Empresárias de Florianópolis ‘revolucionam’ mercado de cosméticos com nanotecnologia e IA

08/09/2023 às 10h35

As empreendedoras Natalia e Cassiana se conheceram no programa Acate mulheres e juntaram os conhecimentos científicos e em marketing para criar marca inovadora em Florianópolis

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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“Hoje, a pele das pessoas precisa se adaptar aos produtos e a nossa ideia é fazer o caminho inverso. São os produtos que devem se adaptar para cada tipo de pele”, conta com orgulho, a doutora em farmácia Cassiana Mendes, de 35 anos, sobre a criação da Ritualiza, empresa de Florianópolis que usa IA (Inteligência Artificial) e nanotecnologia para criar produtos personalizados de skincare.

Ao seu lado, sentada em um auditório da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) da Capital de Santa Catarina, a sócia Natalia Braulio dos Santos, de 39 anos, revela que antes trabalhava com marketing. No entanto, tudo mudou há um ano e meio, quando participou de um projeto da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), o Acate Mulheres, e conheceu Cassiana.

Empresa de Florianópolis usa nanotecnologia e inteligência artificial para confeccionar produto Empreendedoras de Florianópolis usam nanotecnologia e inteligência artificial para criar cosméticos personalizados – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo a Acate, pouco mais de 100 participam do Mulheres ACATE. Elas ocupam cargos estratégicos nas empresas em que trabalham e possuem origens em diferentes regiões de Santa Catarina. O foco do grupo é impulsionar o empreendedorismo feminino, sobretudo na área de tecnologia.

Unidas, as visionárias do empreendedorismo entrelaçaram o saber científico e a astúcia mercadológica, formando o combo perfeito para a disseminação dos produtos.

A empresa já existia antes da entrada de Natalia, mas segundo a farmacêutica, era preciso produzir uma plataforma própria e, para isso, ela precisaria de ajuda.

“A gente precisava produzir uma plataforma própria, afinal o que fazíamos era adaptar os formulários que já existiam para criação dos produtos. Precisávamos de algo mais didático e eficiente, foi então que a ‘Nat’ entrou no negócio nos ajudando com as vendas e fidelização dos clientes na nossa nova plataforma”, explica.

Cosméticos ritualiza de Florianópolis As sócias contam como é se “complementar” dentro de uma empresa – Foto: Leo Munhoz/ND

O resultado se mostrou verdadeiramente positivo, já que em julho, a Ritualiza foi uma das três vencedoras do prêmio “Empreendedoras Tech”, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e pela ENAP (Escola Nacional de Administração Pública), sendo recompensadas com um prestigioso prêmio nacional de R$ 50 mil pela iniciativa.

A IA (Inteligência Artificial) usada pela empresa foi a estrela da premiação. Essa modalidade é a simulação da inteligência humana por meio de máquinas. Assim, a tecnologia permite que os programas realizem tarefas que habitualmente demandariam o esforço de seres humanos, como o processo de aprendizado, raciocínio e tomada de decisões.

A tecnologia da Ritualiza, à primeira vista, pode parecer até simples, porém é uma verdadeira inovação no Brasil. A plataforma é pioneira em cuidados personalizados com a pele no país.

Como funciona o processo de criação?

O negócio é baseado da seguinte forma: a empresa faz a personalização de cosméticos naturais de alto desempenho conforme os objetivos e necessidades do cliente. O diagnóstico é feito quando o consumidor responde um quiz da pele formulado pela empresa, com direcionamento aos ativos naturais que vão compor os cosméticos para um ritual minimalista e eficaz.

Empresárias de Florianópolis fazem processo de criação dos produtos de forma personalizada Ritualiza: como funciona o processo de criação – Foto: Arte/ND+

Ou seja, a empresa desenvolve um skincare de acordo com a pele de cada pessoa. Para isso, o questionário sobre a pele considera os objetivos de cada cliente, consumo de água, hábitos e até local onde mora.

Após respondido o questionário, a farmacêutica responsável, Cassiana Mendes, desenvolve uma fórmula enviada para uma farmácia de manipulação, também no Centro de Florianópolis. O produto leva uma semana para chegar na casa de cada cliente, mas isso não é um problema, segundo Natalia dos Santos.

“Nossas clientes não veem problema em esperar, pois sabem que é um produto para elas. Quando personalizamos algo, em tese, as pessoas têm mais conexão e vontade de esperar a chegada dos produtos”, explica.

Ao todo são sete pessoas que trabalham na Ritualiza, mas as empreendedoras planejam ampliar os negócios à medida que forem conhecendo mais os seus clientes a partir do questionário personalizado sobre a pele.

