Amiga viu acidente que matou casal em SC e tentou salvá-los: ‘foi terrível’

Keila e Ezekiel morreram carbonizados após o carro que eles estavam bater de frente conta um caminhão na SC-135, em Ibiam, no Meio-Oeste

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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Cerca de um minuto. Esse foi o tempo entre o carro, em que estavam o casal Keila Yasmin dos Santos e Ezekiel Souza Ferreira, ultrapassar o veículo de Edy Rodrigues e uma colega, e bater de frente contra um caminhão às 6h10 desta sexta-feira (20). O grave acidente ocorreu no km 156,100 da SC-135, em Ibiam, no Meio-Oeste de Santa Catarina, e o casal morreu carbonizado.

Keila e Ezekiel, acidente, scKeila e Ezekiel eram casados e moravam em Ibiam. – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução/ND

Edy era amiga e trabalhava com Keila. Ela conta que se deparou com a pior cena de sua vida. “Paramos de trabalhar às 5h30 como de costume e estávamos retornando para casa em Ibiam. Eu e minha outra amiga vínhamos na frente, quando ela nos ultrapassou”, conta a colega.

Keila era quem estava dirigindo no momento da colisão. Ao se deparar com a cena do acidente, Edy tentava acionar o Samu enquanto a amiga tentava abrir a porta do carro. “A gente tentou salvar eles, mas não deu tempo, o carro começou a pegar fogo e estourar os pneus em questão de segundos. Foi terrível, estou despedaçada por dentro”, lembra.

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Keila tinha 30 anos e Ezekiel 23 anos e estavam casados há nove meses. Os dois morreram carbonizados no automóvel. A Polícia Militar Rodoviária informou ao ND+ que o casal estava em um carro Siena, com placas de Ibiam, que bateu de frente com um caminhão Cargo 1215, emplacado em Caçador/SC.

A mulher tinha uma filha de apenas 3 anos, que não era filha de Ezekiel. A menina estava com a madrinha, que cuidava da criança a noite enquanto a mãe trabalhava em uma empresa de embalagens em Tangará. O trajeto de Tangará a Ibiam é de apenas 14 quilômetros.

O motorista do caminhão, de 23 anos, conseguiu sair do veículo sem ferimentos, segundo a polícia. O profissional contou para uma rádio da cidade que quando percebeu, o carro já estava na sua frente e nada pode ser feito para evitar a batida. O que causou o acidente deve ser investigado pela polícia.

Edy flagrou o acidente e tentou ajudar a amiga, mas não conseguiu. – Vídeo: Arquivo Pessoal/Reprodução/ND

“Sempre com um sorriso no rosto”

Andressa Alves De Moura também trabalhava na mesma empresa que Keila, mas em setores diferentes. As duas se encontravam com frequência nos intervalos e a última vez que se viram foi na despedida para casa, às 5h30 da manhã desta sexta-feira.

“Era uma pessoa muito querida, simpática, sempre com o sorriso lindo no rosto. Muito trabalhadeira, fazia o possível para agradar à filha de apenas 3 aninhos, quem amava muito. A menina era muito apegada na mãe e no Ezequiel, que não era de sangue, mas era considerado pai”, detalha Andressa.

A colega de trabalho conta que Keila era apaixonada pela família e Ezekiel era uma pessoa muito boa para ela e a filha. “Nossa última conversa foi no intervalo dessa madrugada e depois nos despedimos na hora de ir para casa. Estamos em choque, sem acreditar”.

Keila e Ezekiel estavam em um carro Siena. – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação/NDKeila e Ezekiel estavam em um carro Siena. – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação/ND

Trecho perigoso

Thalyta Ozório conheceu Keila e sua família na igreja. O pai de Keila era pastor e eles foram cuidar da igreja em que Thalyta congregava em Ibiam. “A gente passou a ter pouco contato depois que me mudei de cidade. Então ela casou e foi morar perto da minha avó. Quando eu ia para lá sempre a via. Minha avó cuidava da menininha dela para eles trabalharem. Foi um trágico acidente”, comenta a jovem, que hoje mora em Jaraguá do Sul.

A amiga Keila não foi a única perda de Thalyta no trecho da SC-135 onde ocorreu o acidente. Há 16 anos ela perdeu o pai e a mãe em um acidente de moto e há cerca de três anos a prima também morreu em um acidente de carro no mesmo trajeto.

“Os dois acidentes foram envolvendo caminhão. O trecho onde aconteceu o acidente é muito perigoso, ainda mais em dias de chuva. Ter que ter muita atenção”, afirma.

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