‘Estamos com medo’: agricultores de Itajaí que perderam tudo em 2011 temem nova enchente

Na Colônia Japonesa, propriedades de agricultores têm sido atingidas pelas chuvas e previsão para final de semana preocupa

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Redação ND Itajaí

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Na localidade da Colônia Japonesa, no interior de Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina, agricultores aguardam aflitos o final de semana. A previsão de fortes chuvas com possibilidade de enchente preocupa aqueles que dependem da agricultura para o sustento familiar.

Agricultores teme que situação de 2011 se repitaMaria Odete e outros agricultores temem que situação de 2011 se repita – Foto: Almir Rodrigues/NDTV

O local, às margens do rio Itajaí-Mirim, foi destruído na enchente de 2011, em que diversas regiões da cidade ficaram embaixo d’água. O medo dos agricultores é que o cenário se repita.

Com as chuvas que caíram entre quarta (4) e quinta-feira (5), o córrego que passa próximo a uma das propriedades extravasou e acabou com metade do plantio de hortaliças.

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Já em outra plantação, da família de Maria Odete Custódio, ainda não há prejuízos, mas o medo dos agricultores é grande. “Em 2011 nós perdemos o que tinha na roça, e agora estamos com medo de perder tudo que temos. O aipim já foi plantado, a batata-doce, cenoura. E se vir como veio em 2008 e 2011, provavelmente vamos perder tudo novamente”, explica.

Como as verduras já foram plantadas, não há muito o que fazer, além de esperar. “Não tem como estocar, porque é hortaliça, se tirar vai apodrecer tudo. Vamos deixar só na roça mesmo e esperar o que vir”, afirma.

Na comunidade do São Roque, as perdas dos agricultores são especialmente na produção de aipim. As famílias que ali vivem produzem e vendem para mercados e para uma cooperativa que abastece escolas municipais. As áreas de plantio ficam ao lado do rio Itajaí-Mirim, próximo à barragem do Semasa.

Agricultores questionam barragem da Semasa

O diretor de saneamento da Semasa, Ervino Ribeiro Macedo, explica que, na realidade, a estrutura é um portão de maré, que somente consegue resolver o problema do sal na água, e não funciona para segurar a água do rio.

“Nós temos esse portão de maré, que a gente comenta que é barragem, mas é um portão de maré. Quando a maré sobe, desce as comportas, fecha. Quando a maré desce, tira as comportas, e o rio faz seu ciclo natural. Então ele não interfere muito na correnteza do rio”, explica.

No local, a Semasa faz o acompanhamento dos entulhos, e um guindaste fica à disposição para remover materiais que possam atrapalhar o escoamento da água. Apesar de ajudar no problema, a estrutura não impede o avanço do rio caso chova em outras cidades do vale.

A captação de água que abastece o município foi normalizada nesta sexta-feira, já que a turbidez diminuiu no ponto de captação. Contudo, o final de semana será de alerta.

A Semasa ainda informa que caso o rio Itajaí-Mirim, que agora está normal, fique com nível alto, caminhões-pipa estarão preparados para abastecer hospitais e outros pontos da cidade.

*Com informações da repórter da NDTV Juliana Senne

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