Os catarinenses verão mais chuvas em fevereiro do que em janeiro. Isso porque, encerrado o bloqueio atmosférico que influenciou o tempo no mês anterior, as frentes frias poderão entrar novamente em Santa Catarina. O novo “ingrediente” permitirá que as chuvas sejam mais abrangentes – o território atingido será um pouco maior.
Frentes frias serão mais frequentes e permitirão chuvas mais extensas – Foto: Carlos Junior/NDEntretanto as chuvas previstas ainda estão abaixo do que se costuma registrar nos meses de fevereiro, detalha o meteorologista Clóvis Corrêa, da Epagri/Ciram (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina). “Deve chover um pouco a mais que janeiro, mas ficará abaixo da média histórica”, ressalta.
As “chuvas de verão” permanecerão: irregulares, mal distribuídas e caindo principalmente no período da tarde. “É aquela chuva forte que caí naquele local, região e dia. E depois passa um tempão sem ocorrer”, ilustra o meteorologista.
SeguirA novidade é o “deslocamento de frentes frias no litoral catarinense, cavados (áreas alongadas de baixa pressão), convecção da tarde, com pancadas localizadas e de curta duração, com maior frequência entre a tarde e noite, e por vezes na madrugada”, detalha a previsão da Epagri.
Precipitações previstas por região
Segundo o órgão, a chuva deve ocorrer com maior frequência no Litoral, Vale do Itajaí e Norte do Estado. Isso “devido à circulação marítima (transporte de umidade do mar para continente) e a influência da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), sistema responsável por chuva principalmente no centro e sudeste do Brasil”.
- Planalto e Serra: média prevista de 150 a 170 mm;
- Oeste, Meio Oeste e no Litoral: média prevista 190 a 210 mm;
Riscos
O cenário é bem mais ameno do que o registrado em São Paulo, por exemplo, onde as chuvas intensas provocam inundações que deixaram 500 famílias desabrigadas até esta segunda-feira (31). Isso porque a região está sob efeito de fenômenos distintos.
“No Sul da Bahia e em São Paulo, por exemplo, há o efeito do fluxo de umidade da região da Amazônia. Esse fenômeno ocorre nessa época do ano, e atinge especialmente nessa região”, detalha Corrêa.
Há também o fenômeno La Niña na região, que provoca efeito reverso em Santa Catarina: diminui a média das chuvas. ” Aqui, quando as médias estão acima do normal geralmente é efeito o El Niño, que faz com que as frentes ‘estacionem’ aqui”, detalha.
Catarinenses devem ficar atentos aos boletins
Devido a alta incidência de temporais com raios, granizo e ventania, a Epagri/Ciram recomenda que os catarinenses acompanhem diariamente os boletins e informações disponibilizados.
“Tem muita instabilidade, é necessário olhar com frequência. Chuvas pontuais conseguimos prever com no máximo 48h de antecedência”, pontua Corrêa.