Após quase 50 dias da ocorrência do ciclone bomba, moradores do município de Governador Celso Ramos aguardam um repasse de R$ 4 mil da prefeitura municipal, destinados a reparar as casas atingidas pelo fenômeno.
O valor é proveniente de uma lei sancionada pelo prefeito Juliano Duarte Campos (PSB), que prevê a destinação do valor dos cofres públicos para a empresa Edmar Materiais de Construção, que deve realizar as obras nas casas da população.
A empresa venceu o pregão homologado na última quinta (13). A previsão é que a prefeitura comece os relatórios, o cadastramento e o processo de mapear as pessoas que receberão os recursos na próxima terça (18).
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Danos do Ciclone em Governador Celso Ramos – Foto: Divulgação/Arquivo/NDSegundo o chefe do executivo, são 20 famílias que tiveram suas casas destruídas, das quais nove estão abrigadas pelos programas de habitação, ou “kit casa”, da Defesa Civil do Estado.
Porém, foram 150 famílias que solicitaram o recurso previsto na lei, que está disponível para quem tem renda mensal abaixo de R$ 5 mil e foi prejudicado pelo ciclone. O montante total do auxílio deve ser de R$ 1 milhão.
Contudo, o valor ainda não foi repassado, e as famílias até então foram amparadas com lonas e telhas, vindas da Defesa Civil em alguns casos, e em outros, da prefeitura ou de doações privadas.
“Tem pessoas que precisam de um valor maior do que este, tiveram casas com o armamento e estrutura danificadas, em que só uma doação de telhas não ajudaria, e esse pessoal ainda não recebeu o recurso do governo”, afirma a vereadora Carol Batistotti (MDB).
O prefeito atesta que o processo, que envolve licitação e todo o trâmite burocrático, é normal, e que também há moradores que teriam se aproveitado da situação para solicitar recursos não essenciais.
“Tem gente que veio solicitar porcelanato, estamos nos deparando com pessoas que se aproveitam da situação. Se fosse um valor da iniciativa privada eu poderia só destinar, mas é um processo público, a prefeitura está envolvida com cadastros, processo licitatório”, diz o prefeito, em resposta.
Contudo, o prazo do poder público, municipal e estadual, não deixou alguns moradores satisfeitos.
“Recebi as telhas da prefeitura após relatar que estava com falta na estrutura e tinha a casa comprometida. Foram 45 dias até eu receber, e só foi depois de eu ir às redes sociais”, relata uma moradora.
“Não recebemos telhas nem nenhum material até agora, e um armário e muitos móveis molharam, ficamos preocupados agora, com essa previsão de chuvas e de tempo muito frio”, diz outra moradora, que afirma que só recebe a resposta que o processo licitatório ainda está ocorrendo.
Ambas preferiram ter seus nomes ocultados, e relataram ter orçado reformas e afins e entrado em contato com a prefeitura, mas sem retorno concreto até então.
O PL (Projeto de Lei) foi sancionado no dia 8 de julho e não sofreu vetos ou alterações da Câmara de Vereadores.