Chapecoense relata angústia no meio do furacão Ian: ‘barulho aterrorizante’

João Maciel vive na Flórida há cerca de 20 anos e é o segundo furacão que viu de perto

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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O catarinense João Maciel é natural de Chapecó, no Oeste do Estado, mas há 20 anos mora nos EUA (Estados Unidos da América). Nos últimos dias, viveu, com milhares de americanos, a angústia pela passagem do furacão Ian. Nos telejornais, os alertas eram de que o furacão que se aproximava chegaria com a força da categoria 4 e foi o que aconteceu.

furacão IanJoão Maciel mora há 20 anos nos Estados Unidos e já viu dois furacões. – Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Maciel possui três casas em Fort Myer, na Flórida, onde o furacão passou com maior intensidade, deixando rastros de destruição com ventos que chegaram a 250 km/h. Em uma das casas, ele deixou o carro que utiliza para o trabalho atravessado na frente da porta da garagem para minimizar os riscos de a garagem ser arrancada.

Apesar do medo, as casas não foram danificadas e as famílias que lá moram estão em segurança. “Minha maior preocupação era com eles, porque são famílias com crianças. Graças a Deus eles não foram atingidos, mas nos arredores as cenas são de destruição”.

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A força do furacão foi tão intensa que parte de uma ponte que dá acesso à ilha de Sanibel, na Flórida, foi derrubada. “Para chegar lá, agora, só de helicóptero. Tem muitos idosos que vivem lá que estão ilhados.”

Árvores foram arrancadas com a força do furacão. – Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/NDÁrvores foram arrancadas com a força do furacão. – Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

O catarinense mora atualmente em Orlando, onde a passagem do furacão foi menos intensa, mas ainda assim, presenciou muita chuva e ventos fortes. “O vento do furacão é direto e constante, é aterrorizante. A maior preocupação é não saber o que vai acontecer.”

Apesar de não ter sido diretamente atingido pela força do furacão Ian, Maciel lamenta tanta destruição. “Estou vendo pela televisão, tem pedaços de casas espalhadas. É muito triste.”

Maciel lembra que já viveu a passagem de outro furacão. Em 2017 viu de perto a força do furacão Irma, que também causou danos catastróficos. “É muito feio, tem que ter coragem para ficar perto.”

Em Fort Mayer as ruas ficaram totalmente alagadas e a impressão é de que as casas estão dentro do mar. – Vídeo: Arquivo Pessoal Divulgação ND (6)

Nos noticiários americanos a destruição é mostrada a todo momento. – Vídeo: João Maciel Arquivo Pessoal Divulgação ND

Equipes de prontidão

O governo americano alertou dias antes sobre a passagem do furacão e orientou às famílias que viviam em regiões de maior risco para que evacuassem suas casas e fossem para locais seguros. Algumas procuraram abrigo na casa de familiares e hotéis. Já outras, foram acolhidas em abrigos feitos em escolas.

O catarinense conta que as equipes de ajuda ficam de prontidão quando um furacão se aproxima e a resposta de atendimento é rápida. “Os bombeiros trabalham muito e agora pela manhã, por exemplo, o exército estava passando pelas ruas ajudando as pessoas.”

João Maciel mostra a fila de carros em um dos poucos postos de gasolina abertos nesta quinta-feira (29) e a fila de caminhões a postos para socorros em energia elétrica. – Vídeo: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Destruição

O furacão Ian perdeu intensidade durante a madrugada após afetar a Flórida com chuvas torrenciais e ventos potentes, o que provocou inundações “catastróficas” e cortes de energia elétrica na região.

Segundo a AFP (Agência de Notícias Francesa), a Guarda Costeira procurava 20 migrantes desaparecidos após um naufrágio ao sul da rota do furacão. Três pessoas foram resgatadas e quatro conseguiram nadar até a costa.

Ian, que devastou o Oeste de Cuba nos últimos dias, deve seguir pelo interior da Flórida, emergir sobre o Oceano Atlântico e acabar afetando os estados da Geórgia e da Carolina do Sul, segundo previsões do NHC.

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    Árvores foram arrancadas com a força do furacão. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
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    Árvores foram arrancadas com a força do furacão. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
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    Árvores foram arrancadas com a força do furacão. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
    Árvores foram arrancadas com a força do furacão. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
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    Casas na vizinhança de uma das casas de João em Fort Mayer foram danificadas. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
    Casas na vizinhança de uma das casas de João em Fort Mayer foram danificadas. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
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    Maciel mostra como os carros são colocados atravessados na porta das garagens para tentar minimizar os impactos do furacão contra a casa. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
    Maciel mostra como os carros são colocados atravessados na porta das garagens para tentar minimizar os impactos do furacão contra a casa. - João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Desastre bilionário

Segundo alertas do NHC (Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos), a passagem do furacão pode causar um desastre bilionário na Flórida. O governador Ron DeSantis declarou situação de emergência em 67 condados. “É preciso entender que os impactos serão muito maiores”.

Em Orlando, supermercados amanheceram fechados nesta quinta-feira (29). — Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/NDEm Orlando, supermercados amanheceram fechados nesta quinta-feira (29). — Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

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