A cidade de Presidente Getúlio, no Alto Vale do Itajaí, foi a mais atingida pelas fortes chuvas da madrugada de quinta-feira (17). O cenário é de destruição, trabalho e tristeza na manhã desta sexta (18).
Seu Arnoldo Bertoldi, de 95 anos, e dona Blandina Hoppen, cuidadora dele há cinco anos, contam que rapidamente a casa em que estavam foi alagada.
Moradores após o desastre das chuvas em Presidente Getúlio – Foto: Talita Medeiros/ND“Foi coisa de 10 minutos. Conseguimos chamar os bombeiros e eles nos tiraram da casa pela parte de trás, já com água no peito”, conta dona Blandina. Nesta manhã, começaram a retirar a lama da casa em que moram.
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Casa após as chuvas em Presidente Getúlio – Foto: Talita Medeiros/NDSegundo informações da Defesa Civil de Santa Catarina, foram confirmadas 14 mortes, sendo 11 delas em Presidente Getúlio. Outras duas em Rio do Sul e uma em Ibirama. Até o momento, sete pessoas estão desaparecidas.
A repórter Talita Medeiros, do ND+, está acompanhando a movimentação desta manhã. Ela relata que o cenário é de destruição total e muito pó, com a abertura de sol. O clima é de tristeza pela perda dos moradores e dos bens materiais.
Em uma casa no bairro Revólver, em que estavam cinco pessoas, duas conseguiram se salvar. Uma moradora morreu, Vera Oddorizi, de 48 anos. Já Valter Kloth e Alice Kloth seguem desaparecidos.
Outros dois familiares, de 18 e 56 anos, conseguiram sair vivos. Eles relataram à Glória dos Santos, de 44 anos, como foi no momento da forte chuva. “Na hora, eles se abraçaram e veio a água com tudo e levou eles”, diz.
Casa em que estavam cinco pessoas em Presidente Getúlio. Uma morreu e duas seguem desaparecidas – Foto: Talita Medeiros/NDSegundo o IGP (Instituto Geral de Perícias), foram liberados dois corpos na quinta-feira (17) e cinco na manhã desta sexta. Outros quatro corpos já identificados seguem no caminhão, ao lado do Ginásio Pereirão, no Centro da cidade, aguardando os trâmites de liberação.
Ginásio Pereirão, no Centro de Presidente Getúlio, onde fica o caminhão em que foram colocados os corpos encontrados na tragédia – Foto: Talita Medeiros/NDA solidariedade é vista na manhã desta sexta. Moradores de outras cidades estão ajudando na limpeza da cidade. Um caminhão, com placas de Victor Meirelles, estava ajudando a carregar móveis das casas.
Manhã de luto
O dia seguinte às fortes chuvas é de luto para Cintia Itamara Bozan, de 30 anos. Ela perdeu nove familiares na tragédia, incluindo seu único irmã0 caçula, de 28 anos.
Cintia relata que estava dormindo, quando o marido acordou e viu a forte chuva e os estragos que já estavam acontecendo, como árvores caídas, forte correnteza e poste com curto circuito.
Cintia estava com uma foto de dois familiares, marido e mulher, que morreram em casa na tragédia das chuvas – Foto: Talita Medeiros/NDEles ficaram sozinhos em casa esperando a chuva passar, pois não tinham como sair do local. Conseguiam perceber a água aumentando pelo clarão dos relâmpagos, já que não havia mais energia elétrica.
“A água aumentando, o barulho das pedras rolando, dos galhos. Vimos a lanterna dos meus tios de longe. Em seguida, vimos que foram buscar minha avó pela janela, mas não deu tempo do meu tio voltar para casa, escutamos eles berrar na hora em que a casa foi levada”, relembra.
A moradora conta que não perceberam a gravidade do que aconteceu, mas ao acordarem às 6h, viram que não havia mais a casa da avó. “Minha avó foi a primeira a ser achada, os irmãos, os tios, tudo achado longe. Foi desesperador, estamos sem chão”, diz.