Um julgamento realizado em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, contou com a primeira defesa 3D da história do município. O júri ocorreu no dia 12 de agosto e teve o mesmo tipo de animação gráfica usada nos júris dos casos da Boate Kiss, Eliza Samudio e Elize Matsunaga. O Fórum da cidade confirmou que foi o primeiro com recursos em 3D.
Projeto 3D foi utilizado pela primeira vez em um julgamento em Chapecó. – Foto: Arquivo Pessoal Divulgação ND (18)O projeto 3D foi usado pelo advogado criminalista e especialista em direito penal e criminal, Luiz Antônio Andrigge, na defesa de um cliente acusado de uma dupla tentativa de homicídio qualificado que ocorreu em 2019. A apresentação 3D resultou na redução da pena do réu.
Segundo Andrigge, o 3D foi utilizado para demonstrar aos jurados, juiz, promotor e a comunidade, a dinâmica dos fatos de acordo com o laudo, provas, imagens e depoimentos apresentados nos autos. “Foi uma reconstituição real dos fatos em animação 3D com base no que consta no processo, nada é inventado. A animação simulou circunstâncias, personagens e ambientes em que os fatos aconteceram”, explica.
SeguirA ilustração, conforme o advogado, facilita a compreensão do magistrado e dos jurados e a realidade virtual representa digitalmente ambientes e objetos reais, além de torná-los interativos. Andrigge ressalta que advogados já estão usando esses dispositivos para potencializar a produção de provas em processos criminais.
Projeto 3D foi usado pelo advogado Luiz Andrigge. — Foto: Edriane Teló/Oeste Capital/ND“Isso permite que jurados, advogados e promotores de justiça inspecionem o local dos fatos de qualquer ângulo e oferece aos jurados mais insights do que qualquer fotografia. Uma simulação 3D do local do crime fornece também referência espacial, possibilitando que o Conselho de Sentença ‘se coloque’ na cena do crime e veja aspectos que normalmente não enxergaria.”
Como resultado do julgamente, o acusado foi condenado a seis anos de prisão em regime aberto. Da sentença cabe o recurso e o réu teve o direito de recorrer em liberdade. O Ministério Público de Santa Catarina informou que recorrerá da sentença.
De acordo com o advogado, uma das tentativas de homicídio qualificado foi desclassificado para disparo de arama de fogo. A pena aplicada quanto a tentativa de homicídio foi de quatro anos e outros dois anos por disparo de arma de fogo.
“Vale salientar que o meu cliente ficou preso preventivamente por 11 meses e 10 dias. Na sentença foi concedido o direito de responder o restante do processo em liberdade, pois, não estavam presentes os requisitos da prisão preventiva”, acrescenta Andrigge.
Entenda o crime
O caso julgado trata-se de dupla tentativa de homicídio qualificada, envolvendo também um policial militar, que não estava de serviço. O fato ocorreu no dia 24 de junho de 2019, iniciando no pátio de um posto de combustíveis e terminando em frente ao mercado no bairro Líder. Inicialmente foram denunciados três pessoas, mas apenas uma foi pronunciada e levada a júri popular.