Câmara de Joinville debate projeto de lei para multar motocicletas ‘barulhentas’

Texto prevê multas de até 10 UPM (Unidades Padrão do Município), que somam, atualmente, o valor de R$ 3,7 mil

Foto de Redação ND

Redação ND Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Joinville poderá ter uma lei que multa motocicletas “barulhentas”, ou seja, com excesso de ruídos. A proposta está em debate na Câmara de Vereadores da cidade do Norte catarinense e foi alvo de discussão na Comissão de Urbanismo nesta terça-feira (8).

Motociclista trabalhando como entregadorProjeto ainda está em debate na Câmara – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O texto original do projeto 84/2023 prevê multas de até 10 UPM (Unidades Padrão do Município). Se aplicada no mês de agosto, por exemplo, a multa ficaria em R$ 3.753,40. A penalidade deve ser aplicada para empregadores que utilizem serviços de entregadores com motocicletas que gerem ruídos excessivos ao limite estabelecidos pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

De acordo com o regulamento, a mensuração do barulho das motocicletas é feita em decibéis e próximo do escapamento da moto. Para os veículos produzidos até dezembro de 1998, o limite é de 99 decibéis. Já para as motos fabricadas a partir de janeiro de 1999 o limite é de 80 decibéis.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Em sua apresentação, o autor do projeto, o vereador Nado (pros) mencionou que o objetivo do texto é incentivar uma cidade sustentável e com qualidade de vida para os munícipes, em especial para pessoas autistas. Para o legislador, a solução da questão depende da atuação do poder público, especialmente da CVJ.

O projeto também dispõe sobre o cumprimento da boa conservação dos faróis, das placas, dos retrovisores, dos dispositivos de transporte de carga, da integridade do chassi e das condições de uso dos veículos, assim como da regularidade da habilitação do motociclista e uso de equipamentos de segurança pessoal.

Debate na Câmara

Representante do Sindicato Viva Bem, dos ramos de restaurantes e hotelaria, Ana Wetzel concordou que o barulho das motocicletas incomoda, mas não aceitou a responsabilização de empregadores.  Cintia Huang, representante da Ajorpeme (Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa), também discordou da possibilidade de multa para os empregadores.

Após as críticas de empregadores, Nado (Pros) anunciou que apresentará emenda para excluir a possível oneração aos empresários. Já o vereador Érico Vinicius (Novo) classificou que a oneração aos empresários é uma “cilada”. O parlamentar considera que a conta cairia no bolso dos clientes, que teriam que pagar mais caro por entregas via motocicletas.

Wilian Tonezi (Patriota) defendeu maior intensificação de blitze no trânsito para um melhor combate do tráfego de motocicletas adulteradas.

Já Adilson Girardi (MDB) sugeriu que uma melhor saída seria a Prefeitura inspecionar motocicletas e credenciá-las para a contratação de empresários, em esquema parecido ao utilizado para a permissão de vans do transporte escolar.

Diante das manifestações, Nado comunicou que irá retirar do projeto as obrigações dos empregadores.

Além da alteração do texto, o projeto também terá um novo relator em Urbanismo. O presidente do colegiado, Wilian Tonezi (Patriota), deverá escolher um novo relator para substituir Sidney Sabel (União Brasil), que renunciou ao cargo na comissão.

Tópicos relacionados