Vento gelado e temperaturas baixas marcam manhã em Florianópolis

Com 9ºC nos termômetros, vento gelado que soprou antes mesmo da chegada do sol levou a sensação térmica para 6ºC na madrugada

Caroline Borges Florianópolis

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Foi preciso coragem para levantar da cama e deixar as cobertas para trás nesta sexta-feira (21). Com a mínima de 9ºC às 7h, a manhã em Florianópolis foi congelante. E apesar de não ser a temperatura mais baixa no ano na cidade, o vento gelado que soprou antes mesmo da chegada do sol levou a sensação térmica* para 6ºC. 

Vento gelado e temperaturas baixas marcam manhã em Florianópolis – Foto: Créditos: Leo Munhoz/NDVento gelado e temperaturas baixas marcam manhã em Florianópolis – Foto: Créditos: Leo Munhoz/ND

“Precisei de três casacos hoje”, conta Ana Valetin, de 37 anos. Moradora de São José, na Grande Florianópolis, a funcionária do Tribunal de Justiça de Santa Catarina madrugou em meio ao frio. Antes das 6h já estava de pé a caminho do trabalho. 

A “friagem” preocupa a mulher, já que em tempos de coronavírus especialistas alertam para a intensificação dos sintomas de Covid-19. 

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Vento gelado e temperaturas baixas marcam manhã de sexta-feira em Florianópolis- Foto: Créditos: Leo Munhoz/NDVento gelado e temperaturas baixas marcam manhã de sexta-feira em Florianópolis- Foto: Créditos: Leo Munhoz/ND

Mesmo acostumada com o frio, Márcia Maria Machado, de 41 anos, vestiu uma roupa extra nesta sexta. Funcionária da Comcap,e moradora da Capital há apenas sete meses, ela varria a praça XV de Novembro perto das 7h e disse estar surpresa com o frio em Florianópolis. 

“Eu estou acostumada com o frio”, disse. “Lá em Paulo Lopes é bem gelado também, então não senti tanta diferença, mas não sabia que ia estar tão frio hoje”, confirma. 

A onda de frio intenso sentida até mesmo no litoral do Estado é consequência de uma poderosa massa de ar polar que atingiu o continente nesta semana. Além de Santa Catarina, que já teve registro de neve em várias cidades da Serra, Oeste e Norte, o fenômeno climático fez nevar no Rio Grande do Sul e na Argentina. 

A região sul deve ficar sob influência da massa de ar até sábado (22). Neste período,  segundo a Defesa Civil, haverá risco de gelo e possibilidade de acúmulo de neve na pista, principalmente nas áreas mais altas do Estado. 

Frio aquece comércio afetado pela pandemia

Pode ser até pouco, mas as vendas de meias, toucas e luvas nesta manhã vão ajudar e muito a renda de Maria Alves. O pequeno negócio que a florianopolitana tem há 25 anos, na esquina entre as ruas a Trajano e Conselheiro Mafra perdeu movimento desde a pandemia teve início. 

A ausência do frio neste ano até agora, segundo Maria, também não tinha despertado a compra dos produtos. “Que bom que deu frio. É o pior ano de trabalho e como não teve frio, nem deu de vender tanto também”, falou ao citar que a crise causada pelo coronavírus diminuiu o movimento para cerca de 40%. 

Frio aquece comércio local  – Foto: Créditos: Leo Munhoz/NDFrio aquece comércio local  – Foto: Créditos: Leo Munhoz/ND

No pequeno comércio em frente a Catedral Metropolitana de Florianópolis, a bebida mais pedida da manhã foi o café. “Para esquentar hoje, só um cafezinho quentinho mesmo” disse Fabio Martiniano Bernardo, de 40 anos.

Enquanto a esposa, Analice Vendramini Bernardo, preparava a bebida para os próximos clientes, Fábio que o responsável pelo negócio contava que esperava mais frio nesta sexta. Manezinho da Ilha, nascido e criado em Ratones, o bairro mais frio da cidade, ele está acostumados a temperaturas mais baixas. Às 7h, quando abriu o comércio,  o termômetro que ficava a poucos metros do estabelecimento marcava 10°C. 

“Eu acordei 5h30, como sempre. Está frio, mas nem tanto. A gente esperava bem mais. Lá no Ratones, quando saía casa, devia estar uns 5°C, mas para gente que sempre morou lá é normal” contou o manezinho que espera lucrar mais nos próximos dias com a persistência do frio. 

População de rua sofre

Vento gelado e temperaturas baixas marcam manhã de sexta-feira em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDVento gelado e temperaturas baixas marcam manhã de sexta-feira em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

A máscara que cobre o rosto de Alberto**, o protege contra a Covid-19, mas o frio que o homem sentiu na noite passada não pôde ser amenizada.

Morador de rua há quase 5 anos o homem natural do Rio Grande do Sul já está acostumado aos dias de frio. Porém, a experiência não ameniza o desconforto. 

“Frio é sempre aqui na rua. A gente tem cobertor, eles [voluntários] dão comida à noite, mas é frio mesmo assim”, lamenta o homem de 38 anos sentado na escadaria da catedral, onde passou a noite.

Mesmo com o frio, Alberto se recusou a ir para a passarela Nego Quirido nesta noite. Segundo ele, o local também é frio, insalubre, com “muita gente” e há perigo de ser furtado. “Eu já foi lá, mas me roubaram. Não vou mais”, exclamou. 

O espaço oferecido pela prefeitura possui espaço para 300 pessoas, mas na última noite abrigou 262 pessoas. Conforme o executivo, no local são disponibilizadas refeições, pernoite, banho e doação de roupas. 

Além disso, o município possui um serviço de resgate, com assistente social, psicólogo e enfermeiro. O trabalho precisa ser solicitado e oferece atendimento a pessoas que estão em situação de rua.

Notas 

Sensação térmica*: temperatura aparente sentida pela pele exposta, em virtude da combinação entre temperatura do ar e velocidade do vento.r. Portal da Epagri/Ciram mostra o cálculo. Veja aqui.

**O nome do homem em situação de rua alterado pela reportagem a pedido do mesmo.