostrou verdadeiramente positivo, já que em julho, a Ritualiza foi uma das três vencedoras do prêmio “Empreendedoras Tech”, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e pela ENAP (Escola Nacional de Administração Pública), sendo recompensadas com um prestigioso prêmio nacional de R$ 50 mil pela iniciativa.
A IA (Inteligência Artificial) usada pela empresa foi a estrela da premiação. Essa modalidade é a simulação da inteligência humana por meio de máquinas. Assim, a tecnologia permite que os programas realizem tarefas que habitualmente demandariam o esforço de seres humanos, como o processo de aprendizado, raciocínio e tomada de decisões.
Ver essa foto no Instagram
A tecnologia da Ritualiza, à primeira vista, pode parecer até simples, porém é uma verdadeira inovação no Brasil. A plataforma é pioneira em cuidados personalizados com a pele no país.
Como funciona o processo de criação?
O negócio é baseado da seguinte forma: a empresa faz a personalização de cosméticos naturais de alto desempenho conforme os objetivos e necessidades do cliente. O diagnóstico é feito quando o consumidor responde um quiz da pele formulado pela empresa, com direcionamento aos ativos naturais que vão compor os cosméticos para um ritual minimalista e eficaz.
Ritualiza: como funciona o processo de criação – Foto: Arte/ND+Ou seja, a empresa desenvolve um skincare de acordo com a pele de cada pessoa. Para isso, o questionário sobre a pele considera os objetivos de cada cliente, consumo de água, hábitos e até local onde mora.
Após respondido o questionário, a farmacêutica responsável, Cassiana Mendes, desenvolve uma fórmula enviada para uma farmácia de manipulação, também no Centro de Florianópolis. O produto leva uma semana para chegar na casa de cada cliente, mas isso não é um problema, segundo Natalia dos Santos.
“Nossas clientes não veem problema em esperar, pois sabem que é um produto para elas. Quando personalizamos algo, em tese, as pessoas têm mais conexão e vontade de esperar a chegada dos produtos”, explica.
Ao todo são sete pessoas que trabalham na Ritualiza, mas as empreendedoras planejam ampliar os negócios à medida que forem conhecendo mais os seus clientes a partir do questionário personalizado sobre a pele.
Empresária conta que clientes se sentem valorizados por produto personalizado – Foto: Leo Munhoz/NDAfinal, só para se ter uma ideia, o Brasil é o 4º maior mercado consumidor de cosméticos (beleza) do mundo, segundo dados colhidos em 2021 em uma pesquisa divulgada pela Technavio. No e-commerce, o mercado de saúde e beleza fatura R$ 10,5 bilhões por ano. Desse total, 7,3% se refere a skincare (cerca de R$ 766 milhões).
Vegano do produto à embalagem
Além de todos os produtos cosméticos serem veganos e, por tal, não testados em animais, a Ritualiza possui outros compromissos com o movimento. Segundo a doutora em farmácia e empresária, Cassiana Mendes, até mesmo a embalagem dos produtos e a caixa de envio conta com itens veganos.
“Usamos fórmulas biodegradáveis e na embalagem, por exemplo, não enviamos isopor com o produto. O que fazemos é um extrusado de milho que depois não precisa ser descartado, porque pode ser usado para adubar as plantas”, explica.
Extrusado de milho usado para substituir isopor é vegano e pode ser usado para adubar plantas – Foto: Leo Munhoz/NDConforme o site Mapa Veg, que contabiliza o número de adeptos ao movimento no Brasil, Santa Catarina é o 6° Estado com mais veganos do país. Ao todo são 2.088 pessoas veganas que vivem no Estado. Em Florianópolis são 638 veganos, e a cidade lidera o ranking estadual.
Santa Catarina está em sexto lugar no ranking – Foto: Arte/ND+Especialista crê que o mercado de mulheres empreendedoras em tecnologia em SC está crescendo
O mercado de mulheres empreendedoras no setor de tecnologia em Santa Catarina está em crescimento, é o que acredita a Administradora e Professora Isabela Regina Fornari Muller, Coordenadora do CRA-SC Mulher (Conselho Regional de Administração de Santa Catarina) e professora da ESAG/Udesc.
A especialista destacou os avanços e desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem nesse setor promissor.
“Estou observando um aumento significativo no número de mulheres empreendendo no setor de tecnologia não só em Florianópolis, mas em todo o Estado”, afirma.
Ela ressalta que Florianópolis, em particular, possui um ecossistema de empresas de tecnologia robusto e receptivo às mulheres empreendedoras, oferecendo oportunidades de financiamento e parcerias estratégicas.
“Nos últimos tempos cresceram o número de iniciativas desenvolvidas pelas associações como a Acate Mulher, Sebrae Delas, ACIF Mulher, dentre outras, para promover e apoiar o empreendedorismo feminino nessa área, como programas de capacitação, mentorias, eventos, grupo de estudos e networking para as mulheres e com as mulheres”, explica Isabela.
Entretanto, a Prof. Isabela Muler também destaca que ainda existem desafios e desigualdades a serem superados. Segundo ela, a presença feminina em cargos de liderança e em algumas áreas específicas da tecnologia ainda é menor em comparação à masculina e a média salarial das mulheres no setor continua a ser inferior.
“A mulher por meio da sua competência se esforça para mostrar que nas empresas a diversidade de gênero não apenas proporciona uma força de trabalho mais inovadora, mas também contribui para a criação de tecnologia mais inclusiva, abordando necessidades e perspectivas diversas”, garante.
Em suma, embora o setor de tecnologia de Florianópolis seja considerado um mercado mais igualitário para mulheres se comparado com outros lugares, ainda há trabalho a ser feito para alcançar uma verdadeira igualdade de gênero neste e em todos os setores.