Chuva de estrelas cadentes anima astrônomos em dezembro; saiba como ver em SC

Fenômeno deve ocorrer na noite da próxima terça (13) para quarta-feira (14) e pode ser visto por admiradores; veja as condições e como encontrar

Lorenzo Dornelles Florianópolis

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Um brilhante e colorido fenômeno promete animar os céus neste mês de dezembro. A chuva de estrelas cadentes de Geminídeos deve ocorrer entre a noite da próxima terça (13) e quarta-feira (14), e anima astrônomos e entusiastas ao redor do planeta.

O melhor de tudo é que sim, você poderá acompanhar o espetáculo de Santa Catarina (se o tempo colaborar). Só fique atento, é preciso saber horário e posição correta no céu. Mas relaxa que o ND+ explica os detalhes.

Registro da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros) em Monte Castelo, Santa Catarina, durante a chuva de Geminídeos de 2020 – Foto: Bramon/Reprodução/YoutubeRegistro da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros) em Monte Castelo, Santa Catarina, durante a chuva de Geminídeos de 2020 – Foto: Bramon/Reprodução/Youtube

O professor de Astrofísica da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Alexandre Zabot, destaca que o evento é cíclico, e ocorre uma vez por ano. Ele reforça que a chuva de Geminídeos é bem conhecida entre os profissionais da área.

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Inclusive, o evento tem se popularizado com o nome de “chuva de estrelas”, mas Zabot explica que o termo é incorreto.

“Na verdade essas chuvas, o pessoal tem um nome popular que é Estrela Cadente, mas na astronomia a gente não usa esse termo, a gente usa meteoros. Então se pegar Estrela Cadente e tirar o ‘Cadente’ fica parecendo que vão cair as estrelas do céu, né? (risos) Mas a estrela não tem nada a ver com esse fenômeno”.

É um fato parecido com a chuva de Orionídeos, que ocorreu em outubro deste ano, na constelação vizinha.

Mas afinal, o que é a chuva de estrelas cadentes?

A chuva de estrelas cadentes, ou de meteoros, acontecem a partir de uma direção no céu, chamada dentro da astronomia de radiante, como esclarece Alexandre Zabot.

“Geralmente a gente localiza ela na direção de alguma constelação. O céu noturno está cheio de estrelas que formam constelações, é como se fosse um mapa, você pode pensar cada constelação como um bairro, existe a constelação de Órion, a constelação dos Gêmeos, constelação de Áries… são 88 constelações”.

O fenômeno que está prestes a ocorrer, a chuva dos Geminídeos, como próprio nome já indica, ocorre na constelação de Gêmeos.

“Então para você ver essa essa chuva, você tem que ficar olhando na direção dos Gêmeos. E também não é em qualquer horário que você vai ver, é no horário em que a constelação de Gêmeos está no céu”.

E vai ser possível assistir em toda Santa Catarina?

Alexandre Zabot garante, é possível ver o fenômeno de qualquer parte do Estado, desde que o céu esteja limpo e estrelado. “Primeiro precisa ter tempo bom, não pode ter nuvens e coisas assim no céu, chovendo não vai dar pra ver, precisa ter o céu estrelado, que já não é fácil em Santa Catarina, né?”, diz o professor de Astrofísica.

“A constelação de Gêmeos está no céu, ela começa a estar um pouquinho mais alta agora nessa época do ano a partir de umas 10h da noite e ao longo da madrugada. O melhor horário que ela está mais alta no céu é em torno da meia-noite, ou 1h”, complementa.

Como encontrar a constelação de Gêmeos no céu?

Você deu a sorte de contar com um lindo e limpo céu estrelado na noite de terça-feira e está pronto para assistir o fenômeno. Mas e agora, como encontrar a tal constelação de Gêmeos? A dica de Alexandre Zabot é a seguinte: ela é vizinha da mais conhecida e inconfundível das constelações.

“A constelação é uma coisa grande, dá um tamanho de uma palma de uma mão, assim, então fica olhando naquela direção. A constelação não é fácil de ser achada por quem não conhece as constelações, mas ela tá bem do lado de uma formação que é muito popular, que são as Três Marias. Então, se as pessoas olharem na direção das Três Marias, elas vão acabar encontrando essa chuva de meteoros”, explica.

As famosas Três Marias, na constelação de Órion – Foto: Marcio Vinicius Pinheiro/Reprodução/Wikimedia CommonsAs famosas Três Marias, na constelação de Órion – Foto: Marcio Vinicius Pinheiro/Reprodução/Wikimedia Commons

O que explica esse fenômeno?

De acordo com a Nasa (Agência Espacial Americana), essas estrelas cadentes são “causadas por uma torrente de destroços deixada pelo asteroide 3200 Phaethon”.

“A Terra passa na direção dos rastros de um asteroide, que deixa pedaços. É um cometa que deixou pedaços pelo espaço e a gente passa por meio deles, como um carro passando em uma nuvem de mosquitos”, exemplifica o professor Zabot.

Estes restos, portanto, caem na atmosfera, e é aí que eles brilham. “Também não é que eles saem da constelação, eles só estão na direção entre a gente e essa constelação desses ‘objetinhos’ aí, que vão fazer essa chuva de meteoros”, conclui.

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