‘Estão todos exaustos’, diz moradora em meio a tensão e riscos em Florianópolis

Moradores do Morro das Pedras e Lagoa da Conceição viveram momentos de insegurança durante as fortes chuvas; no Norte da Ilha, córrego transbordou e via foi interditada após asfalto ceder

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Redação ND Florianópolis

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Florianópolis enfrentou um fim de semana crítico. Foram cerca de 135 mm de chuva na Capital entre sábado (19) e domingo (20), deixando em alerta principalmente pontos já em perigo, como a Lagoa da Conceição e o Morro das Pedras.

desastres provocados pela chuva em FlorianópolisIlha de Santa Catarina enfrentou uma série de problemas neste fim de semana chuvoso – Foto: Montagem/ND

A formação de um ciclone extratropical também provocou vendaval, ressaca e ondas altas. Todos os setores da Prefeitura de Florianópolis ficaram em prontidão para os riscos. A Capital catarinense foi a quarta cidade no mundo em que mais choveu no sábado, conforme o portal Conexão GeoClima.

Felizmente as preocupações não se concretizaram. Sob risco de ondas maiores que 3 metros, os moradores do Morro das Pedras conseguiram proteger as residências com bags de areia. Até então, 20 propriedades foram afetas pela erosão e 12 edificações foram interditadas.

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A Defesa Civil de Florianópolis realizou duas vistorias nesta segunda-feira (21). A área atingida permanece a mesma notificada na sexta. “O mar está muito agitado, mas a onda dissipa a energia nos bags. Por enquanto está sob controle”, detalha Alexandre Vieira, gerente de operações.

Morro das Pedras nesta segunda-feira. Mar continuava agitado – Foto: Defesa Civil de Florianópolis /Alexandre Vieira/Divulgação/NDMorro das Pedras nesta segunda-feira. Mar continuava agitado – Foto: Defesa Civil de Florianópolis /Alexandre Vieira/Divulgação/ND

Entre os moradores, o fim de semana foi preocupante. “Com a chuva e o ciclone, nós não dormimos. Não sabíamos se as ondas levariam os bags, e se as casas mais em risco seriam derrubadas. Estão todos exaustos”, conta Cinthia Sens, uma das moradoras atingidas da rua Manoel Pedro Vieira.

A comunidade aguarda a conclusão dos estudos da Prefeitura de Florianópolis. Duas decisões do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) determinaram que, em dez dias, medidas sejam tomadas para proteger as residências, com o menor prejuízo ambiental possível.

“Rio” nas dunas

O medo era também com a cheia da lagoa artificial da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) na Lagoa da Conceição. A Prefeitura de Florianópolis estava preocupada que se repetisse o episódio de 25 de janeiro, quando a lagoa rompeu e causou um desastre ambiental.

Na manhã de sexta, quando a lagoa marcava 9,6 metros – próximo ao limite de 10 -, a Casan instalou três motobombas para fazer a transposição da água, despejada em outro trecho da duna. O problema é que a transposição abriu um novo “rio” em meio às dunas.

Excesso de água foi depositado nas dunas – Foto: Jackson Botelho/Divulgação/NDExcesso de água foi depositado nas dunas – Foto: Jackson Botelho/Divulgação/ND

Segundo a Floram (Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis), a Casan não realizou a transposição no local indicado para depositar a água. A drenagem fez com que a água escoasse, formando um rio pelas dunas. A situação preocupa pelo desequilíbrio no ecossistema da região.

A Casan informou à reportagem do ND+ que o problema ocorreu pelo prazo curto para a instalação das motobombas. A Companhia recebeu autorização para instalar o sistema emergencial às 11h de quinta-feira, contando com 30 horas para finalizar a obra.

“O sistema foi instalado para transpor o excesso gerado pelas chuvas para a área mais próxima, considerada tecnicamente de excelente absorção – tanto é que secou apenas quatro horas após a desativação das bombas. Diante do tempo firme desta segunda-feira, a Companhia já estendeu a tubulação mais 250 metros”, informou a Casan.

Interdição na Vargem Grande

Por conta das chuvas, um córrego transbordou na noite de sábado na Estrada Cristóvão Machado de Campo, também chamada de Geral da Vargem Grande, que conecta o bairro aos Ingleses, no Norte da Ilha de Santa Catarina. O trecho foi interditado.

Após o córrego transbordar, Guarda Municipal interditou trecho – Foto: Guarda Municipal de Florianópolis/Divulgação/NDApós o córrego transbordar, Guarda Municipal interditou trecho – Foto: Guarda Municipal de Florianópolis/Divulgação/ND

No trecho, próximo ao número 44, passam dutos com cerca de 2,5 metros. O asfalto cedeu com a água. A via é utilizada como alternativa à SC-401. “É necessária a troca do asfalto e a realização de obras na parte inferior”, explica  Juliano Pioneer, chefe de operações da Guarda Municipal.

A Prefeitura de Florianópolis começou os trabalhos na tarde desta segunda-feira. Pela complexidade da obra, a previsão é que a manutenção e interdição das duas vias permaneçam nos próximos dias. Enquanto a obra é realizada, o tráfego deve ocorrer pela SC-401.

Alagamentos

O Pântano do Sul, no Sul da Ilha de Santa Catarina, foi a região mais atingida com os alagamentos. Foram registrados 144,4 mm de precipitação em 48h. A Avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, precisou ser drenada neste domingo (20), para a retirada da água.

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