O “Super El Niño” de 2023 já é o mais intenso dos últimos 25 anos na costa da América do Sul. O anúncio leva em conta dados da Nasa e um estudo feito pela MetSul Meteorologia.
Agora, mais um fator entra na conta do fenômeno: a conta de luz. De acordo com um estudo da consultoria Rystad Energy, a energia pode ter o preço elevado por conta do El Niño.
Super El Niño pode elevar o preço da conta de energia no Brasil – Foto: Satélite NOA/Divulgação/NDSegundo a consultoria, o fenômeno climático que dura o ano inteiro é caracterizado por temperaturas oceânicas invulgarmente quentes, levando a um clima mais quente em geral e a mudanças nos padrões de precipitação, com impacto tanto na procura de energia como na produção de energia hidroeléctrica.
Seguir“A energia hidroeléctrica é uma fonte fundamental de eletricidade para muitos países da América do Sul, sendo provável que qualquer queda na capacidade de produção desencadeia uma maior dependência do carvão e do gás natural, aumentando os preços da energia tanto para os consumidores como para a indústria”, escreve a pesquisa.
Colômbia, Brasil, Chile e Peru são os países com maior probabilidade de serem afetados, uma vez que a energia hidroeléctrica desempenha um papel importante nos seus respectivos conjuntos de energia.
Aumento nos Oceanos
A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) diz que as anomalias de temperatura devem exceder +0,5°C ou -0,5°C durante pelo menos cinco meses consecutivos para confirmar um evento El Niño ou La Niña no Oceano Pacífico. De acordo com os dados mais recentes, há mais de 90% de probabilidade de que um El Niño moderado comece durante o próximo verão no Hemisfério Sul.
NOAA confirma temperaturas elevadas no Oceano Pacífico – Foto: NOAA/Reprodução/NDO estudo mostra ainda que o El Niño impacta as regiões do Brasil de maneira diferente devido ao tamanho do país e ao mix energético baseado em energia hidrelétrica. Embora o país provavelmente experimente temperaturas mais altas em geral, a região sul poderá ver mais chuvas, enquanto as regiões nordeste e norte poderão sofrer secas.
Em 2019, um El Niño mais fraco fez com que a energia do fluxo de água no Nordeste do Brasil fosse apenas 43% da média de longo prazo. No entanto, os níveis dos reservatórios do Brasil estão mais de 80% cheios desta vez, é um pipeline de projetos de energia renovável que deverá manter o equilíbrio da oferta frouxa e aliviar as flutuações de preços no próximo verão.
Sendo assim, os preços da energia poderão ser mais elevados no final do ano se os reservatórios hidroelétricos não forem totalmente reabastecidos durante a próxima estação chuvosa.