Neste sábado (20), o verão se despede e dá lugar ao outono, estação que marca a transição entre o ciclo mais quente do ano e o inverno, e tem como característica longos períodos acima dos 30°C em Santa Catarina.
No entanto, a atuação do fenômeno La Niña deve persistir nos primeiros meses d0 outono em 2021, de acordo com a Epagri/Ciram, e assim, a previsão é de que o frio chegue mais cedo no Estado, mantendo as temperaturas abaixo da média para os meses de abril e maio.
O fenômeno se dá ainda com a chegada de massas de ar frio mais intensas e com a formação de geada ampla que deve atingir mais regiões do Estado.
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Com atuação do La Niña, frio deve chegar mais cedo em 2021 – Foto: Leo Munhoz/Divulgação/NDAlém dos veranicos e dias de temperaturas elevadas, outras características do outono catarinense são os nevoeiros com redução de visibilidade e a diminuição dos volumes de chuva.
Em relação à chuva, a previsão da Epagri/Ciram é de totais abaixo da média climatológica, ou seja, o acúmulo de precipitações será ainda menor do que o comum para o outono.
Apesar da atuação, o La Niña terá um enfraquecimento nos próximos meses. Ainda assim, o órgão alerta que chuvas forte com totais elevados em curto intervalo de tempo, temporais acompanhados de raios, granizo e ventania, ondas de frio e períodos de estiagem podem ocorrer no outono de 2021 no Estado.
Influência do La Niña no verão
O verão esteve sob a influência do fenômeno global La Niña, que consiste no resfriamento das águas na região equatorial do Pacífico, com intensidade moderada a forte, indicou a retrospectiva feita pela Epagri/Ciram.
A temperatura ficou abaixo da média climatológica, ou seja, o verão foi um pouco mais frio do que o normal (1 a 2°C abaixo), sem onda de calor e quebra de recorde de temperatura. Além disso, foram registradas geadas nas áreas altas do Planalto Sul nos meses de janeiro, fevereiro e março.
A La Niña, que favoreceu a chegada de massas de ar frio e também a chuva mais frequente no início do verão, refletiu em temperaturas mais baixas durante o dia e em um verão que começou com chuva frequente e totais elevados, especialmente na Serra, entre a Grande Florianópolis e o Litoral Norte, onde o volume excessivo em eventos de poucos dias provocou sérios transtornos, com alagamentos e deslizamentos.
Janeiro registrou recordes de chuva
Em janeiro, o total de chuva no município de Schroeder chegou a 692mm. Em Urupema, o total de 391,2mm, nesse mês, foi recorde mensal absoluto na região.
Em Urubuci (340mm) e Rancho Queimado (445,6mm), os totais representaram recorde para meses de janeiro. Além da chuva, ocorreram temporais com intensa atividade elétrica e ventania.
Fevereiro teve chuva mal distribuída
Em fevereiro, a chuva foi frequente e com totais elevados no Litoral, como observado em janeiro.
No interior, o padrão mudou em relação a janeiro, pois a chuva foi mais escassa e mal distribuída, com valores abaixo da média climatológica.
A região mais chuvosa durante o verão foi o Litoral Norte, com valores acima da média em janeiro (300 a 400mm) e em fevereiro (150 a 300mm).
Março seguiu o padrão
Em março, o padrão foi parecido ao observado em fevereiro, com mais chuva nos Litorais da Grande Florianópolis e Norte, com totais de 150mm a 300mm (acima da média em muitas cidades).
A chuva foi escassa no restante do Estado, com totais de 20 a 60mm, bem abaixo da média.
As precipitações foram causadas pela convecção, associada ao aquecimento diurno, as famosas pancadas de verão, concentradas especialmente no período da tarde e noite.
A circulação marítima, associada à combinação de um cavado no litoral de São Paulo e um sistema de alta pressão no Litoral Sul do Brasil, foi a grande responsável por eventos de chuva intensa na Grande Florianópolis, no Vale do Itajaí e no Litoral Norte.