Em Florianópolis, a chuva intensa que atinge a região nos últimos dias, deixa os moradores em alerta para o risco de deslizamentos. “Qualquer encosta está sujeita a escorregamento e com essa chuvarada toda mais ainda”, alerta o geólogo Edes Marcondes do Nascimento.
SC tem registrado chuva intensa que provoca alagamentos e deslizamentos . Imagens da Serra Dona Francisca, onde desmoronamentos interditaram a pista – Foto: Governo de SC/Reprodução/NDA Prefeitura informou que “equipes da Segurança Pública e Infraestrutura estão nas ruas para minimizar os impactos causados pelas chuvas”. O município registrou pontos de alagamentos e queda de árvore.
Até a publicação desta matéria a Defesa Civil Municipal não informou se fazia o monitoramento de alguma área no município.
SeguirEncostas sujeitas a deslizamentos
Edes Marcondes do Nascimento, geólogo e presidente da Associação Profissional de Geólogos de Santa Catarina, alerta que devido a chuva intensa, áreas íngremes estão sujeitas a deslizamentos.
“Qualquer encosta está sujeita a escorregamento e com essa chuvarada toda mais ainda. E o que a gente faz? Corta a base da encosta para fazer uma estrada, fazer uma rua ou construir uma casa. Então, tira o apoio e acaba facilitando que aconteça o deslizamento”, explica.
O profissional salienta que nas encostas, geralmente, a espessura do solo é muito pequena, ela absorve pouca água e forma uma película entre a camada de solo e a rocha, o que forma um escorregador. Segundo ele, com o excesso de chuva, o solo fica encharcado e, o peso do solo e da água, faz descer a camada de terra causando o deslizamento.
Além disso, o geólogo destaca que áreas com inclinação acima de 45 graus não deveriam ser ocupadas. Porém, quando ocupadas, essa ocupação deveria ser feita somente após estudo prévio para determinar possíveis riscos.
Falta de mapeamento de áreas de riscos
“Não temos mapeamento em Florianópolis, assim como não tem no resto do Brasil, de quais pontos são críticos. É uma realidade do Brasil. Nós não temos um mapeamento geológico no país com dados para esse tipo de situação”, alerta o profissional.
Conforme Nascimento, esse mapeamento facilitaria identificar os pontos críticos e permitiria agir preventivamente.
“Com isto, certamente se poupariam muitas vidas e, como sabido, o custo financeiro preventivo é muitas vezes menor que o de recuperação. Prever onde e quando vai ocorrer exatamente é impossível, mas existem janelas onde já ocorreram e ainda ocorrem ‘acidentes’”, salientou.
Áreas de riscos
Dados, divulgados no último mês, apontavam que havia “cerca de 70 áreas de risco, com nível baixo a muito alto para deslizamentos” no município.
Na ocasião, quando Florianópolis também era atingida por chuva intensa, o diretor da Defesa Civil Municipal, Luiz Eduardo Machado, avaliou que as áreas mais suscetíveis a incidentes estavam localizadas no Maciço Morro da Cruz, Saco Grande, região da Pedra de Listra, Pedra do balão e Vila Aparecida, na área continental.
A reportagem do portal ND+ procurou a equipe da Defesa Civil Municipal para verificar quais são as áreas com maior risco de deslizamentos no município atualmente, mas não obteve os dados até a publicação desta matéria.