Florianópolis é uma cidade com os olhos no futuro

Hoje, Florianópolis tem cinco mil empresas de tecnologia, incluindo negócios de pequeno e grande porte. Mais de 30 mil pessoas estão empregadas no segmento

Paulo Clóvis Schmitz – Especial para o ND Florianópolis

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Se há uma Florianópolis histórica, e até pré-histórica, existe também uma cidade que volta os olhos para o futuro. No dia em que festeja seu 350º aniversário, a par de comemorações e referências a personalidades e eventos importantes do passado, gestores públicos e instituições da sociedade civil pensam em projetos e ações para 2030 e as décadas seguintes, porque o crescimento populacional requer planejamento e medidas que mitiguem as pressões sobre os diversificados ecossistemas da Ilha de Santa Catarina e adjacências. E planejar é algo que se faz com critério e, acima de tudo, com o uso do conhecimento.

O professor Neri dos Santos, um dos curadores do projeto Floripa 350 Anos, do Grupo ND, diz que a capital catarinense já é uma referência nacional em empresas de tecnologia e inovação, mas que irá bem além disso, pois vem se planejando com base em indicadores sólidos do presente. Ele já vê uma “cidade inteligente” emergindo, que forçosamente será policentrada, com bairros onde tudo acontece, reduzindo a necessidade de deslocamentos e as filas que hoje testam a paciência de motoristas e passageiros do transporte coletivo.

Sapiens Parque, no Norte da Ilha, é um espaço de inovação que abriga empreendimentos e projetos focados no desenvolvimento de toda a região – Foto: Divulgação/NDSapiens Parque, no Norte da Ilha, é um espaço de inovação que abriga empreendimentos e projetos focados no desenvolvimento de toda a região – Foto: Divulgação/ND

Um modelo em construção, neste sentido, é o Sapiens Parque, no Norte da Ilha, que já é um espaço de inovação que abriga empreendimentos e projetos focados no desenvolvimento de toda a região. Será um espaço formatado dentro dos conceitos modernos de urbanização, com mais de 4 milhões de metros quadrados onde tudo será oferecido para o conforto dos moradores – a noção da “cidade dos 15 minutos”. Mais uma vez, o conhecimento está na retaguarda.

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“Com mais conhecimento, as cidades ficam mais ricas, os salários aumentam e os governos podem investir na geração de emprego e renda”, diz Neri dos Santos. “O capital intelectual pode tornar as cidades mais humanas, pela possibilidade de investimento social. Haverá ganhos nas áreas ambiental e econômica, e também mais aportes em arte e cultura”.

Faturamento de R$ 1 bilhão em 2025

Hoje, Florianópolis tem cinco mil empresas de tecnologia, incluindo negócios de pequeno e grande porte. Mais de 30 mil pessoas estão empregadas no segmento, onde os salários são maiores que os do comércio, turismo e construção civil. Há empresas que crescem vertiginosamente e planejam faturar R$ 1 bilhão em 2025. No todo, o setor de tecnologia fatura R$ 10 bilhões ao ano, e se mantém em crescimento.

Florianópolis é também a cidade do Brasil com a maior quantidade de doutores em relação ao número de habitantes, e lidera no volume de startups – muitas vezes criadas por estes doutores que vêm das universidades.

Parcerias viabilizam projetos relevantes

No curto prazo, uma conquista importante para a cidade será a revitalização da praça Tancredo Neves, hoje subutilizada. Ali, haverá estacionamento subterrâneo, anfiteatro para eventos, arborização e amplo espaço para encontros e convivência. O projeto foi iniciado pela associação FloripAmanhã e terá o aporte de recursos da Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas do Estado, Sesc/Senac e complexo hospitalar Baía Sul – todos situados no entorno da praça.

A construção de uma marina na avenida Beira-mar Norte é vista por lideranças empresariais e de classe como necessária diante da posição de Florianópolis, uma cidade cercada de água, e que poderá gerar vagas de trabalho e novos empreendimentos no entorno.

O presidente do Floripamanhã, Jaime de Souza, destaca ainda o programa Adote uma Praça, executado com a parceria do empresariado e que “vem sendo um sucesso”. Outra iniciativa, o programa Cidade Unesco da Gastronomia, qualificou a área da alimentação e se tornou um novo atrativo turístico na cidade. “Houve um salto de qualidade, e vemos hoje uma série de corredores gastronômicos em diferentes pontos da Capital”, diz Souza.

Ações até 2050

Em agosto deste ano, o FloripAmanhã vai entregar ao poder público uma agenda que prevê o desenvolvimento da cidade até o ano de 2050. A base são cenários e projetos estruturantes que usam como base números e tendências do presente.

Florianópolis ganhou, nos últimos anos, equipamentos importantes, como o novo aeroporto, a ponte Hercílio Luz recuperada, praças e complexos gastronômicos e de lazer. De acordo com as lideranças e entidades que pensam o futuro da cidade, ainda há muitos desafios a enfrentar, como a infraestrutura de transporte e os gargalos da mobilidade e do saneamento. Para isso, também, dizem eles, a busca de soluções passará pelo conhecimento.