Psicóloga alerta para uso excessivo de internet e tecnologia por crianças e adolescentes

Crianças de até dois anos não devem ter contato com tecnologia e, após esta idade, o uso de ser de no máximo 2h por dia

Felipe Alves Florianópolis

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No shopping, no restaurante, em eventos familiares ou em casa, os aparelhos tecnológicos e a internet viraram parte do cotidiano e têm diminuído o contato pessoal. Se o excesso de uso é prejudicial à qualquer pessoa, para crianças e adolescentes os efeitos podem ser ainda mais nocivos e é preciso atenção dos pais e responsáveis para os limites e cuidados na hora de usar as tecnologias.

De acordo com a pediatra e psicóloga Catarina Costa Marques, o ideal é que crianças de até dois anos não tenham contato com tecnologia. Após esse período, o uso deve ser ainda limitado a duas horas por dia. Mas, na prática, em um mundo rodeado por celulares, tablets, computadores e TVs, os pequenos têm acesso cada vez mais cedo a este tipo de informação.

Os riscos e prejuízos são os mesmos tanto para crianças quanto para adolescentes. “Para a criança, isso pode trazer algumas alterações nas fases de desenvolvimento, porque ela não está preparada para receber a quantidade de estímulos que a tecnologia traz. Em crianças e adolescentes, isso pode diminuir a concentração, a memória e trazer repercurssões para o desenvolvimento psicossocial, além do isolamento e sedentarismo”, explica.

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Para evitar esses problemas mais comuns e até casos mais graves como pedofilia, a orientação é sempre estar atento aos movimentos das crianças e adolescentes na internet e ter um relacionamento aberto e transparente com eles. “Com crianças pequenas deve haver um monitoramento direto tanto de tempo quanto de qualidade do que está sendo acessado, como os tipos de programas e conteúdos. Depois dos 12 anos tem que haver uma supervisão e estabelecer vínculos de conexão com os filhos. Eles devem saber que estão sendo supervisionados e por isso é importante o vínculo entre pais e filhos para que tenham essa comunicação”, afirma Catarina.

Para a pediatra e psicóloga Catarina Costa Marques, o ideal é que crianças de até dois anos não tenham contato com tecnologia - Marco Santiago/ND
Para a pediatra e psicóloga Catarina Costa Marques, o ideal é que crianças de até dois anos não tenham contato com tecnologia – Marco Santiago/ND

Exemplo de casa

Antes mesmo de proibir ou limitar o uso de tecnologias às crianças, é preciso que os pais façam uma autocrítica e sirvam também como exemplo dentro de casa. “Os pais estão muito conectados e vejo isso como um risco para a família inteira. Os pais dizem, por exemplo, que não é para a criança usar na mesa, mas os pais acabam usando. Então temos que nos perceber. As crianças fazem o que veem e não o que falamos”, diz a psicóloga Catarina Costa Marques.

Para evitar conteúdos indesejados para crianças, filtros de segurança em televisões e restrições na internet podem ser programados, mas sempre é preciso haver a supervisão de um adulto. Entre os problemas encontrados na internet, Catarina cita, além da pedofilia, grupos que incitam violência, redes de meninas que têm transtornos alimentares e ensinam como burlar os pais e grupos de automutilação. “Existem muitos perfis fakes e essas amizades virtuais têm um risco que têm que ser avaliado”, afirma.

Acesso de crianças à internet

No Brasil, de acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, oito em cada dez crianças e adolescentes (82%) com idades entre 9 e 17 anos, usam a internet. O uso de equipamentos móveis para acessar a internet é quase predominante nesta faixa etária.

Estima-se que 91% tenham utilizado smartphones para navegar na internet no último ano. Em 2012, essa proporção era de 21%.

Um estudo feito pela organização britânica Internet Matters com 1.500 famílias descobriu que 48% das crianças de seis anos fazem uso das tecnologias e que 41% delas acessam a internet sem nenhuma supervisão dos pais. A psicóloga Catarina Costa Marques acredita que é preciso resgatar cada vez mais outras possibilidades de estímulos às crianças, como praticar esportes, passeios ao ar livre e momentos de verdade em família, como uma ida ao cinema e até um jogo de tabuleiro em casa. 

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