O catarinense João Maciel é natural de Chapecó, no Oeste do Estado, mas há 20 anos mora nos EUA (Estados Unidos da América). Nos últimos dias, viveu, com milhares de americanos, a angústia pela passagem do furacão Ian. Nos telejornais, os alertas eram de que o furacão que se aproximava chegaria com a força da categoria 4 e foi o que aconteceu.
João Maciel mora há 20 anos nos Estados Unidos e já viu dois furacões. – Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/NDMaciel possui três casas em Fort Myer, na Flórida, onde o furacão passou com maior intensidade, deixando rastros de destruição com ventos que chegaram a 250 km/h. Em uma das casas, ele deixou o carro que utiliza para o trabalho atravessado na frente da porta da garagem para minimizar os riscos de a garagem ser arrancada.
Apesar do medo, as casas não foram danificadas e as famílias que lá moram estão em segurança. “Minha maior preocupação era com eles, porque são famílias com crianças. Graças a Deus eles não foram atingidos, mas nos arredores as cenas são de destruição”.
SeguirA força do furacão foi tão intensa que parte de uma ponte que dá acesso à ilha de Sanibel, na Flórida, foi derrubada. “Para chegar lá, agora, só de helicóptero. Tem muitos idosos que vivem lá que estão ilhados.”
Árvores foram arrancadas com a força do furacão. – Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/NDO catarinense mora atualmente em Orlando, onde a passagem do furacão foi menos intensa, mas ainda assim, presenciou muita chuva e ventos fortes. “O vento do furacão é direto e constante, é aterrorizante. A maior preocupação é não saber o que vai acontecer.”
Apesar de não ter sido diretamente atingido pela força do furacão Ian, Maciel lamenta tanta destruição. “Estou vendo pela televisão, tem pedaços de casas espalhadas. É muito triste.”
Maciel lembra que já viveu a passagem de outro furacão. Em 2017 viu de perto a força do furacão Irma, que também causou danos catastróficos. “É muito feio, tem que ter coragem para ficar perto.”
Em Fort Mayer as ruas ficaram totalmente alagadas e a impressão é de que as casas estão dentro do mar. – Vídeo: Arquivo Pessoal Divulgação ND (6)
Nos noticiários americanos a destruição é mostrada a todo momento. – Vídeo: João Maciel Arquivo Pessoal Divulgação ND
Equipes de prontidão
O governo americano alertou dias antes sobre a passagem do furacão e orientou às famílias que viviam em regiões de maior risco para que evacuassem suas casas e fossem para locais seguros. Algumas procuraram abrigo na casa de familiares e hotéis. Já outras, foram acolhidas em abrigos feitos em escolas.
O catarinense conta que as equipes de ajuda ficam de prontidão quando um furacão se aproxima e a resposta de atendimento é rápida. “Os bombeiros trabalham muito e agora pela manhã, por exemplo, o exército estava passando pelas ruas ajudando as pessoas.”
João Maciel mostra a fila de carros em um dos poucos postos de gasolina abertos nesta quinta-feira (29) e a fila de caminhões a postos para socorros em energia elétrica. – Vídeo: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Destruição
O furacão Ian perdeu intensidade durante a madrugada após afetar a Flórida com chuvas torrenciais e ventos potentes, o que provocou inundações “catastróficas” e cortes de energia elétrica na região.
Segundo a AFP (Agência de Notícias Francesa), a Guarda Costeira procurava 20 migrantes desaparecidos após um naufrágio ao sul da rota do furacão. Três pessoas foram resgatadas e quatro conseguiram nadar até a costa.
Ian, que devastou o Oeste de Cuba nos últimos dias, deve seguir pelo interior da Flórida, emergir sobre o Oceano Atlântico e acabar afetando os estados da Geórgia e da Carolina do Sul, segundo previsões do NHC.
Desastre bilionário
Segundo alertas do NHC (Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos), a passagem do furacão pode causar um desastre bilionário na Flórida. O governador Ron DeSantis declarou situação de emergência em 67 condados. “É preciso entender que os impactos serão muito maiores”.
Em Orlando, supermercados amanheceram fechados nesta quinta-feira (29). — Foto: João Maciel/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND