Fundo de R$ 100 milhões vai investir em startups da Região Sul

Lançado pela gestora Primus Ventures, novo nome da Catarina Capital, fundo Sul Ventures mira empresas inovadoras nos três estados do Sul

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Redação ND Florianópolis

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A gestora Primus Ventures, anteriormente chamada Catarina Capital, lança nesta terça-feira, dia 8, na semana do South Summit Brazil em Porto Alegre (RS), um fundo de R$ 100 milhões voltado exclusivamente para startups da Região Sul do Brasil. Voltado a empresas B2B de base tecnológica, o veículo terá como foco negócios em estágios iniciais de crescimento e com operação nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Da esquerda para a direita: Adonay Freitas, José Augusto Albino, Renata Buss e Raul Daitx – Foto: Divulgação/NDDa esquerda para a direita: Adonay Freitas, José Augusto Albino, Renata Buss e Raul Daitx – Foto: Divulgação/ND

Com aportes que variam de R$ 500 mil a R$ 10 milhões por startup — incluindo follow-ons —, a Primus Ventures pretende realizar entre 15 e 20 investimentos ao longo do ciclo do fundo. A atuação será concentrada em startups que desenvolvem soluções para empresas (B2B), com foco em setores como fintech, retailtech, insurtech, healthtech, IoT, indústria 4.0, agritech, energia e IT infrastructure. A seleção de startups será feita de forma contínua a partir do segundo semestre de 2025.

O Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Sul Ventures é o primeiro fundo lançado pela Primus Ventures, gestora que nasce da evolução da Catarina Capital, que nos últimos anos já havia estruturado veículos financeiros e operado como prestadora de serviços especializados em venture capital. Na trajetória dos sócios da Primus está a gestão e acompanhamento de todo o ciclo do Cventures Primus, criado em 2013 pela Fundação Certi e que tem como cotistas grandes investidores nacionais e internacionais, públicos e privados, além de pessoas físicas ligadas ao ecossistema da região.

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A expertise acumulada neste período, incluindo o desempenho do fundo anterior, agora será canalizada diretamente na gestão do novo fundo. “A Catarina Capital nasceu em Florianópolis da união de profissionais com décadas de experiência e sucesso em Venture Capital, principalmente na gestão do Cventures Primus. Este novo fundo e marca vem para reforçar o nosso posicionamento e foco nos estágios iniciais do Venture Capital”, destaca José Augusto Albino, sócio da Primus e gestor responsável pelo novo fundo.

“O nome Primus exalta nossas origens e reforça o legado trazido pelo Cventures Primus, além de resumir o posicionamento da gestora – ser o primeiro fundo institucional a apostar e apoiar empreendedores de startups, no início de suas jornadas de crescimento”, reforça Adonay Freitas, sócio da gestora.

Teses regionais com foco em inovação e escala

A gestora destaca que o novo fundo pretende investir em negócios early stage, em momentos anteriores a grandes fundos nacionais e internacionais. O objetivo é apoiar empreendedores que já validaram seus produtos, possuem tração inicial e desejam acelerar o crescimento com capital estratégico e acesso a uma rede consolidada de investidores e especialistas do setor.

A Região Sul, segundo a Primus, reúne um dos ecossistemas mais promissores do país. A densidade de hubs de inovação, parques tecnológicos, universidades e empresas de médio porte com perfil de inovação colaborativa cria um ambiente favorável para startups com alto potencial de escala e geração de valor.

Os primeiros cotistas do fundo Sul Ventures serão apresentados no dia 8 de abril, na véspera do South Summit Brazil em um café da manhã para empreendedores, investidores e instituições convidadas. O Badesul, agência de fomento ligada ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) assinarão no evento um protocolo de intenções como os primeiros cotistas institucionais do fundo.

Com mais de R$ 50 milhões já captados, a Primus Ventures trabalha para alcançar os R$ 100 milhões até o fim de 2025. “Estamos em negociações avançadas com investidores institucionais e privados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Também estamos conversando com family offices e investidores estratégicos de São Paulo, interessados em acessar o potencial da Região Sul”, explica Albino.

Para o Badesul, a participação como cotista do fundo reafirma o compromisso em fomentar a inovação no Rio Grande do Sul – estado onde está previsto o aporte de 30 a 40% do capital. “O Badesul tem sido um parceiro de iniciativas que impulsionam o crescimento do ecossistema de inovação gaúcho. Estamos muito entusiasmados com o apoio a este fundo, que reúne empresas com produtos validados, alto potencial de expansão e capacidade de gerar progresso e desenvolvimento para o nosso estado”, disse o presidente do Badesul, Claudio Gastal.

O BRDE é outra instituição comprometida com a tese do fundo. “Apoiar o ecossistema de inovação é uma decisão estratégica no sentido de ampliar a produtividade em toda a região Sul do país. Somos referência em termos de financiamento para o setor, mas igualmente apostamos alto em startups que farão a diferença no mercado, através de programa próprio de aceleração e em parcerias com outros agentes em fundos de investimento”, destacou o diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto.

Histórico do primeiro fundo comprova retorno

O time da Primus Ventures traz no currículo o desempenho do Cventures Primus. Com um portfólio que incluiu startups como Exact Sales, Asaas, Hiper, Zygo, Checkplant, Wevo, entre outras, o fundo atingiu até aqui um retorno de 5,1 vezes o capital investido (MOIC) e uma TIR de 24% ao ano, o que deixa o fundo entre os primeiros colocados de fundos de Venture Capital no Brasil de acordo com relatório divulgado pela Spectra Investimentos. No mesmo período, por exemplo, o CDI entregou 8,5% de retorno, enquanto o Ibovespa, 9%.

“Este histórico mostra que é possível construir retornos sólidos com investimentos consistentes em inovação fora dos grandes centros”, afirma Adonay Freitas, sócio que acompanhou o ciclo completo do fundo anterior. O caso da Asaas, de Joinville (SC), que recentemente levantou nova rodada de investimento de R$ 820 milhões, é um exemplo da tese de longo prazo aplicada pela gestora.

Além dos retornos financeiros, o fundo também contribuiu para a consolidação de startups regionais que se tornaram referência nacional, em segmentos como meios de pagamento, softwares de gestão e plataformas B2B.

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