O inverno termina oficialmente no dia 22 de setembro. Contudo, a estação já deixou marcas significativas em Santa Catarina com recorde de temperatura, neve, belas paisagens e também prejuízos.
Frio intenso e temperaturas negativas na Serra catarinense no final do mês de julho – Foto: Wagner Urbano/Divulgação/NDEm entrevista ao ND+, o meteorologista Piter Scheuer elaborou um balanço com alguns dos principais acontecimentos do inverno no Estado até o momento.
SC teve geada generalizada com temperaturas próximas ou abaixo de 0°C e episódios de neve com temperaturas negativas. Conforme Scheuer, a menor temperatura registrada no Estado durante este inverno foi em Bom Jardim da Serra, onde fez -10,1°C. Essa marca foi alcançada na última onda de frio intenso que atravessou SC, no final do mês de julho.
SeguirNesse período centenas de turistas migraram para a Serra catarinense para ver de perto um dos fenômenos mais esperados do ano: a neve. Julho foi justamente o mês mais frio do inverno em Santa Catarina, quando uma massa de ar polar intensa atuou no Estado.
“Essa onda de frio polar que tivemos em julho foi uma das mais fortes do século. Só equivale, aproximadamente, às massas de ar de 2013 e do ano 2000”, afirma Scheuer.
Geada e prejuízos
A geada traz belas paisagens ao Estado, mas também prejuízos à agricultura. Conforme o especialista, a onda de frio que atingiu Santa Catarina provocou geada ampla e severa em praticamente todo o território reforçando temperaturas negativas. Inclusive, no Litoral e outras áreas. Em Criciúma, no Sul do Estado, a temperatura chegou a -2°C.
O fenômeno provocou a chamada geada negra que prejudicou bananicultores, fumicultores, hortas comerciais, plantas ornamentais, frutas tropicais, variedades precoces de frutas de clima temperado, piscicultura tropical, maquinário agrícola do Oeste aos Planaltos.
Também houve danos pontuais por geada em culturas sensíveis ao frio no Médio e Alto Vale do Itajaí, na Grande Florianópolis e no Litoral Sul, próximo à Serra Geral. Ocorreu até o congelamento da água nos canos.
Veranico
Mas nem só de frio rigoroso se deu o inverno. A estação marcou a alternância entre períodos de frio intenso e calor. O único “veranico” registrado foi em meados deste mês de agosto. As praias chegaram a ficar movimentadas em função das temperaturas mais altas.
De acordo com o meteorologista, houve recorde de temperatura no Litoral Sul. No dia 19 de agosto, os termômetros em Criciúma atingiram 38,9°C, a maior temperatura registrada no inverno em SC. Essa marca superou o recorde anterior que era de 37,9°C, registrado no dia 4 de agosto de 2010.
Chuvas
Com relação às chuvas, o mês de junho esteve dentro da média climatológica. A propagação de diversas áreas de instabilidade por conta da entrada de sistemas de baixa pressão em SC e frentes frias gerou um período de chuvas mais frequentes.
Já o mês de julho ficou abaixo da média em virtude da transição de massas de ar polar e massas de ar aquecidas.
O mês de agosto foi ainda “pior” no que se refere às chuvas. “Agosto foi bem abaixo da média climatológica. A maior parte do inverno foi abaixo da média, ou seja, do valor padrão”, explica Piter.
Segundo ele, a região Oeste foi a mais que sofreu com a estiagem, sobretudo, no mês de agosto. Em Chapecó, o volume total de chuva não passou dos 20 milímetros nos 31 dias do mês.
Estiagem em SC – Foto: Governo do Estado de Santa Catarina/Reprodução/NDOs maiores acumulados foram registrados em Joinville, que chegou a 160 milímetros durante o mês passado.
Influência do La Niña
Em suma, o meteorologista explica que o inverno catarinense esteve sobre a influência do La Niña, que gerou diversas incursões de massas de ar frias de origem polar.
Sendo assim, a estação foi de temperaturas abaixo da média climatológica, isto é, um inverno rigorosamente frio e de poucas chuvas, que provocou a condição de estiagem.
O fenômeno La Niña vai continuar a influenciar o clima em Santa Catarina nos próximos meses. A previsão indica que o trimestre que está por vir – setembro, outubro, novembro – será de chuvas irregulares, períodos prolongados de estiagem e variação nas temperaturas.