Alojada em um abrigo municipal de Angelina, na Grande Florianópolis, desde a última quinta-feira (1°), Joelma Fernandes contou ao ND+ os momentos que definiu como “noite de terror” em que ela e o marido ouviram barreiras despencando ao lado de sua casa. A entrevista foi concedida nesta quarta-feira (7).
Segundo Fernandes, a quarta-feira (30) já acumulava muita chuva. Assim, a auxiliar de serviços gerais foi dispensada do trabalho, na Secretaria de Saúde do Município. Ao chegar em casa, a praça próxima já estava cheia.
Vídeo registrado por servidora pública mostra deslizamentos em Angelina – Foto: Arquivo Pessoal/ND“A tarde estava tudo mais ameno, com menos chuva. Porém, a noite a chuva piorou e eu falei pro meu marido que deveríamos sair dali, mas a minha filha disse ‘mãe eu não quero sair da minha casinha’. Por volta de 22h30 acabou a luz, à noite escutamos as árvores caindo. Apesar disso, a gente deitou e foi dormir. Meia noite acordei com um barulho forte, de terra descendo. Eu fui em todos os lados da casa e não via nada”, conta.
SeguirFoi então que ela e o marido se ajoelharam ao lado da cama da filha e rezaram, sem cessar, até o amanhecer pedindo por suas vidas.
Pela manhã ao abrir a porta de casa o casal se deparou com uma cena de terror. Árvores, lama e muita água estava por todos os lados.
“Da minha casa até a praça de Angelina tem cerca de 1 km, nesse trecho cerca de 40 barreiras caíram no caminho, não dava nem para chegar a pé. Continuava chovendo muito forte”, fala.
O marido então decidiu ir na frente, localizando algum caminho para passarem. Os dois então se adentraram no mato próximo para tentar chegar até a Praça da cidade e pedir ajuda.
Confira os vídeos da travessia
No caminho, barreiras continuavam despencando na cidade – Vídeo: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Família abre caminho no mato para se salvar após deslizamentos – Vídeo: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
“Aquilo foi para salvar nossas vidas. Não sabíamos se poderia cair mais barreiras. Foi um ato de desespero”, relembra.
Ao chegar na praça da cidade, a família que não tinha nem tomado café da manhã foi alimentada e acolhida. Em seguida, todos foram acolhidos em um abrigo municipal, e lá permanecem até esta quarta. A família foi a primeira abrigada pelo município.
“Eu tenho muita gratidão por tudo que aconteceu, porque em meio ao caos vimos a generosidade das pessoas, fomos muito ajudados. Graças a Deus não tivemos mortes em Angelina”, descreve.
A auxiliar de serviços gerais finaliza dizendo que a previsão da família é sair do abrigo nesta quinta-feira (8) ou na sexta-feira (9). Em sua casa o estrago foi em telhas, e na madeira.
“Não é 100% segura, mas temos nosso lar”, termina a sua fala.