Cientistas da UFSC criam embalagem ‘revolucionária’ que muda de cor quando a comida estraga

Professor e idealizador da pesquisa e descoberta realizada na UFSC conversou com o portal ND+ para explicar o feito

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Já pensou em olhar a geladeira e saber, só pela cor, que um alimento está estragado? Isso, talvez, te pouparia muito tempo.  Foi isso que pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) pensaram ao começar uma pesquisa que durou cerca de um ano.

Embalagens da UFSC mudam de cor com alimentos estragadosEmbalagens mudam de cor quando alimentos estão estragados – Foto: Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND

A descoberta, que envolveu três professores e quatro doutorandos da universidade, gerou uma embalagem que muda de cor quando os alimentos estragam.

O líder da pesquisa, professor doutor Pedro Luiz Manique Barreto, contou ao portal ND+ que a ideia já nasceu em sua mente há pelo menos 8 anos.

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“A ideia de trabalhar com filmes ou embalagens inteligentes e ativas já vem desde minha tese de doutorado. (…) Em 2015, com o ingresso da mestranda Michelle Heck Machado tivemos a ideia de criar uma embalagem que avisasse quando o alimento estivesse em processo de deterioração. Então, elaboramos um filme biodegradável com uma substância sinalizadora microencapsulada”, conta.

Fotos da pesquisa da UFSC

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    Professor conta que a descoberta, que envolveu três professores e quatro doutorandos da universidade - Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND
    Professor conta que a descoberta, que envolveu três professores e quatro doutorandos da universidade - Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND
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    Amostras da pesquisa - Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND
    Amostras da pesquisa - Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND
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    Pesquisadores se dedicaram para encontrar embalagem diferenciada que muda de cor - Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND
    Pesquisadores se dedicaram para encontrar embalagem diferenciada que muda de cor - Reprodução/Pedro Luiz Manique Barreto/ND

A mudança

A mudança funciona da seguinte forma: o filme que embala os alimentos tem a cor vermelha, mas, se há alterações e a embalagem fica verde, este é o sinal de alerta de que houve deterioração. Assim, o consumidor descobre que aquele alimento não deve mais ser consumido.

Inicialmente, segundo o pesquisador, a embalagem foi testada para pescados e podia facilmente ser aplicada na economia de Florianópolis.

“Sim, creio que é possível usarmos essa embalagem para envolver pescados e vendê-los em supermercados”, conta.

Próximos passos

De acordo com o doutor, a embalagem está em processo de patenteamento e em breve os planos são para que a pesquisa possa contribuir para uma maior segurança microbiológica dos alimentos, em especial, no pescado.

Pesquisador da UFSC mostra embalagem para pescados Pesquisador fala que embalagem poderia envolver pescados – Foto: Leo Munhoz/ND

“Qualquer pescado de origem marinha ou de água doce é um produto que pode ser aplicado nesta embalagem ou na forma de uma etiqueta (menor área superficial de contato)”, finaliza.

Os alimentos estragados

De acordo com o site oficial do Ministério da Saúde, o consumo de alimentos estragados, incluindo peixe, pode resultar em diversos problemas de saúde devido à presença de bactérias, toxinas e outros contaminantes.

Os alimentos podem desencadear intoxicação alimentar, caracterizada por sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais e febre.

Além disso, o consumo de alimentos deteriorados aumenta o risco de infecções bacterianas no trato gastrointestinal, podendo variar em gravidade dependendo do tipo de bactéria envolvida.

Algumas espécies de peixes podem acumular toxinas, como a ciguatera ou histamina. A ciguatera está associada a peixes de recifes tropicais, enquanto a histamina é formada quando o peixe não é armazenado adequadamente.

As toxinas podem causar sintomas como náuseas, vômitos, dores de cabeça, entre outros.

O consumo de alimentos estragados, incluindo peixe, também aumenta significativamente o risco de contrair doenças transmitidas por alimentos. Isso pode ocorrer mesmo em pequenas quantidades, pois as bactérias causadoras de doenças podem se multiplicar rapidamente.

UFSC faz nova embalagem e Ministério recomenda cuidados Ministério da Saúde alerta sobre cuidados – Foto: Leo Munhoz/ND

Além disso, pessoas alérgicas a frutos do mar estão em risco de reações alérgicas graves ao consumir peixe estragado. A deterioração do peixe pode aumentar a presença de alérgenos e substâncias que desencadeiam reações alérgicas.

Para prevenir problemas de saúde associados ao consumo de alimentos estragados, é crucial seguir boas práticas de segurança alimentar ao comprar, armazenar, preparar e consumir peixes.

O Ministério recomenda garantir que o peixe seja mantido refrigerado adequadamente, verificar a frescura antes da compra, cozinhar completamente e estar atento a possíveis sinais de deterioração, como cheiro desagradável, textura pegajosa ou mudança na cor. Caso haja suspeita de que um peixe esteja estragado, é recomendável evitá-lo para prevenir problemas de saúde. Em caso de sintomas de intoxicação alimentar, buscar atendimento médico é fundamental.

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