Santa Catarina poderia ser palco para uma nova tragédia meteorológica, semelhante à nuvem supercélula que ocorreu em Petrópolis, no Rio de Janeiro nesta terça-feira (15), devido às condições do relevo presentes em algumas cidades do Estado. Entretanto, o meteorologista Ronaldo Coutinho afirma que as chances são remotas.
Na região fluminense do Rio de Janeiro, moradores de Petrópolis lutam contra as chuvas que destruíram o município – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Divulgação/ND“Sempre há o risco de que chuvas intensas tragam alagamentos e provoquem o aumento dos níveis dos rios, mas não de forma tão intensa quanto aconteceu em Petrópolis”, comentou o meteorologista. Ele ressalta que, em 1995, o Estado já vivenciou uma condição parecida com a da cidade da Serra fluminense.
Ao menos 50 cidades catarinenses sofreram com as devastações e deslizamentos causados pelas chuvas, inclusive Florianópolis. Mas, atualmente, “para termos essa condição, precisamos, primeiro, ter um relevo acidentado”, comenta o meteorologista da Epagri/Ciram, Marcelo Martins.
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Santa Catarina reduziu em 22% o desmatamento de Mata Atlântica entre 2019 e 2018, aponta estudo – Foto: IMA/Divulgação/ND“Há cada vez mais desmatamentos e urbanização. Você remove a vegetação natural, e isso traz um risco quando se tem um solo mais condensado, que absorve mais água”, explica Martins. Conforme o meteorologista, essa condição é mais abrupta no verão.
Mas, mesmo que uma cidade tenha todos esses pontos elencados, ainda seria necessário que uma chuva torrencial, próxima dos 130 milímetros, como precipitado em Petrópolis, desaguasse em um curto espaço de tempo.
Para o meteorologista Piter Scheuer, isso é o que chove no período de um mês nos municípios catarinenses, sendo um fenômeno muito raro para o Estado, caso ocorresse num só dia. “Não tem sistema de saneamento básico em lugar nenhum que esteja preparado para isso. É um dilúvio sem proporções”, concorda Martins.
Ainda, ações tomadas pelo governo do Estado, como o mapeamento de áreas de risco para enchentes e deslizamentos, bem como a construção de represas, diminuem ainda mais as chances para o fenômeno em Santa Catarina.
Entenda a tempestade
Meteorologistas ouvidos pelo Estadão explicam que a chuva em Petrópolis foi motivada pela formação de áreas de instabilidade a partir da passagem de uma massa de ar fria pelo Rio de Janeiro. As características do relevo da região serrana contribuíram para a precipitação.
A massa de ar fria resultou em chuvas orográficas, esclarece Martins, na qual o vento úmido encontra com as temperaturas baixas, e causa as precipitações. Basicamente, a umidade sobe na atmosfera, que a devolve na mesma intensidade, mas em forma de chuva.
Choveu 259,8 milímetros em 24 horas na cidade fluminense, superando o recorde anterior de 168,2 milímetros, registrado em 20 de agosto de 1952. A chuva, que em quatro horas superou o esperado para todo o mês de fevereiro, ainda causou dezenas de deslizamentos e danos diversos.
Ao menos 105 pessoas morreram desde terça-feira no município. O meteorologista da Epagri/Ciram reforçou que a tempestade pode ter sido provocada também por uma Zona de Convergência do Atlântico Sul, além da Nuvem Super Célula. Entretanto, o fenômeno ainda não obteve confirmação.
CBMSC pode oferecer ajuda
O CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina) está à disposição para apoiar a cidade de Petrópolis, se necessário. Entretanto, para que “a corporação possa prestar apoio é necessário que a corporação do local atingido nos solicite esse apoio, não podemos simplesmente encaminhar nossos militares pra lá”, esclarece o órgão.
“Em todas as ocorrências extremas é montado um Sistema de Comando de Operações, que analisa todas as etapas da ocorrência, ou seja, qual a situação real, quais as áreas que são empregadas o que há de recursos, logística e também o efetivo necessário”, diz.
“Os comandos dos dois Corpos de Bombeiros Militar estarão em contato, enquanto o trâmite para autorização ocorre entre Governo deles, solicitando formalmente ao nosso governador, que fará a autorização para o deslocamento das equipes”, finaliza.
Até o momento, o CBM afirma que não houve sinalização de necessidade de deslocamento de equipes.