Um ciclone extratropical deixou um rastro de devastação ao passar por Santa Catarina nesta quarta-feira (10). A chuva intensa e os fortes ventos provocados pelo fenômeno alagou casas, interditou ruas e derrubou até uma grande placa de um mercado atacadista.
Joinville ficou alagada após a passagem do ciclone extratropical – Foto: Carlos Jr/NDAo menos 364 pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas, em nove municípios catarinenses, segundo dados da Defesa Civil estadual. Joinville, no Norte, foi o que apresentou maior número de desabrigados.
A maior cidade do Estado ficou debaixo d’água após a passagem do ciclone extratropical. Os estragos continuam sendo contabilizados, mas o cenário era de devastação na quarta-feira e continua na quinta-feira (11), dia de limpeza e empilhar o que foi perdido.
SeguirJoinville vista do alto – Vídeo: Reprodução/ND
O Yachthouse Residence, em Balneário Camboriú, também conhecido como “o prédio do Neymar“, foi flagrado balançando com a força do vento. A imagem foi flagrada pela própria construtora, a Pasqualotto>. Nas imagens, é possível até ouvir o “assobio” que o vento faz quando passa entre as torres.
Imagens mostram oscilação das torres devido ao vento – Vídeo: Pasqualotto> e Reprodução/ND
Barulhos incomuns tiraram a família do seu Darci Dorn, morador de Timbó, da cama por volta das 22h de terça-feira (9). Os barulhos eram os estalos das paredes rachando após o muro de uma residência vizinha em construção desabar em cima da casa da família.
Enquanto ouviam os estalos, uma vizinha já os chamava avisando que o muro estava caindo. Por sorte, todos conseguiram sair a tempo e ninguém se feriu.
Muro de casa em construção desabou sobre residência de morador de Timbó – Vídeo: Moisés Stuker/ND
Em Florianópolis, no Morro da Cruz, o ND+ registrou um episódio que chamou a atenção e, ao mesmo tempo, lembrou episódios de terror. Em um dos corredores da redação, o vento que passava pelas frestas das portas protagonizava um assobio que lembra um filme de Hollywood.
Já na área externa, uma situação ainda mais assustadora: árvores que chegavam a dobrar com a força do vento. Algumas mais antigas não resistiram e as rajadas intensas e quebraram. Cenário que se repetiu em outras regiões do Estado.
Vento cria barulho assustador – Vídeo: Willian Ricardo/ND
A rodovia SC-405, principal acesso à região do Rio Tavares, também na Capital, foi fechada pela PMRv (Polícia Militar Rodoviária) por volta das 11h desta quarta-feira, devido ao acúmulo de água na pista. O desvio foi feito em direção ao novo aeroporto. Por causa disso, o trânsito na região ficou intenso até a diminuição da maré. A liberação da via aconteceu às 17h23.
SC-405, no Rio Tavares, alagada – Vídeo: GMF/Reprodução/ND
O Centro da Capital catarinense apresentou um cenário atípico na manhã desta quarta. As pessoas praticamente “desapareceram” e o baixo movimento deixou as ruas com ares de filme de terror por conta da chuva intensa e dos fortes ventos na cidade.
Câmeras de monitoramento captaram imagens de algumas ruas que, em dias “normais”, registram grande circulação de pessoas.
Rua Felipe Schmidt ficou vazia na manhã desta quarta-feira (10) – Foto: Reprodução/@MonitoramentoSC/NDA chuva forte levou à interdição de três vias municipais em Içara, no Sul do Estado. Na Ponta do Mato, a ponte provisória da rodovia Mário Ghedin foi carregada junto com a estrutura de madeira da construção das cabeceiras da nova ponte.
Içara tem ponte arrancada pelas chuvas – Foto: Divulgação/NDEm Jaguaruna, segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, Maicon Laureano, o momento mais crítico foi nessa terça, quando houve chuva mais intensa, o que provocou algumas enxurradas na região de Morro Azul, Pontão e Sanga Grande.
Uma encosta no município também precisou ser estabilizada e três famílias ficaram desalojadas.
Deslizamento de pedras atingem residência em Jaguaruna- Vídeo: Divulgação/ND
A cidade de Forquilhinha já havia decretado emergência, após as fortes chuvas em maio. Com a passagem desse ciclone, o município foi novamente castigado. Veja as fotos:
Em Porto Belo, a placa do Fort Atacadista despencou na rodovia e por pouco não atingiu quem passava pela região. Moradores registraram o momento em que toda estrutura vai ao chão ao com a força do vento. Nas imagens é possível ver o susto e desespero das pessoas quando a placa vai ao chão e explode. Por segundos um veículo não foi atingido em cheio.
Placa de supermercado caiu devido aos ventos – Vídeo: Reprodução/ND
Um clube flutuante na Barra Sul de Balneário Camboriú, Litoral Norte de Santa Catarina, se soltou e ficou à deriva na manhã desta quarta devido à chuva e aos fortes ventos.
Após se desprender, a estrutura foi para alto-mar, aonde se partiu no meio e naufragou próximo à Ilha das Cabras, na Praia Central. A estrutura, avaliada em R$ 7 milhões, pertence ao empresário e investidor do Rio de Janeiro, Álvaro Garnero, de 54 anos, e aos três sócios Reinaldo Oliveira, Lucas Araújo e Marlon Cristiano.
Imagens mostram embarcação à deriva – Vídeo: Andresa de Sá
Também no Litoral Norte do Estado, uma das pistas do Surreal Park, uma balada eletrônica em Camboriú, foi destruída pelo ciclone extratropical. A pista Nomad, um dos três espaços da balada, foi a prejudicada.
Veja destruição causada pelo ciclone – Vídeo: Surreal Park/Divulgação/ND
Situação no Estado
Levantamento divulgado nesta quinta pela Defesa Civil aponta 364 pessoas desabrigadas ou desalojadas, em nove municípios catarinense, sendo Joinville o de situação mais crítica.
As chuva forte e o vento provocaram estragos em 51 municípios catarinense. Canelinha e São Francisco do Sul decretaram situação de emergência e tiveram os pedidos homologados. Os municípios de Itapoá, Barra Velha, Balneário Barra do Sul, Criciúma e Araranguá também informaram situação de emergência.
Outras cidades também devem decretar, entre elas: Camboriú, Balneário Piçarras, Itajaí, Navegantes, Penha, Porto Belo e São João do Itaperiú.