O brasileiro não gosta de perder. Trata-se de uma máxima que, se não é baseada em um estudo, é amostrada em períodos sazonais de disputas esportivas como Jogos Olímpicos, ou até mesmo Copa do Mundo.
O tênis, não só pela condição individual da disputa que se impõe, mas pelas suas características foge um pouco à “regra”. É uma modalidade que a derrota precisa ser normalizada, sobretudo, para quem o pratica.
A reportagem do ND+ esteve na sede da FCT (Federação Catarinense de Tênis), onde acontece a disputa da modalidade no JASC (Jogos Abertos de Santa Catarina) 2021, naipe masculino.
SeguirPara esta quarta-feira (24), inclusive, estão agendadas as partidas semifinais da competição entre Timbó x Florianópolis; Itajaí x Joinville, após classificarem-se ao longo de uma escaldante terça-feira.
A relação do tênis com a derrota
Para Davi Marcon Savi, 17 anos, trata-se de uma relação que aborda a derrota duas vezes: a frustração do revés, na opinião do jovem atleta, anda muito próxima da derrota com tom de humilhação, de entender ter sido superado com sobras.
Tênis entre Criciúma e Joinville; Davi Marcon, de boné amarelo, consolidou a única vitória do time do Sul no duelo contra o Joinville: final 1 a 3. – Foto: Diogo de Souza/ND“Tem derrotas que é possível entender e ver ela de maneira diferente, tu viu que tu lutou, que tu brigou, mas foi vencido. Mas tem a derrota que te mostra que tu é inferior, que te deixa com um sentimento meio de humilhação. Essa é doída”, explanou o atleta que, apesar da pouca idade, esbanjou maturidade.
Davi é representante da equipe de Criciúma que, nesta terça-feira, esteve em confronto com Joinville.
Para João Vitor, 18 anos, natural e representante de Joinville, trata-se de uma situação “difícil”, mas que a própria modalidade te ensina a olhar sempre para frente.
João Vitor, em vídeo, explicou como enxerga o paradoxo da modalidade. Confira:
João Vitor, 18 anos, atleta de Joinville fala sobre o convívio com a derrota no tênis – Vídeo: Diogo de Souza/ND
Uma modalidade que não ‘precisa’ de arbitragem
Há um contexto estrutural da modalidade que também ajuda a explicar o espírito esportivo posto em prática por quem o faz.
O tênis, como se não se bastasse com essa diferenciação, se permite disputar competições sem a presença da arbitragem. É como se um “código de conduta” da modalidade viabilizasse essa condição.
Pedro Boscardim (de branco) em duelo pelo Joinville – Foto: Diogo de Souza/NDPara Paulo Fucks, que tem mais de 30 anos de arbitragem na modalidade, é coordenador de arbitragem junto a FCT e igualmente coordenador nos Jogos Abertos, há uma questão de custo por trás, mas também o entendimento que os atletas “se resolvem entre eles”.
Paulo explica ainda que é uma tradição da modalidade, fora de disputas profissionais e de elite, não utiliza a arbitragem. Ele justifica que, se tivesse que contratar árbitros para as disputas realizadas na FCT, seria um número próximo de dez profissionais, o que inviabiliza no quesito operacional.
“Torneios amadores e infanto-juvenil, não são jogados com juízes de cadeira. Existem árbitro geral e árbitros auxiliares. Se tiver alguma dúvida eles solicitam um árbitro, que vai até a quadra, eles explicam o que aconteceu e o árbitro toma a decisão”, acrescentou.
Semifinais
Acontece nesta quarta, a partir das 9h, as semifinais envolvendo Itajaí x Joinville e Florianópolis x Timbó, que carimbaram suas respectivas classificações.
Finais
As finais serão realizadas a partir das 14h onde a disputa de campeão começa sendo seguida da disputa para medalha de bronze.