Mortes, maré alta e falta de luz: veja rastros deixados pelo Yakecan

Tempestade subtropical causou transtornos em cidades de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e países da América do Sul

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Redação ND Chapecó

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A tempestade subtropical Yakecan, que avançou pelos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e países da América do Sul próximos a região sul do Brasil, deixou rastros de destruição e causou danos em vários municípios. Mortes, falta de energia, queda de árvores e avanço do mar foram alguns dos transtornos causados pelo Yakecan.

YakecanTempestade Yakecan causou transtornos em vários municípios de SC, RS e países da América do Sul. – Foto: Montagem/ND

Duas mortes relacionadas à chegada da tempestade foram registradas. Uma delas foi no Rio Grande do Sul e a outra no Uruguai. Em Porto Alegre, na segunda-feira (16), dois barcos com quatro pescadores naufragaram no Lago Guaíba, devido aos fortes ventos.

Segundo o portal Agora RS, um homem de 51 anos ficou desaparecido por quase um dia inteiro. O Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul realizou buscas e encontrou o corpo nesta terça-feira (17), no início da tarde.

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No Uruguai, um homem de 24 anos morreu na tarde de segunda-feira (16), depois que uma palmeira caiu no telhado de sua casa em decorrência do vento forte. As informações foram confirmadas pelo diretor nacional dos bombeiros do país, Pablo Benítez, ao El País.

Rodovia interditada e caminhão tombado

As rajadas intensas de vento derrubaram também um caminhão na madrugada desta quarta-feira (18), na Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra.

Um vídeo divulgado pela PMRv (Polícia Militar Rodoviária) mostra o momento em que o veículo, que estava parado ao lado do posto da polícia na SC-390, na Serra do Rio do Rastro, não suporta a intensidade do vento e acaba tombando.

Força do vento derrubou caminhão na Serra do Rio do Rastro – Foto: PMRv/Divulgação/NDForça do vento derrubou caminhão na Serra do Rio do Rastro – Foto: PMRv/Divulgação/ND

As ventanias também interditaram a Serra do Rio do Rastro durante a madrugada desta quarta-feira (18), para evitar o risco de acidentes. Já pela manhã, ela voltou a ser liberada, tanto para descida quanto para subida de veículos, com exceção da passagem de caminhões baús e de caminhões sider (com lona nas laterais).

De acordo com a PMRv, apenas o condutor estava no caminhão no momento em que o caminhão tombou e ele não se feriu. O motorista aguardava, justamente, a liberação da pista para poder seguir viagem.

Transtornos

Os ventos, de mais de 100 km/h, arrancaram árvores, tombaram caminhões e colocaram obras de arranha-céus em alerta máximo, no Litoral Norte do Estado. No município de Balneário Camboriú cinco ocorrências foram registradas em função dos fortes ventos.

Uma árvore caiu na rua 57, o que acabou interrompendo o trânsito da via por algumas horas. Na Terceira e na Quarta Avenida, galhos também caíram. Na rua Angelina, no bairro dos Municípios, um muro caiu e acabou ferindo uma mulher.

Fortes ventos destelharam casas no Sul de SC – Foto: Divulgação/NDFortes ventos destelharam casas no Sul de SC – Foto: Divulgação/ND

Um outdoor também caiu na rua Uruguai, esquina com a Avenida do Estado. Uma casa que fica próxima foi atingida, mas ninguém ficou ferido. Os bombeiros estiveram no local, assim como a Defesa Civil.

Em Itajaí, uma goiabeira de porte médio caiu sobre uma casa, nesta quarta-feira (18). Uma pitangueira também foi quebrada pela força dos ventos e foi cortada. A força dos ventos também derrubou um vaso gigante, em Itapema. O vaso acabou atingindo um carro.

A falta de energia também atingiu os municípios catarinenses. Às 15h15 desta quarta-feira (18), a Celesc apontava 8.440 unidades consumidoras sem energia no Estado. Os maiores números se encontram nas cidades de Monte Castelo, Rio dos Cedros, Massaranduba, Ibicaré e Petrolândia.

Canais dos portos fechados

A Marinha determinou, na manhã de terça-feira (17), o fechamento do canal de acesso dos portos de Itajaí e Navegantes e, na tarde desta quarta-feira (18), foi determinado o fechamento do canal: portos de São Francisco do Sul e Itapoá, situados no Litoral Norte do Estado.

Segundo nota emitida pelo Porto de SFS, o fechamento se deu por causa dos ventos de 80 km por hora e ondas de até 2,5 metros, dificultando manobras na estrada e saída na Barra do Canal de acesso ao porto. Por isso, neste momento, nenhum navio entra nem sai dos portos.

Ressaca no mar

A maré também subiu e está trazendo transtornos para os moradores da região Sul da Ilha de Santa Catarina. A previsão é de ondas de até 5 metros na Grande Florianópolis entre esta quarta (18) e quinta-feira (19).

A força da água alcançou casas, ranchos de pesca e comércios que ficam na beira do mar na localidade conhecida como Freguesia do Ribeirão. A Defesa Civil de Florianópolis informou que vai até o local na tarde desta quarta-feira (18) para avaliar os estragos e conversar com os moradores para prestar apoio.

Aumento no nível da água é causado por tempestade – Foto: Almir Rodrigues/NDAumento no nível da água é causado por tempestade – Foto: Almir Rodrigues/ND

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, mais de 220 mil casas ficaram sem energia nesta terça-feira (17). Os ventos fortes derrubaram árvores, postes e fiações elétricas em municípios que estavam em alerta no estado gaúcho.

As regiões da Campanha, do Sul e do Centro-Sul foram as primeiras a sofrerem com a falta de energia.

Também no Rio Grande do Sul, um grupo de 130 pessoas enfrentou uma forte angústia na hora de voltar para casa, em São José do Norte, depois que as condições meteorológicas impediram o funcionamento da balsa que faz a travessia entre os municípios, que dura meia hora. Por terra, o trajeto é feito em nada menos que 600 km. Segundo o MetSul, chuva de granizo foi registrada em São José dos Ausentes.

A Prefeitura de Guaíba emitiu um alerta para rajadas de ventos intensas na região e pediu que as pessoas evitassem sair de casa. A prefeitura de Balneário do Pinhal abriu espaços de acolhimento em um ginásio e na sede da Brigada Militar na cidade.

Um homem ficou preso nos molhes da Barra de Rio Grande, construção que fica na Praia do Cassino e “divide” um trecho de mar mais agitado da costa. A vítima foi retirada do local pouco após a chegada das equipes na área.

Espuma na orla no Uruguai

A orla da praia de Punta del Este, no Uruguai, foi tomada por espuma do mar trazida pelo vento intenso da tempestade subtropical Yakecan. Imagens impressionantes mostram a movimentação e o acúmulo de espuma.

Mudança de categoria

Anunciado inicialmente como ciclone subtropical, o Yakecan agora é, na verdade, uma tempestade. Essa mudança de categoria já havia sido alertada pela Marinha do Brasil, em uma nota emitida no dia 16 de maio.

Em primeiro momento, ele foi considerado um ciclone pelo órgão por ser uma intensa área de baixa pressão atmosférica, segundo o Climatempo.

Com o passar dos dias e as intensas rajadas de vento registradas em Santa Catarina, que passaram dos 88 km/h, podendo ser maiores que 110 km/h, o fenômeno evoluiu e ganhou características de tempestades. Logo, mudou de nome por ter magnitudes maiores do que as antes anunciadas.

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