Entenda o que é o ciclone bomba que provoca mínimas de -50°C nos Estados Unidos

Fenômeno já deixou 17 mortos e mais de meio milhão de pessoas sem eletricidade; país entrou no seu terceiro dia consecutivo com baixíssimas temperaturas

Marcos Jordão Florianópolis

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Os Estados Unidos foram atingidos por uma nevasca e ventos polares que resultaram em mínimas de -50°C durante o último sábado (24), véspera de Natal, por conta de um ar polar que foi intensificado pelo ciclone bomba.

Nevasca nos Estados Unidos, Oregon, Estados Unidos, – Foto: Oregon Department of Transportation/Divulgação/NDNevasca nos Estados Unidos, Oregon, Estados Unidos, – Foto: Oregon Department of Transportation/Divulgação/ND

O fenômeno já deixou 17 mortos e mais de meio milhão de pessoas sem eletricidade. O país também entrou no seu terceiro dia consecutivo com baixíssimas temperaturas.

Entenda o ciclone bomba

Segundo a AFP, a tempestade foi definida como “única em uma geração” pelo Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, sigla em inglês).

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O frio intenso já era previsto pelo órgão em decorrência da passagem do ar ártico “extremamente frio” que afetaria todo o país até segunda-feira (26).

O meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Olívio Bahia, explica que o termo ciclone bomba ocorre por conta da rápida queda de pressão atmosférica entre 20 a 24 hPa (hectopascal, unidade de medida da pressão atmosférica) em cerca de 24 horas.

“É uma queda muito brusca e potencializa o sistema que está atuando. O nome bomba vem da função da caída. É um ciclone, mas que está bem intenso. No caso dos Estados Unidos, ele intensifica o frio”, detalha Olívio Bahia.

Alerta para os próximos dias

O Serviço Nacional de Meteorologia americano alerta que a onda de frio deve seguir até a próxima terça-feira (27). O ar ártico permanece envolvendo grande parte do Oeste dos Estados Unidos e provocando nevascas.

As baixas temperaturas combinadas com as fortes rajadas de vento permanecem trazendo risco aos viajantes e animais. “Em algumas áreas, estar ao ar livre pode levar ao congelamento em minutos. Garanta que os animais ao ar livre tenham abrigo suficiente”, alerta o NWS.

A orientação do órgão é que as pessoas permaneçam em casa por conta do risco de morte em decorrência do frio. Na sexta-feira (23), os ventos gelados derrubaram a temperatura para 48 graus negativos.

A governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, mobilizou a Guarda Nacional no condado de Erie e em Buffalo.

A situação em Buffalo, na fronteira com o Canadá, é particularmente difícil. Um casal disse à AFP que, com as estradas intransitáveis, não pretendia fazer a viagem de apenas 10 minutos para visitar a família no Natal.

“No momento, conseguimos ver do outro lado da rua, mas à noite não conseguíamos ver além de nossa varanda”, disse Rebecca Bortolin, 40 anos.

A tempestade classificada como “histórica” afeta o país desde quarta-feira. Os ventos polares provocam nevascas, especialmente na região dos Grandes Lagos.

Mortes nos Estados Unidos

De acordo com a AFP, até o momento, as autoridades confirmaram 17 mortes em oito estados provocadas pela tempestade.

Algumas mortes aconteceram nas rodovias. Em Ohio, quatro pessoas faleceram em acidentes relacionados com a tempestade.

Cidades como Denver e Chicago abriram locais de refúgio para receber desabrigados e protegê-los do risco de hipotermia. A temperatura negativa pressionou o sistema de energia elétrica e milhões de pessoas ficaram sem luz em suas residências.

A energia elétrica foi restabelecida em grande parte da região afetada no sábado à noite, mas em algumas cidades os moradores foram orientados a reduzir o consumo.

Na manhã de domingo (25), quase 173 mil moradores estavam sem energia devido aos efeitos do frio extremo, de acordo com o Poweroutage. Os estados mais afetados eram Maine, Nova York, Virgínia, New Hampshire e Pensilvânia.

Algumas cidades, em particular na Carolina do Norte, precisaram desativar temporariamente o sistema de energia devido à demanda de eletricidade, o que deixou as casas sem aquecimento.

Relembre o ciclone bomba em SC

Santa Catarina também registrou um ciclone bomba no início de julho de 2020. Na ocasião, a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) registrou ventos que chegaram a 168,8 kmk/h entre 5h e 6h do dia 1º de julho.

Efeitos do também foram gravemente sentidos em Chapecó, no Oeste do Estado, em 2020 – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/NDEfeitos do também foram gravemente sentidos em Chapecó, no Oeste do Estado, em 2020 – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/ND

A estação da Epagri na cidade registrou o novo recorde que, até então, pertencia a Celso Ramos e era de 161,9 km/h em 7 de outubro de 2010. Além disso, o evento destacou-se pela ampla área atingida, duração prolongada em algumas regiões.

Das 290 estações mantidas pela Epagri no Estado, cerca de 50 possuem medidores de velocidade e direção do vento e registraram velocidades superiores a 100 km/h.

Segundo a meteorologista Maria Laura Guimarães Rodrigues, cinco das estações registraram velocidades superiores a 118 km/h. Além de Siderópolis, destacaram-se Urupema, na Serra, com 126 km/h, e Indaial, no Vale do Itajaí, com 121 km/h.

Assim como outras sete estações com ventos entre 113 e 117 km/h, e nove delas registraram ventos de 89 a 102 km/h.

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