Foram 14 ocorrências de desastres hidrológicos ao longo do ano de 2023 registradas em Brusque, no Vale do Itajaí. O município ocupa a 4° posição no ranking de cidades brasileiras com maior número de desastres naturais no ano passado. Os dados foram divulgados pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Brusque é a 4° cidade brasileira com maior número de desastres naturais em 2023 – Foto: Prefeitura de Brusque/Reprodução/NDDe acordo com o levantamento, o Brasil bateu recorde de ocorrências de desastres hidrológicos e geohidrológicos em 2023, chegando a marca de 1.161 eventos de desastres. Os transbordamentos de rios e deslizamentos de terra lideram a pesquisa, sendo 716 associados a eventos hidrológicos e 445 de origem geológica, respectivamente.
Em Brusque, especificamente, o município enfrentou a terceira maior enchente de sua história em 2023, com o Rio Itajaí Mirim transbordando de sua calha em 11 ocasiões, sendo que, em uma delas, no dia 17 de novembro de 2023, o pico alcançou 8,96 metros, o terceiro maior registro da história do município.
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Rio Itajaí Mirim saiu da calha 11 vezes – Foto: Almir Rodrigues/NDTVAlém de Brusque, outro município catarinense aparece no ranking do Cemaden com mais desastres naturais em 2023. Trata-se de Xanxerê, no Oeste do Estado de Santa Catarina.
Confira a lista de cidades com maior número de ocorrências
- Manaus (AM) – 23
- São Paulo (SP) – 22
- Petrópolis (RJ) – 18
- Brusque (SC) – 14
- Barra Mansa (RJ) – 14
- Salvador (BA) – 11
- Curitiba (PR) – 10
- Itaquaquecetuba (SP) – 10
- Ubatuba (SP) – 9
- Xanxerê (SC) – 9
O número de alertas emitidos ao longo do ano de 2023 também aumentou. O Cemaden emitiu um total de 3.425 alertas para os 1.038 municípios monitorados, sendo 1.813 alertas hidrológicos e 1.612 alertas geohidrológicos. Este é o terceiro maior de emissão de alertas de desastres desde a criação Centro de Monitoramento, em 2011.
Ranking de alertas de desastres emitidos em 2023 – Foto: Cemaden/Reprodução/NDO Vale do Itajaí aparece entre as regiões que mais receberam alertas da instituição, assim como o Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Entre as cidades, Petrópolis lidera o ranking, com 61 alertas, na sequência de São Paulo com 56, e Manaus 49.
O Cemaden também divulgou o número de mortes associadas a eventos relacionados a chuvas. Foram 132 em 2023, com 9.263 pessoas feridas e 74 mil desabrigados. No total, 524 mil pessoas ficaram desalojadas. As regiões Sul, municípios de regiões metropolitanas das grandes capitais, vale do Maranhão, sudeste do Pará e municípios ribeirinhos do rio Amazonas foram os mais afetados.
Os danos materiais também aparecem na lista. Os prejuízos econômicos chegam até R$ 25 bilhões, somadas as áreas pública e privada. Em Brusque, um levantamento da Secretaria de Obras e Serviços Urbanos apontou um prejuízo de quase R$30 milhões no município. Os danos foram concentrados nas margens da Avenida Beira Rio, mas se estenderam por diversos bairros da cidade.
Os danos na Avenida Bepe Rosa, a margem direita da Beira Rio, alcançaram o valor de R$ 8.986.595,20. Já na Avenida Luiz Henrique da Silveira, a margem esquerda, os danos foram na casa dos R$ 6.371.496,32. Somados, os estragos nas duas margens trouxeram um prejuízo de R$ 15.358.091,52.
Conforme a secretaria, os prejuízos não ficaram somente na Beira Rio. A Ponte Arthur Schlosser, também conhecida como Ponte do Terminal, sofreu um dano estimado em R$ 2.023,00, em grande parte, devido ao problema em uma de suas cabeceiras. Ainda segundo a Prefeitura Municipal, a estrutura da ponte suportou tranquilamente as cheias, sem sofrer abalos na estrutura.
Diversos pontos da cidade também foram prejudicados por conta de enxurradas, deslizamentos, quedas de árvores, acúmulo de entulhos, também incluídos no relatório, somando mais de R$ 10 milhões em perdas.