El Niño pode afetar as chances de neve em Santa Catarina em 2023?

Meteorologista explica como o fenômeno influencia a ocorrência de neve e as temperaturas no Estado, neste inverno

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Enquanto os moradores de Santa Catarina se preparam para a chegada do inverno, uma notícia desanima aqueles que ansiavam pela beleza e encanto dos flocos de neve.

Os efeitos do fenômeno El Niño, que têm impactado o clima global, apontam para uma baixa probabilidade de neve e até de geadas no Estado neste ano.

El Niño pode diminuir a probabilidade de neve em Santa Catarina para 2023Entre as consequências do fenômeno pode estar a diminuição da ocorrência de neve em Santa Catarina- Foto: Pexels/Reprodução/ND

Especialistas climáticos alertam que as condições desfavoráveis associadas ao El Niño estão influenciando os padrões atmosféricos, dificultando a formação dos tão aguardados tapetes brancos que costumam encantar as regiões da Serra e do Oeste de Santa Catarina.

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Para entender melhor a causa desse empecilho, o ND+ conversou com  o meteorologista Piter Scheuer, que esclareceu algumas dúvidas sobre o assunto.

O especialista começa esclarecendo um rumor sobre a probabilidade de neve a partir desta segunda-feira (12).”Não tem chance nenhuma de neve durante esses próximos dias” afirma.

Inverno sem neve?

Agora, com relação ao ano, Scheuer explica que há possibilidade: “Um ou dois episódios de neve ainda pode ter este ano, logicamente que a gente vai monitorando”, diz o especialista.

“O El Niño traz mais chuva, frio úmido, que é o que a gente está vivenciando agora”.

De acordo com Scheuer, a condição de geada, por exemplo, já não é tão frequente no inverno deste ano.

“Até tem alguns episódios de geada previstos esse ano mas não com tanta incidência quanto o ano passado, justamente por conta da influência do El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial” explica o meteorologista.

Mais chuva do que frio

Somando tudo isso, Scheuer explica que “os episódios de neve não deverão ser tão recorrentes, sendo bem pequena a probabilidade para esse ano”, afirma.

Isso se deve porque a chuva será mais frequente, espantando o frio. “As instabilidades provenientes da Argentina, do Paraguai, do Uruguai acabam se mantendo mais presentes no auge do inverno”, explica.

Para Scheuer,  essas tempestades e chuvas que vem se formando na região já são um “sinalzinho” que o El Niño está começando a influenciar o clima. No mês de julho a chuva deve ficar um pouco mais regular.

“Principalmente na segunda quinzena, quando as chuvas devem ser mais volumosas no Oeste e na Serra. No litoral é provável que os meses de agosto, setembro e outubro tenham chuva acima da média com índices pluviométricos além da normalidade”.

“A primavera vai ser o auge do El Niño. Períodos de frio intercalados com períodos de calor num curto espaço de tempo ainda podem  acontecer”, afirma.