Governo Federal aguarda levantamento dos estragos para anunciar repasse a Santa Catarina

Coronel Alexandre Lucas fala sobre as ações de reconstrução do Estado; membros do governo de Santa Catarina acompanham a coletiva

Caroline Borges Florianópolis

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A Defesa Civil Nacional ainda espera um levantamento final sobre os prejuízos causados pelo ciclone que atingiu Santa Catarina no início da semana. De acordo com o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, também não há previsão de quanto o governo federal irá repassar ao Estado. 

Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (3) em Florianópolis, Alexandre afirmou que o prazo para os recursos ainda não estão acertados. “Para liberar os recursos, nós precisamos a quantidade [de danos], até porque o desastre foi muito grande e os recursos são escassos”, afirmou.

Bairro de Ratones, em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/NDBairro de Ratones, em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

Em estado de Calamidade desde quinta-feira (2), Santa Catarina registrou danos em pelo menos 153 municípios. O índice representa 51% de seu território. Nove mortes foram confirmadas e há duas pessoas desaparecidas.

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Chamado de ‘ciclone bomba’, o fenômeno provocou rajadas de vento que ultrapassaram os 130 km/h. Os municípios ainda contam os estragos. 

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Canal direto com Defesa Civil Nacional

Conhecida por ser palco de fenômenos climáticos, Santa Catarina é já tem experiência com tragédias naturais. Bem por isso, gestores e prefeitos poderão usar um canal direto com a Defesa Civil Nacional para tirar dúvidas sobre os processos e pedidos de recursos. Segundo Alexandre, o projeto é uma experiência nova e serve para agilizar o processo de repasse financeiro. 

“[Vamos] criar um canal permanente de capacitação e consultoria aos municípios e manter pessoas disponíveis durante todo o dia para que, a qualquer hora do dia, o município possa se ligar diretamente com a Defesa Civil Nacional e com os nossos técnicos que analisam os processos e liberam os recursos”, afirmou. 

Além de detalhar o projeto, Alexandre elogiou a estruturara da Defesa Civil catarinense e a rapidez para minimizar os impactos do ciclone. “Santa Catarina é referência nacional por seu preparo e capacidade em responder aos seus desastres”.

Conforme o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, Charles Alexandre Vieira, há 15 batalhões com equipes especializadas e treinadas para atender ocorrências desta natureza.

Sobrevoo

Nesta tarde, a comitiva nacional irá sobrevoar Governador Celso Ramos. De acordo com a Defesa Civil do Estado, o município é um dos mais afetados pelo ciclone. No sábado (4), é previsto que o presidente Jair Bolsonaro se junte ao grupo e conheça outros locais mais atingidos.

“Eu conversei com a Defesa Civil Estadual e foi uma das cidades mais atingidas então ela vai ser a primeira cidade, mas o Ministro Rogério Marinho disse que devemos ficar aqui o tempo necessário para conhecer todo o problema”, disse Alexandre. 

Setores mais atingidos

A passagem do ciclone, além de deixar muitos catarinenses sem energia e casas destelhadas atingiu principalmente as áreas da Educação e Infraestrutura.

Palmitos, no Oeste, é a quinta cidade a decretar situação de emergência – Foto: Prefeitura Municipal de Palmitos/NDPalmitos, no Oeste, é a quinta cidade a decretar situação de emergência – Foto: Prefeitura Municipal de Palmitos/ND

Conforme Thiago Vieira, secretário estadual de Infraestrutura e Mobilidade, o balanço parcial é de que ao menos 238 escolas tenham sido afetadas.

Em relação às rodovias, 25 ficaram parcial ou totalmente obstruídas. “Todas elas já foram liberadas”, afirmou Tiago. 

Na área da Educação, o município que precisará de mais ajuda será Palmitos, no Oeste. O ginásio de uma escola em construção veio abaixo com o vendaval. Em outro bairro, a viga que dá sustentação ao teto de outra unidade escolar foi comprometida.

Alerta foi enviado até 3 hora antes, diz Defesa Civil

Na entrevista coletiva, o chefe da Defesa Civil do Estado, João Batista Cordeiro Júnior, afirmou que todas as regiões afetadas “receberam alarmes específicos, entre duas e três horas” antes da chegada do ciclone.

Conforme João, o monitoramento do fenômeno foi feito através do Serviço de Alerta do Estado, que é referência nacional e internacional. “Nós estamos ampliando essa cobertura. Foi feita a aquisição de um radar para a região Norte e estamos agora em fase de licitação da torre deste novo radar”, disse.