Empresária de Florianópolis conta mais sobre empresa de cosméticos Empresária conta que clientes se sentem valorizados por produto personalizado – Foto: Leo Munhoz/ND

Afinal, só para se ter uma ideia, o Brasil é o 4º maior mercado consumidor de cosméticos (beleza) do mundo, segundo dados colhidos em 2021 em uma pesquisa divulgada pela Technavio. No e-commerce, o mercado de saúde e beleza fatura R$ 10,5 bilhões por ano. Desse total, 7,3% se refere a skincare (cerca de R$ 766 milhões).

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    Produtos são feitos sob medida - Leo Munhoz/ND
    Produtos são feitos sob medida - Leo Munhoz/ND
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    Cosmético é feito em farmácia manipulada no Centro de Florianópolis - Leo Munhoz/ND
    Cosmético é feito em farmácia manipulada no Centro de Florianópolis - Leo Munhoz/ND
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    Os produtos são veganos e não são testados em animais - Leo Munhoz/ND
    Os produtos são veganos e não são testados em animais - Leo Munhoz/ND
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    Após fabricado, cada cosmético é embalado em uma caixa feita para os/as clientes - Leo Munhoz/ND
    Após fabricado, cada cosmético é embalado em uma caixa feita para os/as clientes - Leo Munhoz/ND

Vegano do produto à embalagem

Além de todos os produtos cosméticos serem veganos e, por tal, não testados em animais, a Ritualiza possui outros compromissos com o movimento. Segundo a doutora em farmácia e empresária, Cassiana Mendes, até mesmo a embalagem dos produtos e a caixa de envio conta com itens veganos.

“Usamos fórmulas biodegradáveis e na embalagem, por exemplo, não enviamos isopor com o produto. O que fazemos é um extrusado de milho que depois não precisa ser descartado, porque pode ser usado para adubar as plantas”, explica.

empreendedoras de Florianópolis fazem produto vegano Extrusado de milho usado para substituir isopor é vegano e pode ser usado para adubar plantas – Foto: Leo Munhoz/ND

Conforme o site Mapa Veg, que contabiliza o número de adeptos ao movimento no Brasil, Santa Catarina é o 6° Estado com mais veganos do país. Ao todo são 2.088 pessoas veganas que vivem no Estado. Em Florianópolis são 638 veganos, e a cidade lidera o ranking estadual.

Florianópolis é a capital que mais é vegano em Santa Catarina Santa Catarina está em sexto lugar no ranking – Foto: Arte/ND+

Especialista crê que o mercado de mulheres empreendedoras em tecnologia em SC está crescendo

O mercado de mulheres empreendedoras no setor de tecnologia em Santa Catarina está em crescimento, é o que acredita a Administradora e Professora Isabela Regina Fornari Muller, Coordenadora do CRA-SC Mulher (Conselho Regional de Administração de Santa Catarina) e professora da ESAG/Udesc.

A especialista destacou os avanços e desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem nesse setor promissor.

“Estou observando um aumento significativo no número de mulheres empreendendo no setor de tecnologia não só em Florianópolis, mas em todo o Estado”, afirma.

Ela ressalta que Florianópolis, em particular, possui um ecossistema de empresas de tecnologia robusto e receptivo às mulheres empreendedoras, oferecendo oportunidades de financiamento e parcerias estratégicas.

“Nos últimos tempos cresceram o número de iniciativas desenvolvidas pelas associações como a Acate Mulher, Sebrae Delas, ACIF Mulher, dentre outras, para promover e apoiar o empreendedorismo feminino nessa área, como programas de capacitação, mentorias, eventos, grupo de estudos e networking para as mulheres e com as mulheres”, explica Isabela.

Entretanto, a Prof. Isabela Muler também destaca que ainda existem desafios e desigualdades a serem superados. Segundo ela, a presença feminina em cargos de liderança e em algumas áreas específicas da tecnologia ainda é menor em comparação à masculina e a média salarial das mulheres no setor continua a ser inferior.

“A mulher por meio da sua competência se esforça para mostrar que nas empresas a diversidade de gênero não apenas proporciona uma força de trabalho mais inovadora, mas também contribui para a criação de tecnologia mais inclusiva, abordando necessidades e perspectivas diversas”, garante.

Em suma, embora o setor de tecnologia de Florianópolis seja considerado um mercado mais igualitário para mulheres se comparado com outros lugares, ainda há trabalho a ser feito para alcançar uma verdadeira igualdade de gênero neste e em todos os setores.

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