Itajaí, no Litoral Norte catarinense, já registrou mais que o triplo da chuva esperada para o mês inteiro de dezembro. Segundo o professor Sergey Alex de Araújo, climatologista da Univali, este foi o dezembro mais chuvoso desde 1981. Durante o mês inteiro, até esta terça-feira (27), foi registrado 512 milímetros, um aumento de 203% da média histórica do município, de 169 mm. Segundo a Defesa Civil do município, eram esperados 160 milímetros.
Itajaí tem o dezembro mais chuvoso desde 1981 – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Reprodução/ND“Tivemos quatro períodos de chuva mais forte. O primeiro no dia 1º, com 54 mm, depois no dia 5, com 38 mm, o pior, entre os dias 18 e 20 com 331 mm e o último no dia 26 com 66 mm”, explica.
Sergey explica que, nesse mês, até esta terça, foram 17 dias com alguma precipitação (maior que 0,2 mm), o que está dentro da média desse ano, que é de 17 dias de chuva/mês. Os meses com mais dias de chuva este ano foram março, agosto e setembro, com 21 dias, e o menor foi janeiro, com 10 dias.
SeguirInfluência do La Niña
Para o climatologista, o La Niña influencia a maior precipitação e temperaturas mais altas para a região Sul. Além do mais chuvoso, dezembro também está sendo mais frio que a média. Segundo Sergey, este ano, o mês está 0,2 °C abaixo da média histórica.
“Isso se deve por alguns motivos, especialmente no litoral. Primeiro o oceano Atlântico está mais quente, e assim favorece maior evaporação e por consequência maior umidade sobre o litoral. Nesse mês, pelos deslocamentos de alguns sistemas, como frentes frias, cavados, anticiclones (alta pressão), tem favorecido bastante a circulação marítima (ventos úmidos soprando do oceano para terra), e assim grande variação na nebulosidade com chuva, geralmente fraca nos momentos de maior presença das nuvens”, explica.
Itajaí decretou situação de emergência devido às chuvas intensas – Foto: Marcos Porto/Secom Itajaí“De outro lado, áreas de instabilidade avançando do interior em direção ao litoral, trazendo pancadas de chuva mais concentradas como ontem (segunda, 26). Tivemos chuva moderada entre 3 e 5 horas da madrugada com alagamentos em Itajaí, Camboriú e Balneário Camboriú”, afirma.
Outros fatores principais também causam a maior precipitação. No dia 18, um cavado (área alongada de baixa pressão em direção a uma de alta pressão, como um corredor de calor e umidade) sobre Santa Catarina trouxe mais instabilidade ao litoral. Por outro lado, as ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) atuando entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro trouxeram muita umidade para o oceano, além da circulação marítima.
Os três sistemas, associados, trouxeram umidade para o oceano e o litoral (especialmente o Norte), e, com isso, chuvas mais persistentes. Entre os dias 19 e 20, as ZCAS continuaram trazendo umidade para o oceano e a circulação marítima, “empurrando” esta umidade para o litoral.
“Os pescadores mais antigos, talvez, até diriam que era uma lestada, ou seja, vento úmido contínuo do oceano para o litoral com chuva persistente”, conclui.