Pesquisadores que integram o chamado CTC (Centro Tecnológico) da UFSC estão desenvolvendo uma nova tecnologia de geração de energia eólica, ou tecnicamente chamados de aerogeradores com aerofólios cabeados.
Projeto está sendo desenvolvido dentro dos laboratórios da UFSC – Foto: UFSC/Divulgação/NDEm resumo, a ideia traz o tracionamento através de uma pipa (kite), de um cabo que está enrolado no tambor de um gerador que fica no solo.
Pioneiro na América Latina, e a equipe de cientistas de Florianópolis planeja lançar até o fim do ano um protótipo gerando energia, para assim conseguirem um financiamento para o projeto piloto nos próximos anos.
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A pipa é conectada a um cabo que se distancia à medida que é compelida pelo vento, realizando uma trajetória em forma de oito até levar o cabo ao seu limite. Após isso, o cabo é puxado de volta para que seu ciclo se repita, de forma que a força necessária para puxar o cabo é apenas uma fração da energia produzida, conservando energia durante o processo.
A unidade de solo pode ser facilmente transportada de um lugar para o outro A tecnologia se diferencia das turbinas eólicas pela capacidade de captar ventos mais constantes, já que consegue alcançar uma altura de 600 a 800 metros, enquanto os equipamentos dos parques eólicos convencionais atingem em média 130 metros.
Além disso, o equipamento é mais leve e acessível, pois o gerador que compõe a unidade solo é de fácil manutenção e os materiais da pipa são mais baratos.
O aerogerador também possui vantagens ecológicas, como o fato de cabos e tecido das asas serem recicláveis, facilitando o descarte dos recursos após a validade, enquanto o descarte dos materiais das torres eólicas está formando um verdadeiro “cemitério” desses materiais mundo afora. Como a asa opera em grandes altitudes, o ruído de deslocamento da asa e a poluição visual são menores.
“Também é possível, com tecnologia já existente, detectar a chegada de pássaros e desviar a operação da asa da rota de migração, evitando assim, a morte de muitos pássaros”, diz o pesquisador Alexandre Trofino.
Sobre o projeto
O protótipo da UFSCkite é o único que é capaz de alçar voo sem a necessidade de ventos em baixa altitude. A expectativa do grupo é viabilizar comercialmente essa tecnologia no Brasil nos próximos anos, mas investimentos são necessários para poderem abrir uma empresa.
Após os testes em curso com o protótipo atual, o grupo de pesquisadores estipula um prazo de quatro anos para construção da planta piloto e de três anos para transformá-la num produto comercializável.
O ex-integrante da equipe, Roberto Crepaldi, resume quem seria o público beneficiado com essa nova opção: “O mercado interessado seriam as pessoas que se interessassem em pagar mais barato na energia e para ter essa obtenção de energia de uma forma menos impactante”.