Após o temporal que atingiu o município de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, foram confirmadas 104 mortes. O dado foi confirmado na noite desta quarta-feira (16) pela Defesa Civil carioca.
Até o turno da manhã foram registradas 229 ocorrências, sendo 189 de deslizamentos, o que levou a prefeitura a decretar estado de calamidade pública. Outras 24 pessoas, ao menos, foram resgatadas com vida.
Durante uma coletiva de imprensa, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro informou que mais de 400 bombeiros estão atuando no local da tragédia.
Seguir“O Corpo de Bombeiros Militar do Estado RJ segue ininterruptamente, desde a tarde de terça-feira (15), as operações de busca e resgate por vítimas das fortes chuvas que atingiram o município de Petrópolis, na Região Serrana”, diz a nota da DC. As informações são do Portal R7.
O número, devido ao tamanho dos danos, ainda não é definitivo. A enxurrada registrada na cidade distante 68 km da capital, já é considerada uma das maiores de toda a história do Estado do Rio de Janeiro.
“Foi a pior chuva desde 1932”, declarou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. “É quase uma situação de guerra”, completou.
Várias estradas de Petrópolis foram transformadas em rios caudalosos com correntezas que varreram tudo em seu caminho e deixaram um rastro de casas reduzidas a escombros e veículos empilhados entre a água e a lama.
Alguns pontos de Petrópolis receberam até 260 milímetros de chuva em menos de seis horas, um volume superior à média histórica para todo o mês de fevereiro (240 mm), segundo a agência meteorológica Metsul.
Ações de apoio
As secretarias de Desenvolvimento Social do estado e do município estão atuando para acolher as vítimas. A Polícia Civil também informou que os setores de perícia e de cartório, delegados da região serrana, apoio terrestre e apoio aéreo foram mobilizados para atender à cidade.
Uma estrutura para a preservação dos corpos foi montada e os familiares estão sendo atendidos no posto de perícia do município.
Áreas atingidas
Na localidade conhecida como Morro da Oficina, no Alto da Serra, estima-se que 80 casas tenham sido afetadas. Em outras regiões, como 24 de Maio, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Vila Felipe, Vila Militar e as ruas Uruguai, Washington Luiz e Coronel Veiga, também há registros de ocorrências graves.
A Defesa Civil informou que ainda há previsão de chuva fraca a moderada a qualquer momento no município.
Até a noite desta quarta-feira havia uma estimativa de, pelo menos, 35 pessoas ainda desaparecidas. Esse número pode aumentar ainda mais ao longo das próximas horas.
“Ninguém esperava, foi desesperador, muito triste. Tenho amigos que estão desaparecidos”, disse Elisabeth Pio Lourenço, de 32 anos, moradora do bairro de Alta da Serra, em ruínas.
Sobrevoo do presidente
Em entrevista realizada a jornalistas brasileiros em Moscou, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai sobrevoar o município nesta sexta-feira (18), quando voltar de viagem.
“Pretendo, ao pousar, sobrevoar a região. Conversei com Rogério Marinho [ministro do Desenvolvimento Regional], que já enviou o seu representante para tratar desses assuntos de calamidades para Petrópolis. Conversei também com o governador Cláudio Castro [do Rio de Janeiro], com Marinho e Guedes [para liberar] um crédito especial, é claro, para atender aos vitimados da catástrofe. Como é praxe nessas questões, há liberação do fundo de garantia [FGTS] e [recursos para] a reconstrução de obras emergenciais para restabelecer a transitabilidade na região”.