O soldado do Corpo de Bombeiros Luis Fernando Felipe Alves, lotado em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí, viu uma chance única em meio ao apagão provocado pelo ciclone bomba que devastou cidades catarinenses em julho de 2020.
Com a fotografia como um hobby, às 4h30 do dia 1º de julho ele aproveitou a época do ano e a falta de luzes no município para registrar com perfeição a Via Láctea sobre Ituporanga.
Bombeiro de Santa Catarina aproveitou a escuridão para fazer registro único da Via Láctea em Ituporanga – Foto: Reprodução/Facebook/Luis Fernando Felipe Alves“Como eu gosto de fotografia eu sabia que nas madrugadas ao longo dos meses de inverno a Via Láctea deitaria atrás dos morros naquele ângulo. Mas essa foto é praticamente impossível de fazer no meio da cidade por conta da poluição luminosa”, conta o soldado.
SeguirPorém, em um dia totalmente atípico, ele viu uma oportunidade de ouro, e se preparou.
“Por causa do ciclone, tudo ficou às escuras. Então achei que seria uma oportunidade única e coloquei meu relógio para despertar às 3h da manhã e se ainda estivéssemos no black-out eu faria a foto que sempre quis fazer”, explica.
“Acordei, ainda estava sem luz e subi o morro aqui perto de casa para fazer o registro. Na imagem aparece só o hospital iluminado (por conta dos geradores) e a igreja logo à frente dele. Por isso ali estava iluminado. E acima a Via Láctea mais ou menos umas 4h da manhã. É um registro único já que teria que estar escuro justamente de madrugada e exatamente nesses meses, pois no verão a Via Láctea não é visível”, continua Luís Fernando.
O bombeiro destaca que tem um grande afeto pela foto, não só pela raridade mas tudo que simboliza.
“Tenho um carinho especial por ela porque para mim é muito simbólica: no meio do caos, o hospital e a igreja iluminados. O céu, sempre escondido pelas luzes artificiais da cidade, revelado lá em cima.”
A beleza da Via Láctea em contraste ao caos
No dia 30 de junho de 2020, um explosivo fenômeno climático, o ciclone bomba, se formou em Santa Catarina e afetou com muita força todas as regiões do Estado.
Como bombeiro, o soldado Luís Fernando Felipe Alves viveu de perto o drama enfrentado por muitas famílias catarinenses. A cidade de Ituporanga também foi fortemente afetada na época.
“Acabou sendo bem trabalhoso para as equipes da região, e em Ituporanga não foi diferente. Por causa dos fortes ventos, todas as guarnições acabaram tendo bastante trabalho para desobstruir as vias por conta de árvores caídas na SC-350 que liga a cidade a Rio do Sul e Alfredo Wagner, além de auxiliar a Defesa Civil na prestação de apoio às famílias que eventualmente tiveram suas casas destelhadas por conta dos ventos”, detalha.
Luís Fernando ressalta que o problema da falta de luz foi um grave transtorno em muitos locais. “Situação bem complicada. A gente teve relato de famílias que ficaram sem energia elétrica por dias em municípios vizinhos”.
Efeitos do ciclone-bomba foram gravemente sentidos em Chapecó, no Oeste do Estado – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/NDO ciclone bomba superou as tragédias do Furacão Catarina de 2004 e o tornado em Xanxerê, em 2015, e é considerado o pior desastre com ventos da história catarinense. O número de mortes em decorrência do fenômeno chegou a 11 pessoas.
Segundo a Epagri/Ciram, naquela data os ventos chegaram a até 168 km/h.